Governo trava novas construções perto do futuro aeroporto de Lisboa
O Conselho de Ministros aprovou medidas para impedir intervenções urbanísticas na área do futuro aeroporto Luís Vaz de Camões que venham a encarecer o processo de expropriações.
O Governo aprovou esta sexta-feira medidas preventivas para impedir a construção de projetos urbanísticos na área de implantação do futuro Aeroporto Luís de Camões, no Campo de Tiro de Alcochete.
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“Hoje demos um passo decisivo para garantir que não há perturbações no desenvolvimento da obra, com a aprovação das medidas preventivas sobre o território que impedem, nas áreas adjacentes à localização do Aeroporto Luís de Camões, a realização de intervenções urbanísticas que afetem a implantação do mesmo”, afirmou o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, durante o briefing após a reunião do Conselho de Ministros.
A adoção destas medidas já estava prevista há vários meses. Na nota explicativa do Ministério das Infraestruturas sobre o Orçamento do Estado para 2026, apresentado em outubro, já se indicava que estava em preparação um “processo de estabelecimento de medidas preventivas ao desenvolvimento urbanístico nos terrenos circundantes”, conforme noticiou o Público.
As medidas visariam “evitar a ocorrência de alterações ao uso do solo que possam comprometer ou tornar mais onerosa a instalação do novo aeroporto, em relação àquilo que atualmente se perspetiva”.
Não foi indicada no briefing a área que será afetada pelas medidas preventivas, mas o Relatório Inicial entregue pela ANA ao Governo indica que o novo aeroporto abrange uma área de quase 2.500 hectares no local do Campo de Tiro de Alcochete, abrangendo os concelhos do Montijo e Benavente.

O documento refere que no projeto original de 2009, a única parcela de terreno a expropriar para o perímetro aeroportuário era o ‘triângulo norte’ do Campo de Tiro de Alcochete, pertencente à Herdade de Vale Cobrão, com uma área de cerca de 490 hectares, que inclui “cerca de 38 hectares de um central fotovoltaica construída nos últimos anos”.
O projeto proposto pela ANA, com o desenvolvimento de até quatro pistas, também obriga a expropriações do lado sul. A concessionária observa que “pistas mais curtas poderão reduzir a necessidade de expropriações”.
Assinala ainda que as previsões de tráfego atualizadas, tal como os desenvolvimentos propostos, “sugerem que não será necessária qualquer pista adicional para além do sistema inicial de 2 pistas antes do horizonte da atual concessão. Considera, por isso, que “a necessidade de expropriações imediatas para a aquisição dos terrenos necessários ao desenvolvimento das pistas 3 e 4 deverá ser discutida entre as partes, uma vez que não é habitual iniciar procedimentos de expropriação preventiva sem uma perspetiva sólida de concretização num prazo razoável”.
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