EUA vão governar Venezuela até transição e petrolíferas americanas gerir a indústria petrolífera
Trump não detalhou os termos em como se irá processar a transição, nem que pessoas serão chamadas a assegurar a governação da Venezuela depois da ação militar que levou à captura de Nicolás Maduro.
Depois do “ataque espetacular” das forças armadas dos EUA à Venezuela, “um assalto como não foi visto desde a Segunda Guerra Mundial”, com a captura de Nicolas Maduro e a sua mulher para serem levados à justiça nos EUA, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos irão governar o país latino-americano até ser encontrada uma solução estável. Mais, as petrolíferas norte-americanas irão reconstruir as infraestruturas e gerir a indústria petrolífera local.
“Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata”, disse Donald Trump, em conferência de imprensa em Mar-a-Largo, na Florida, depois da ação militar na Venezuela. “Não podemos arriscar que alguém tome conta da Venezuela que não tenha em mente os interesses das boas pessoas da Venezuela. Já tivemos décadas disso. Não vamos deixar que isso aconteça”, disse, deixando ainda na sua intervenção o aviso de que figuras políticas e militares na Venezuela enfrentarão o mesmo destino de Nicolas Maduro se não forem justas.
O Presidente americano diz que os EUA “são uma nação mais segura” depois do ataque. “O hemisfério ocidental é um lugar mais seguro” e que, com Maduro fora da Venezuela, os seus habitantes são agora livres.
Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata. Não podemos arriscar que alguém tome conta da Venezuela que não tenha em mente os interesses das boas pessoas da Venezuela. Já tivemos décadas disso. Não vamos deixar que isso aconteça.
Mas o presidente dos Estados Unidos não detalhou os termos em como se irá processar a transição, nem que pessoas serão chamadas a assegurar a governação do país. A Venezuela será governada por um “grupo” de pessoas, americanos em conjunto com venezuelanos, disse apenas, sem detalhar nomes. “Está tudo a ser feito agora. Estamos a designar pessoas. Estamos a conversar com pessoas. E informaremos quem são essas pessoas.”
Fora desse lote estará Corina Machado, líder de oposição venezuelana e Nobel da Paz, que forças militares americanas terão retirado do país em dezembro. “Não tem o apoio [suficiente] dentro do país, não tem respeito dentro do país”, afirmou Donald Trump quando questionado sobre a possibilidade de Maria Corina Machado ficar na liderança do país.
Horas antes da conferência em Mar-a-Largo, a Nobel da Paz, numa publicação na rede social X, já se tinha retirado da corrida, tendo defendido que Edmundo González Urrutia — que correu contra Maduro nas últimas eleições — deveria ser o próximo presidente da Venezuela.
O Presidente dos EUA afirmou também que a vice-presidente da Venezuela se colocou à disposição dos EUA: “Faremos o que for necessário”, terá dito Delcy Rodríguez, que teve uma longa conversa telefónica com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Em quanto tempo será feita essa transição, Donald Trump também não avança detalhes — apenas que gostaria que fosse rápido, mas que a reconstrução das infraestruturas da indústria petrolífera irá demorar tempo —, mas que não receia ter que enviar tropas americanas para o terreno. “Precisamos ter, e tivemos tropas no terreno ontem à noite, em um nível muito alto, na verdade. Não temos medo disso”, disse.
Petrolíferas americanas vão gerir indústria venezuelana
A Operação “Absolute Resolve” [Resolução Absoluta] envolveu mais de 150 aeronaves e foi a “culminação de meses de planeamento”, segundo o general Dan Caine, chairman dos Chefes do Estado-Maior dos EUA, tendo sido justificada como a forma de trazer para a alçada da justiça norte-americana Nicolás Maduro, acusado de narco-terrorismo, entre outros delitos pela Procuradora-Geral.
“Maduro e sua esposa em breve enfrentarão todo o rigor da justiça americana e serão julgados em solo americano”, disse Trump. “Neste momento, eles estão em um navio para Nova Iorque”, disse o presidente dos Estados Unidos, que, horas antes da conferência, tinha partilhado na rede social Truth uma fotografia de Nicolás Maduro algemado a bordo do porta-aviões USS Iwo Jima.
Um aviso à navegação. “Nunca permitirei que terroristas e criminosos atuem impunemente contra os Estados Unidos”, afirmou Trump. “Esta operação extremamente bem-sucedida deve servir de aviso a qualquer pessoa que ameace a soberania americana ou ponha em risco vidas americanas”, acrescentou.
Como todos sabem, o negócio do petróleo na Venezuela tem sido um fracasso, um fracasso total por um longo período. Eles estavam a extrair quase nada em comparação com o que poderiam estar a extrair. Vamos ter as nossas grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, a entrar no país, a investir bilhões de dólares, a reconstruir a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começando a gerar lucro para o país.
Mas sendo a Venezuela detentora de algumas das maiores reservas mundiais de petróleo, o tema petróleo acabou por ser um dos temas que dominaram a conferência de imprensa e o discurso de Trump. Em entrevista à FOX News, logo a seguir ao ataque, o presidente dos EUA já tinha referido que as companhias petrolíferas americanas iriam entrar na Venezuela e assegurar a gestão da indústria, e na conferência de imprensa em Mar-a-Largo confirmou.
“Como todos sabem, o negócio do petróleo na Venezuela tem sido um fracasso, um fracasso total por um longo período. Eles estavam a extrair quase nada em comparação com o que poderiam estar a extrair”, disse. “Vamos ter as nossas grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, a entrar no país, a investir bilhões de dólares, a reconstruir a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começando a gerar lucro para o país”, disse ainda.
E será o petróleo a pagar a operação. “Vamos reconstruir sem gastar dinheiro. As companhias petrolíferas vão entrar, vão investir dinheiro lá. Depois, vamos recuperar o petróleo que, francamente, já deveríamos ter recuperado há muito tempo. Muito dinheiro está saindo do solo. Seremos reembolsados por tudo isso“, garantiu Trump.
E não planeia vedar aos compradores mundiais o acesso ao petróleo venezuelano. “Em termos de outros países que queiram petróleo, estamos no negócio do petróleo, vamos vender-lhes”, disse Trump. Quanto à Rússia, “quando tivermos a coisas resolvidas…”, referiu quando questionado como esta ação militar iria afetar as relações com a China, Rússia ou Irão em termos do petróleo.
“Cuba é algo que acabaremos por falar”
A captura de Maduro é um ‘aviso’, e na conferência o tema Cuba, país com o qual os EUA historicamente não têm boas relações, foi falado. “Cuba não está a ser bom para os cubanos. O sistema não tem sido bom para os cubanos. Cuba é algo que acabaremos por falar. Queremos ajudar as pessoas em Cuba e as que tiveram de fugir de Cuba”, afirmou Donald Trump.
“Cuba é um desastre. É gerida por um homem incompetente e senil. A economia está despedaçada. Se estivesse no Governo em Havana estaria preocupado”, acrescentou o secretário de Estado, Marco Rubio.
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