Portugal vai ser ‘laboratório de campo’ para testar tecnologia de Defesa europeia

Portugal é o segundo país a receber em 2026 o exercício de experimentação operacional (OPEX) da Agência Europeia de Defesa. Inscrições para o exercício anual do Exército Português estão a decorrer.

Portugal vai ser em 2026 um ‘laboratório de campo’ para testar tecnologia de defesa europeia. Em setembro, o Exército Português, em colaboração com a Agência Europeia de Defesa (EDA), realiza no Campo Militar de Santa Margarida o HEDI–OPEX 2026. Depois de Itália, Portugal é o segundo país a acolher este exercício europeu de experimentação operacional de tecnologia, no âmbito do Hub for EU Defence Innovation (HEDI).

Portugal foi escolhido para acolher o HEDI–OPEX 2026 porque a proposta apresentada foi considerada de elevadíssima qualidade e plenamente alinhada com os objetivos da iniciativa da EDA. A integração da campanha no ARTEx26 [o exercício anual do Exército Português] reforça sinergias e assegura um ambiente operacional realista e relevante”, explica fonte oficial do Exército Português ao ECO/eRadar.

“O Campo Militar de Santa Margarida oferece condições únicas para testes de campo, incluindo cenários complexos e eventual tiro real, com elevados padrões de segurança e coordenação. A EDA valorizou também o enquadramento regulatório português, reconhecido como favorável à inovação e experimentação”, reforça a mesma fonte. “O contributo do CEMTEx – Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército, demonstrado no HEDI–OPEX 2025 em Itália, reforçou a confiança na capacidade nacional para acolher a edição de 2026”, acrescenta.

O Campo Militar de Santa Margarida oferece condições únicas para testes de campo, incluindo cenários complexos e eventual tiro real, com elevados padrões de segurança e coordenação. A EDA valorizou também o enquadramento regulatório português, reconhecido como favorável à inovação e experimentação.

Fonte Oficial do Exército Português

O objetivo deste exercício — que este ano decorre em simultâneo com o ARTEx26, o exercício anual do Exército Português — é testar em campo, em cenário realista, diversas tecnologias de defesa, de modo a acelerar a sua passagem de um ambiente de laboratório para a aplicação em contexto militar.

Depois de Itália, Portugal recebe OPEX

A 1.ª edição do OPEX realizou-se no verão em Itália com foco em sistemas autónomos e não tripulados e no tema “Autonomous Systems for Cross-domain Logistics”. Em setembro de 2026, é chegada a vez de Portugal acolher esta campanha europeia de experimentação.

“O número exato de participantes do HEDI–OPEX 2026 ainda não está definido, mas estima-se uma dimensão semelhante à de edições anteriores, combinando participação nacional e europeia”, refere fonte oficial do Exército Português. A primeira edição “envolveu seis empresas europeias, 17 Estados-Membros e cerca de 150 militares e técnicos no terreno, tendo sido conduzidas mais de 330 missões com sistemas não tripulados terrestres e aéreos. Para 2026, é expectável um envolvimento internacional semelhante“, diz.

Quanto ao foco, em termos de tecnologias procuradas e a serem testadas nesta edição, a mesma fonte refere que “as campanhas de experimentação europeia priorizam soluções com aplicação direta em contexto operacional, incluindo sistemas autónomos aéreos e terrestres (UAS/UGS); emprego em logística (reabastecimento, evacuação sanitária) e apoio a operações; reconhecimento e vigilância; experimentação de loitering munitions; interoperabilidade entre sistemas, com foco na integração em cenários operacionais realistas”, elenca.

Candidaturas para o Artex26 abertas

O exercício europeu decorre em simultâneo com o Army Technological Experimentation (ARTEx 26), organizado anualmente pelo Exército Português, através do CEMTEx.

“A iniciativa tem relevância nacional e internacional: contribui para a modernização da Força Terrestre, acelera a aprendizagem operacional (doutrina, treino e integração), potencia a Indústria e Economia da Defesa e aprofunda a ligação entre Forças Armadas, empresas, universidades e centros de I&D, ao mesmo tempo que reforça a interoperabilidade europeia e o contributo de Portugal na inovação de defesa no quadro da UE”, destaca fonte oficial do Exército Português.

O exercício tem inscrições a decorrer até 20 de fevereiro. “O processo de inscrições está aberto a entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, à Base Tecnológica e Industrial de Defesa, a projetos de I&D do Exército (ou com forte envolvimento deste), e à indústria nacional e internacional com protótipos elegíveis”, detalha a mesma fonte. “Em 2025, esta vertente contou com a participação de 31 empresas, referência relevante para 2026“, refere quando questionado sobre expectativas de participação de entidades no ARTEx2026.

O ARTEx “tem relevância nacional e internacional: contribui para a modernização da Força Terrestre, acelera a aprendizagem operacional (doutrina, treino e integração), potencia a Indústria e Economia da Defesa e aprofunda a ligação entre Forças Armadas, empresas, universidades e centros de I&D, ao mesmo tempo que reforça a interoperabilidade europeia e o contributo de Portugal na inovação de defesa no quadro da UE.

Fonte Oficial do Exército Português

“Maturidade tecnológica adequada para ensaios em ambiente operacional”; “relevância militar e aplicabilidade às tarefas previstas”; “interoperabilidade com outros sistemas e integração em cenários combinados”, bem como “disponibilidade para realizar testes inseridos numa operação militar simulada, incluindo ambientes hostis e cenários de combate, assegurando requisitos de segurança e coordenação operacional” são alguns dos critérios de seleção das entidades participantes.

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