Presidenciáveis vão gastar cinco milhões de euros em campanha. Mendes, Seguro e Melo têm os maiores orçamentos

Marques Mendes, Seguro e Gouveia e Melo estimam uma despesa superior a um milhão de euros em campanha. André Ventura fica perto, com 900 mil euros. Manuel João Vieira prevê gastar 860 euros.

As presidenciais de 18 de janeiro não serão apenas as mais concorridas de sempre, como se arriscam a ser aquelas em que os candidatos mais gastam em campanha. No total, a despesa prevista totaliza mais de cinco milhões de euros, com diferenças consideráveis entre os orçamentos que tem como ‘campeões’ Marques Mendes, Gouveia e Melo e Seguro.

Dos 11 candidatos admitidos pelo Tribunal Constitucional na corrida a Belém, a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) disponibiliza os orçamentos de nove candidatos e indica que João Cotrim de Figueiredo e Humberto Correia não entregaram o documento. No entanto, a candidatura do ex-presidente da Iniciativa Liberal fez chegar ao ECO o orçamento, que assegura ter remetido à ECFP no dia 18 de dezembro.

E entre os nove nem todos discriminam a despesa prevista, uma vez que António Filipe e André Pestana reportam apenas a receita esperada. Deste modo, os restantes sete candidatos estimam gastar um total de 4.523.310 euros, com Luís Marques Mendes, António José Seguro e Henrique Gouveia e Melo a apresentarem os maiores encargos. Somando-se ao bolo total o valor da despesa prevista no orçamento da candidatura de Cotrim Figueiredo, a verba ascenda a 5.023.310 euros.

Luís Marques Mendes é o mais despesista, estimando gastar 1,32 milhões de euros, o mesmo valor que prevê arrecadar em receitas. Segue-se na lista António José Seguro, que orçamentou 1,13 milhões de euros em despesa e 1,49 milhões de euros em receita, e Henrique Gouveia e Melo, cujo orçamento aponta para 1,025 milhões em despesa, valor coberto pela receita esperada.

No ranking e com uma despesa aproximada dos três candidatos, que somados representam quase metade do total do conjunto de presidenciáveis, apresenta-se André Ventura com 900 mil euros, um valor igual para encargos e receitas. Por seu lado, Cotrim Figueiredo prevê gastar 500 mil euros, montante coberto pelas receitas estimadas.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

No extremo oposto, está Manuel João Vieira, com uma despesa prevista de 860 euros, enquanto Jorge Pinto prevê 97 mil euros e Catarina Martins 50,45 mil euros.

A campanha de janeiro candidata-se a ser a de eleições presidenciais em que os candidatos mais investiram, com a última campanha, em 2020, realizada durante a pandemia (com constrangimentos e sem comícios) a contar com uma despesa de 1.005.067 euros, e a de 2016 de 3,36 milhões de euros, de acordo com os orçamentos iniciais entregues pelas campanhas na ECFP.

Embora a comparação direta com campanha de 2016, a última realizada em condições semelhantes à de 2026, requeira o cuidado adicional do efeito da inflação em dez anos, assinala-se que há dez anos Edgar Silva, o candidato apoiado pelo PCP, apresentou o orçamento inicial com a maior despesa prevista: 750 mil euros.

Apesar dos orçamentos previstos, os valores efetivos podem posteriormente variar, com os candidatos a poderem gastar quer mais, quer menos do que o estimado.

(Notícia atualizada às 20h00 com o valor do orçamento da campanha de Cotrim Figueiredo. O ECO teve acesso ao documento através da candidatura do ex-líder liberal depois da publicação da notícia original, sendo que na página da ECFP à data desta atualização continua a indicação que o orçamento não foi entregue)

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