Suspeito de matar físico português nos EUA planeou ataque durante meses. “Não vou pedir desculpa”

  • Lusa
  • 7 Janeiro 2026

Cláudio Neves Valente gravou uma série de vídeos após os tiroteios, em que admitiu que estava a "planear o ataque à Universidade de Brown há muito tempo”.

O português suspeito de matar dois estudantes da Universidade Brown e um compatriota professor do MIT planeava o ataque há pelo menos seis semestres, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Cláudio Neves Valente, de 48 anos, antigo aluno da Brown e cidadão português, foi encontrado morto num armazém em New Hampshire depois de ter matado dois estudantes e ferido outras nove pessoas num edifício de engenharia, em 13 de dezembro. Dois dias depois, matou o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) Nuno Loureiro na sua casa em Brookline, subúrbio de Boston.

Na terça-feira, as autoridades do Departamento de Justiça adiantaram que, durante a busca no armazém onde o corpo de Neves Valente foi encontrado, o FBI (polícia federal) recuperou um dispositivo eletrónico que continha uma série de vídeos curtos gravados por Neves Valente após os tiroteios.

Nas gravações, o atirador admite em português que estava a “planear o ataque à Universidade de Brown há muito tempo”, segundo um comunicado de imprensa da Justiça norte-americana. Neves não apresentou uma razão para ter atacado Brown ou o professor do MIT, com quem estudou em Portugal há décadas.

Segundo as autoridades norte-americanas, o português disse que não sentia que tivesse nada por que pedir desculpa e que queria “sair por conta própria”. Nos vídeos, queixou-se ainda de ter ferido o olho durante os disparos. “Não vou pedir desculpa porque, durante toda a minha vida, ninguém pediu desculpas sinceras comigo”, frisou, segundo a Justiça norte-americana.

Cláudio Neves Valente foi monitor do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, onde foi colega de curso de Nuno Loureiro, tendo a instituição rescindido o contrato no ano em que foi estudar para os Estados Unidos.

Em fevereiro de 2000, o Técnico rescindiu o contrato que tinha com Cláudio Neves Valente como monitor, conforme consta num despacho publicado em março desse ano no Diário da República.

Suspeito e vítima foram colegas de curso no IST, indicou a instituição, que confirmou em dezembro ter sido contactada pelas autoridades norte-americanas na sequência das investigações do homicídio.

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