Marcelo despede-se em ano de “vida nova” em que “o povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro”

  • ECO
  • 1 Janeiro 2026

Na sua última mensagem, o PR pede saúde, educação e habitação e menos pobreza. "O povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro", na esperança de "um melhor futuro do que o passado".

Num “ano singular” e em vésperas de presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa apoia-se em Eça de Queiroz na sua mensagem de Ano Novo aos portugueses, num ano novo em se espera “vida nova” e em que “o povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro”.

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Numa longa citação à personagem de Gonçalo, criado por Eça de Queiroz no romance “A Ilustre Casa de Ramires”, há mais de 100 anos, Marcelo Rebelo de Sousa traça um retrato “de cada um de nós, de todos nós, de Portugal”.

O escritor escreve sobre a “franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, os fogachos e entusiasmos que acabam logo em tudo e, juntamente muita persistência, muito aperro quando se fila à sua ideia”, diz. Mas também sobre “a generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos quase pueris, a imaginação que leva sempre a exagerar até à mentira e, ao mesmo tempo, um espírito prático, sempre atento à realidade do tempo, a vivência, a facilidade em compreender, em apanhar, a esperança constante de algum milagre, no velho milagre político que sanará todas as dificuldades, a vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir e uma simplicidade tão grande que dá na rua o braço a um médico”.

“A desconfiança terrível de si mesmo, se o acobarda e o encolhe, até que um dia se decide e aparece um herói, que tudo é raça”, acrescenta. “Sabem vocês quem me lembra Gonçalo? E a resposta é Portugal.”

“Queridos compatriotas, com qualidades e coragem excecionais que de longe superam os defeitos. Assim somos há quase 900 anos. Assim seremos sempre”, afirma o presidente na sua mensagem de Ano Novo.

Em vésperas de eleições presidenciais, agendadas para 18 de janeiro, Marcelo deixa algumas recomendações. Este é um ano que se quer de “de vida nova”, diz, “com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade”, no mundo. “O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal.”

“Ano novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais estima, ainda mais emprego e menor pobreza, e desigualdade”. Mas também com “mais tolerância, mais concordância, mais instinto e intuição, sentido de coesão nacional. Com ideias, soluções e pessoas novas.”

“É essa a natureza e a força da democracia. O povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro. Com a esperança de que seja diferente e melhor do que o passado. Ideias, soluções e pessoas. Essa é também a minha esperança”, diz. “Essa é mais do que esperança a minha certeza. Um melhor futuro do que o passado”.

Uma certeza assente numa “razão decisiva” chamada portugueses. “Esses portugueses, que há quase 900 anos, nascidos ou acolhidos cá dentro e lá fora, fazem todos os dias Portugal”.

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