Pressionada pela CMVM, Impresa diz esperar receitas a crescerem 0,5% ao ano até 2028
Sob pressão do regulador dos mercados, a dona da SIC e do Expresso divulgou um conjunto de previsões financeiras até 2028 que apontam para um crescimento médio anual de 0,5% das receitas.
Pressionada pelo regulador dos mercados financeiros, a Impresa divulgou no domingo à noite um conjunto de projeções financeiras até 2028 para o grupo e os dois principais segmentos de negócio. Com base na informação disponível até junho, a dona da SIC e do Expresso espera um ligeiro crescimento das receitas até 2028, à taxa média anual de 0,5%, ano em que se estima que obtenha um resultado operacional (EBITDA) de 24,3 milhões de euros, mas não divulga qualquer valor para a evolução da dívida líquida, o ‘caixa’ ou o resultado líquido.
Os números foram dados a conhecer aos investidores “por questões de igualdade de informação” e “em resposta ao pedido” da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A publicação ocorreu também na véspera da assembleia geral extraordinária desta segunda-feira, em que se espera que o grupo vote e aprove uma autorização para a realização do aumento de capital que conduzirá à entrada de um novo acionista de referência, a MediaForEurope (MFE), com uma participação de 32,934%.

Segundo as projeções da companhia liderada por Francisco Pedro Balsemão, as receitas consolidadas deverão totalizar 179 milhões este ano e alcançar 182,1 milhões de euros em 2028. Apesar da ligeira melhoria, o lucro antes de juros, depósitos, depreciações e amortizações (EBITDA) chegará aos 24,3 milhões de euros nesse ano, se as estimativas se confirmarem. O investimento, que este ano terá sido de pouco menos de dois milhões de euros, totalizará 3,7 milhões em 2028.
Relativamente aos dois principais negócios da Impresa — a televisão e o publishing –, as perspetivas do grupo são díspares. Por um lado, estima um crescimento anual de 0,9% das receitas com televisão, para 159,4 milhões de euros em 2028, e um resultado operacional de 21,2 milhões de euros. Os custos deverão agravar-se 0,5% ao ano.
Por outro, no publishing, a empresa antecipa uma queda anualizada de 1,1% das receitas, dos 23,1 milhões previstos em 2025 para 22,4 milhões em 2028. O EBITDA, contudo, deverá melhorar dos dois milhões em 2024 e 2025 para três milhões no final do período em análise. Aqui, os custos terão um agravamento superior ao do pequeno ecrã, na ordem dos 3% ao ano.

No comunicado aos mercados, a Impresa nota que não pode “assegurar que os seus resultados, desempenho ou eventos futuros corresponderão” a estas expectativas e não assume “qualquer responsabilidade pela exatidão e completude” destas “declarações prospetivas”. A Impresa também não assume nenhuma “obrigação de atualizar a informação”.
Estas previsões foram divulgadas depois de, no dia 4 de dezembro, a Impresa ter enviado um documento à CMVM, na sequência da reunião que ocorrerá esta segunda-feira, onde justifica a entrada da MFE por via de um aumento de capital com o facto de estar a atravessar “uma fase delicada”.
“A situação em que a sociedade atualmente se encontra reclama uma resposta firme, célere e adequadamente estruturada. A sociedade atravessa uma fase delicada, caracterizada pela dificuldade em obter novas linhas de crédito e renovar as atuais, o que limita a sua capacidade de assegurar com normalidade e segurança o crescimento sustentado da sua atividade”, apontou o grupo nessa altura.
Assim, entre os pontos da ordem de trabalhos da assembleia está a aprovação de um aumento de capital de 17,325 milhões de euros, que será subscrito pelo grupo italiano da família Berlusconi. Esta é uma das três condições precedentes para a concretização do acordo de investimento anunciado no final do mês passado entre a Impreger, holding da família Balsemão e que controla 58,75% da dona da SIC e Expresso, e o grupo de media italiano.
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