Petróleo sobe mais de 1,5% após ataque dos EUA à Venezuela
Ouro negro teve uma sessão volátil, com os investidores ainda a avaliarem o potencial impacto da intervenção norte-americana no petróleo venezuelano na produção de crude mundial.
Os preços do petróleo estiveram a valorizar perto de 2% esta segunda-feira, a reagirem à operação norte-americana na Venezuela, depois de Donald Trump ter adiantado que as petrolíferas dos EUA vão entrar no país e recuperar as infraestruturas petrolíferas, investindo “milhares de milhões de dólares“.
O Brent, negociado em Londres e que serve de referência às importações nacionais, subiu 1,66% para 61,76 dólares por barril, enquanto o WTI, transacionado em Nova Iorque, ganhou 1,74% para 58,32 dólares.
A matéria-prima esteve a reagir às notícias em torno da operação na Venezuela. Por um lado, o país tem as maiores reservas de crude, mas, por outro lado, a produção média situou-se em cerca de um milhão de barris por dia no ano passado, o que corresponde a aproximadamente 1% da produção mundial.
A produção petrolífera da Venezuela caiu nas últimas décadas, limitada pelas sanções, bloqueios dos EUA, má gestão e falta de investimento estrangeiro após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000.
Nas suas declarações proferidas no fim de semana, Donald Trump deixou poucas margens para dúvidas sobre quais os interesses dos EUA na Venezuela, com o presidente dos EUA a garantir que Washington vai assumir o controlo das reservas de petróleo venezuelanas e enviar as empresas norte-americanas explorar – e investir – no setor.
“O desconhecido para o mercado petrolífero é a forma como os fluxos de petróleo da Venezuela irão mudar em consequência das ações dos EUA”, afirmaram analistas da Aegis Hedging numa nota, citada pela Reuters.
Os analistas, que estão divididos sobre a evolução dos preços num futuro próximo, acreditam que a retoma da indústria petrolífera na Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, será demorada e cara. Thomas Mucha, estratega geopolítico da Wellington Management, espera que “os preços do petróleo caiam e que o mercado reflita isso mais rapidamente do que o esperado”.
Mas acredita que “qualquer aumento na produção de petróleo da Venezuela” levará “um tempo significativo, dada a situação da infraestrutura do país”. No entanto, refere, “os mercados globais de petróleo estão com excesso de oferta e quem participa do mercado já tem uma visão negativa sobre os preços”.
Também Christian Schulz, economista-chefe, e Alexander Robey, gestor de carteiras da Allianz Global Investors (Allianz GI), alertam que é “improvável que as receitas do petróleo sejam uma solução rápida para as finanças da Venezuela”, salientando que “restaurar a produção em um a dois milhões de barris por dia levará de 5 a 10 anos e até 100 mil milhões de dólares em investimentos”.
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