Portugal no pódio dos “grinches” da Ryanair com 307 voos atrasados na época festiva
Dados divulgados pela companhia irlandesa revelam que os constrangimentos devido a falta de pessoal no controlo de tráfego aéreo atrasaram mais de 3.200 voos na Europa entre 22 e 31 de dezembro.
Portugal registou 307 voos atrasados da Ryanair durante a época natalícia, afetando um total de 55.260 passageiros. Estes números colocam o país no terceiro lugar do pódio dos “grinches” da companhia aérea irlandesa, que atribui os atrasos à falta de pessoal nos serviços de controlo de tráfego aéreo (ATC, na sigla em inglês).
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a transportadora low-cost indica que mais de 3.200 voos e 600.000 passageiros sofreram “atrasos evitáveis causados pelo controlo de tráfego aéreo durante o período de viagens de Natal”, compreendido entre os dias 22 e 31 de dezembro de 2025.
Embora Portugal surja como o terceiro país mais afetado, Espanha e França tiveram, de longe, o pior desempenho: a primeira com 1.098 voos atrasados e 197.640 passageiros afetados, e a segunda com 999 voos atrasados e 179.820 passageiros afetados, o que equivale, respetivamente, a 34% e 31% do total de atrasos. A Alemanha ocupa o quarto lugar, tendo registado 242 voos atrasados e 43.560 passageiros afetados.
Para a Ryanair, é “inaceitável” este “volume tão excessivo de atrasos causados pelo controlo de tráfego aéreo num dos períodos de viagens mais movimentados”. A companhia aérea liderada por Eddie Wilson sublinha o impacto particular destes atrasos nos fins de semana, quando “muitos passageiros viajam com famílias com crianças”.
A transportadora irlandesa reitera o apelo à reforma do controlo de tráfego aéreo da União Europeia (UE). “Ursula von ‘Derlayed-Again’ [trocadilho com o nome da presidente do Executivo comunitário] ignora estes atrasos/cancelamentos do ATC que restringem a liberdade de circulação dos cidadãos da UE simplesmente devido à incapacidade dos prestadores de serviços de ATC de planear o número adequado de pessoal”, acusa a Ryanair.
No mesmo comunicado, a companhia de voos de baixo custo apela ainda aos passageiros para que se mobilizem, convidando-os a visitar a página ‘Air Traffic Control Ruined Your Flight’ e a exigir “medidas urgentes para reformar os serviços de ATC deficientes da UE, a fim de minimizar os atrasos para os cidadãos europeus”.
Citado na mesma nota, o CEO da Ryanair defende que “os passageiros deveriam poder viajar pela Europa sem sofrer horas de atrasos e cancelamentos desnecessários”. “Quando é que Ursula von ‘Derlayed-Again’ e a Comissão Europeia vão parar de cruzar os braços e implementar uma verdadeira reforma no controlo do tráfego aéreo?“, questiona Eddie Wilson.
Tribunal alemão multa Ryanair por violar ordem judicial
Por outro lado, o Tribunal Regional de Hamburgo, na Alemanha, multou a Ryanair por ter violado uma ordem judicial obtida pela eDreams ODIGEO (eDO) em maio do ano passado, considerando que a companhia aérea irlandesa agiu com “culpa” ao manter no seu website cláusulas proibidas após ter sido ordenada a removê-las.
Rejeitando como infundada a defesa da Ryanair de que esse atraso estava “fora do seu controlo”, o tribunal alemão sublinhou que, enquanto grande companhia aérea europeia, possui os recursos necessários para cumprir imediatamente as ordens judiciais, mas optou por não o fazer. A Ryanair continua a violar esta ordem até hoje.
Esta mais recente decisão surge pouco depois de a transportadora de voos low-cost ter sido alvo de sanções recorde noutras jurisdições, incluindo uma coima de 256 milhões de euros em Itália por abuso de posição dominante e uma coima de 108 milhões de euros em Espanha por graves violações dos direitos dos consumidores. A par de condenações anteriores em França por violação da regulamentação europeia sobre direitos dos passageiros, entre outras.
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