Capacidades militares, inteligência, apoio logístico e mais sanções. Quais as garantias de segurança para a Ucrânia?

  • Lusa e ECO
  • 6 Janeiro 2026

Aliados de Kiev estiveram reunidos esta tarde em Paris para discutir os "compromissos vinculativos” tendo em vista garantir a segurança da Ucrânia após um possível cessar-fogo com Moscovo.

As garantias de segurança para a Ucrânia incluirão “compromissos vinculativos” para apoiar o país “no caso de um futuro ataque armado pela Rússia, a fim de restaurar a paz”, podendo incluir “o uso de capacidades militares, inteligência e apoio logístico, iniciativas diplomáticas e a adoção de sanções adicionais“, lê-se na declaração conjunta aprovada esta terça-feira na mais recente cimeira da “Coligação das Vontades”, que junta os aliados de Kiev.

Numa altura em que as atenções estão voltadas para a Venezuela, os aliados da Ucrânia reuniram-se na tarde desta terça-feira, em Paris, numa nova cimeira que juntou um número de participantes sem precedentes. Com os EUA a fazerem-se representar pelos enviados do Presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, em vez do Secretário de Estado, Marco Rubio, estiveram representados na mesa de negociações um total de 35 países.

O objetivo deste novo encontro, conforme anunciou Emmanuel Macron no seu discurso de Ano Novo, era assumir “compromissos concretos” para “proteger a Ucrânia e garantir uma paz justa e duradoura” no país invadido pela Rússia desde fevereiro de 2022.

Numa declaração conjunta, alinhada com os princípios da Carta das Nações Unidas, os participantes sublinharam que a capacidade da Ucrânia para se defender é central para a segurança coletiva do país e da região euro-atlântica. De acordo com o texto, as garantias de segurança deverão ser ativadas assim que entre em vigor um cessar-fogo credível e deverão complementar os acordos bilaterais de segurança já existentes, respeitando os enquadramentos legais e constitucionais de cada Estado.

Entre as medidas acordadas está a participação num mecanismo de monitorização e verificação do cessar-fogo liderado pelos EUA, com envolvimento internacional e representação da Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia numa comissão especial destinada a analisar violações e atribuir responsabilidades.

A Coligação comprometeu-se ainda, com apoio norte-americano, a assegurar assistência militar e fornecimento de armamento, a longo prazo, às Forças Armadas da Ucrânia, incluindo financiamento, acesso a reservas de defesa, apoio técnico e cooperação no orçamento nacional ucraniano.

O plano prevê também a criação de uma força multinacional, composta por países dispostos a participar, para apoiar a reconstrução das forças armadas ucranianas e reforçar a dissuasão, com planeamento militar coordenado para operações no ar, no mar e em terra.

De acordo com a declaração, esta força será liderada pela Europa, com participação de membros não-europeus da Coligação e envolvimento dos Estados Unidos, nomeadamente ao nível dos serviços de informações e da logística, incluindo o compromisso de apoio norte-americano em caso de ataque.

Os signatários assumiram igualmente a intenção de finalizar compromissos vinculativos para apoiar a Ucrânia em caso de um futuro ataque armado da Rússia, admitindo o recurso a capacidades militares, iniciativas diplomáticas e sanções adicionais. Na declaração, fica ainda acordado aprofundar a cooperação de defesa a longo prazo com a Ucrânia, incluindo formação, produção conjunta na indústria de defesa e cooperação em matéria de inteligência.

A declaração anuncia, por fim, a criação de uma célula de coordenação entre os Estados Unidos, a Ucrânia e a Coligação no respetivo quartel-general operacional, em Paris.

 

O Reino Unido e França assinaram ainda uma declaração de intenções para enviar tropas para a Ucrânia e estabelecer centros militares no país caso a paz seja alcançada com a Rússia, segundo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. “Posso afirmar que, após um cessar-fogo, o Reino Unido e a França estabelecerão centros militares em toda a Ucrânia e construirão instalações seguras para armas e equipamento militar em apoio da Ucrânia”, indicou.

A chamada “Força Multinacional para a Ucrânia” atuará como uma força de paz para “reforçar as garantias de segurança e a capacidade da Ucrânia para restaurar a paz e a estabilidade, apoiando a regeneração das forças ucranianas”.

A reunião em Paris foi marcada pela operação militar levada a cabo por Washington em Caracas no fim de semana, que culminou na captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro, e os comentários do Presidente norte-americano sobre uma anexação da Gronelândia (território autónomo da Dinamarca).

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o seu homólogo da Gronelândia, Jens Frederik Nielsen, repreenderam Trump e alertaram para as consequências catastróficas de qualquer tentativa dos Estados Unidos assumir o controlo da ilha ártica, afirmando que isso significaria o fim da NATO.

Vários líderes europeus subscreveram as palavras de Frederiksen e Nielsen, mas a Europa precisa do apoio militar dos EUA para conseguir quaisquer garantias de segurança para a Ucrânia e afastar as ambições de Moscovo de expandir o seu território, o que poderia exigir um delicado equilíbrio diplomático em Paris.

Em concreto, eram cinco as prioridades do encontro dos aliados desta terça-feira: formas de monitorizar um cessar-fogo; apoio às forças armadas ucranianas; envio de uma força multinacional por terra, mar e ar; compromissos no caso de uma nova agressão russa; e cooperação de defesa de longo prazo com a Ucrânia.

(Artigo atualizado pela última vez às 21h25)

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