Hoje nas notícias: crédito às empresas, garantia pública e caso EDP

  • ECO
  • 9 Janeiro 2026

Dos jornais aos sites, passando pelas rádios e televisões, leia as notícias que vão marcar o dia.

As empresas portuguesas registaram, nos últimos meses de 2025, valores de depósitos superiores aos créditos, atingindo em novembro níveis recorde. No Norte, a escolha da presidência da CCDR local está a gerar discussão entre PS e PSD. O BCP prepara-se ainda para pedir ao Governo um aumento da quota que lhe foi atribuída no âmbito da garantia pública para crédito à habitação a jovens. O Ministério Público voltou a falhar a entrega de provas para instrução no caso EDP. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, recusa-se a pedir a demissão do cargo, depois de mais três mortes nos últimos dias relacionadas com atrasos do INEM.

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Depósitos das empresas já superam créditos dos bancos

As empresas portuguesas estão hoje numa posição financeira inédita nas últimas décadas: pela primeira vez desde 1979 o dinheiro guardado em depósitos bancários é superior ao montante de crédito em vigor. Esta inversão histórica ocorreu em outubro e voltou a verificar-se em novembro, mês em que os depósitos atingiram um novo máximo absoluto de 74,66 mil milhões de euros, refletindo um forte reforço da liquidez empresarial. Já o crédito às empresas segue uma trajetória bem diferente. O valor atual está muito abaixo do recorde alcançado em novembro de 2010, de 118,86 mil milhões de euros, e acumula desde então uma redução superior a 30%, apesar da recuperação observada durante a pandemia. Ainda assim, face ao final de 2019, os empréstimos cresceram 10,3%, enquanto os depósitos dispararam 65,6%, passando de 45 para 74 mil milhões de euros.

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Rebelião de autarcas socialistas do Norte contraria o acordo para liderar regiões

A escolha do próximo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, que estaria acordada à partida por PS e PSD, entrou numa zona de incerteza. Apesar de Álvaro Santos contar com o apoio formal dos dois maiores partidos do poder local, cresce entre autarcas, sobretudo socialistas, a intenção de votar no atual presidente, António Cunha, colocando em causa a previsível maioria para o candidato indicado pelo PSD. No interior do próprio PSD já se admite o risco de uma “rebelião” no PS, embora a direção nacional socialista assegure que o acordo será cumprido. O Norte é a única região do país onde há dois candidatos à liderança da CCDR, e o apoio a António Cunha é explicado pela relação próxima que construiu com muitos autarcas, em particular através da gestão dos fundos comunitários e da sua ligação académica à região. Dirigentes socialistas admitem que vários eleitos não se sentem vinculados ao entendimento nacional e pretendem votar de forma autónoma. Ainda assim, o PS garante que não dará apoio político a António Cunha e reafirma que sustentará a candidatura de Álvaro Santos, sublinhando que o pacto com o PSD implica precisamente não apresentar um candidato próprio.

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BCP vai pedir reforço da garantia pública, mas só há 100 milhões

O BCP prepara-se para solicitar ao Governo um aumento da quota que lhe foi atribuída no âmbito da garantia pública para crédito à habitação a jovens, depois de se aproximar do limite inicialmente definido. A direção do banco não revelou ainda nem o valor nem o calendário do reforço, mas confirma que o pedido será feito “oportunamente”, face à elevada procura registada desde o lançamento da medida, há cerca de um ano. O Millennium indica que a utilização da garantia deve estar próxima do teto de 185,4 milhões de euros que lhe foi inicialmente destinado pelo Ministério das Finanças. No final de outubro, o BCP já tinha esgotado 44% da sua quota, correspondendo, segundo estimativas, a um volume de crédito de cerca de 538 milhões de euros. A medida do Governo conta com uma dotação inicial de mil milhões de euros, reforçada depois com mais 550 milhões, elevando o total disponível para 1.550 milhões de euros, pelo que qualquer ampliação da quota exigirá uma atualização do envelope financeiro global.

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Caso EDP. Ministério Público falha entrega de provas para instrução

Mais de um ano após a dedução da acusação no caso EDP, a defesa dos arguidos continua sem acesso integral às provas necessárias para avançar para a fase de instrução. Um despacho do DCIAP, datado de 12 de dezembro de 2025, frustrou as expectativas dos advogados, ao autorizar apenas a entrega parcial da documentação solicitada. Segundo o Ministério Público, a restante prova “será objeto de apreciação em breve”, sem que seja indicada qualquer data para a sua disponibilização. O processo, que envolve antigos administradores da EDP, como António Mexia e João Manso Neto, acusados de corrupção relacionada com alegados benefícios concedidos ao ex-ministro Manuel Pinho, arrasta-se desde 2012 e ficou marcado por sucessivos atrasos e incidentes processuais. Entre eles destaca-se a anulação, pelo Supremo Tribunal de Justiça, de milhares de e-mails apreendidos sem autorização judicial, erro que fragilizou a investigação. A acusação, com mais de mil páginas e dezenas de volumes e apensos, estima prejuízos de milhares de milhões de euros para o Estado e os consumidores, estando precisamente o acesso a esses apensos — pen drives, documentação bancária, buscas e correspondência — no centro do novo impasse entre o MP e as defesas.

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Ministra da Saúde: “Não pedi nem pedirei para sair”

Depois de novas mortes associadas a atrasos no socorro médico voltarem a colocar o Ministério da Saúde sob forte pressão política, Ana Paula Martins rejeita qualquer cenário de demissão. Em resposta rápida aos rumores que circularam após o primeiro de três óbitos registados em apenas 24 horas, a ministra assegura que nunca pediu para sair do Governo e que só deixará funções por decisão do primeiro-ministro. A governante sublinha que não tenciona abandonar o cargo, apesar do agravamento da polémica com a divulgação de mais um caso na mesma semana.

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