Segurança e Defesa pesam 13% no total investido em I&D
Para além do setor da Segurança e Defesa já pesar 13% no total investido em I&D, existem cada vez mais diplomados nestas áreas, indicam os dados da ANI.
Num mundo conturbado, a Segurança e a Defesa assumem um papel principal e Portugal quer ganhar terreno. Estas duas áreas pesam 13% da despesa total em investigação e desenvolvimento (I&D), mostra o “Relatório Nacional de Inovação 2024”, da Agência para a Investigação e Inovação (ANI).
Entre 2020 e 2023, a despesa total em I&D aumentou 40%, passando de 3,2 mil milhões de euros para 4,5 mil milhões de euros, o que corresponde a 1,7% do PIB. A despesa especificamente associada às entidades da Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID) e organizações do Ministério da Defesa registou uma evolução de 29% no período 2020-2023, segundo o último relatório da ANI.
No período em análise, a despesa especificamente associada às empresas que compõe a BTID e organizações do Ministério da Defesa evoluiu de 375,3 milhões de euros para os 485,2 milhões de euros, mantendo uma representatividade estável, entre os 12 e os 13% da despesa total em I&D, mostra o relatório da ANI, agora sob a tutela dos ministros da Educação, da Economia e ainda das Finanças.
Desagregando a evolução da despesa por tipo de entidades, a despesa em I&D por parte das empresas que compõem a BTID variou de 148,8 milhões para 225,7 milhões de euros (52%) enquanto a despesa referente à Academia, Centros de Investigação, Laboratório de Estado e Entidades do Ministério da Defesa Nacional variou de 226,4 milhões para 259,4 milhões (15%), lê-se no relatório da ANI.
O estudo mostra que a proporção das despesas realizadas pelas entidades BTID e organizações do Ministério da Defesa em I&D pelo objetivo socioeconómico Defesa, desceram de 76% em 2020 para 71% em 2023.

Em relação à despesa em I&D de 2023, desagregada por área de I&D, as entidades com atuação na área da Defesa têm quase dois terços (63%) da atividade focada em cinco áreas de I&D: engenharia eletrotécnica, eletrónica e informática (34,4%); engenharia mecânica (10,7%); ciências da computação e ciências da informação (8,5%), engenharia dos materiais (5%) e nanotecnologia (4,4%).

A estrutura da despesa por tipo de I&D é ligeiramente diferente entre as entidades BTID e Ministério da Defesa e o total nacional. As despesas associadas a entidades com atividade em Defesa têm uma maior intensidade em Investigação aplicada (50%), enquanto na média nacional há maior investimento em desenvolvimento experimental (44%).
Relativamente aos pedidos de invenções nacionais, as entidades da BTID e organizações do Ministério da Defesa tiveram um total de 75 pedidos em 2023 e 64 pedidos em 2024 com, pelo menos, um requerente (como primeiro, segundo, terceiro requerente).
Nestas organizações destacam-se a Altice Labs (25); Instituto Superior Técnico (25) e INESC TEC – Instituto de Engenharia e Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (16); Instituto de Telecomunicações (13) e Universidade da Beira Interior (10).
As entidades da Base Tecnológica e Industrial de Defesa apresentaram um aumento de 12% nos recursos humanos em atividades de I&D, no período 2020-2023 (de 8.855 para 9.916 ETI), sendo esta evolução também menor em comparação com a do total dos recursos humanos em I&D no país (20%).
Desagregando novamente a evolução por tipo de entidades de Base Tecnológica e Industrial de Defesa e organizações do Ministério da Defesa Nacional, verifica-se um crescimento de Equivalente a Tempo Integral (ETI) mais acentuado nas empresas (27%) do que nas restantes Instituições (5%).
O relatório mostra que os resultados associados a entidades com atividade na área da Defesa apresentam um crescimento menos expressivo do que no total nacional, onde se verificou uma variação de 20% nos recursos humanos em I&D no período, explicado por um crescimento de 35% nas empresas e de 8% nas restantes Instituições.
Em termos de recursos humanos afetos à investigação, o número de efetivos ETI cresceu 20% entre 2020 e 2023, com uma evolução de 14,8% nas entidades da BTID, que também representam 7% do total nacional. As áreas mais expressivas são a engenharia, ciências exatas e tecnologias.
Mais diplomados na áreas da segurança e defesa
Ao nível da educação, registou-se um aumento global de 11% no número de diplomados do Ensino Superior entre 2019/20 e 2022/23, mostra o Relatório Nacional de Inovação 2024. O crescimento no número de novos diplomados em áreas ligadas à Proteção, Segurança e Defesa, foi muito superior (77,4%), ultrapassando os 600 diplomados a partir de 2021/2022.
O número de inscritos no ensino superior em cursos das áreas da proteção de pessoas e bens e da Segurança Militar e Defesa teve uma evolução de 8% entre os anos letivos 2020/2021 e 2023/2024, registando-se uma variação mais acentuada nas mulheres (9%).
No entanto, os inscritos no ensino superior nestas áreas representaram cerca de 0,5% do total dos inscritos em todo o Ensino Superior nos anos letivos 2020/2021 e 2023/2024. Apesar de a evolução ter sido superior nos inscritos do sexo feminino, os homens continuam a representar a maior fatia de alunos inscritos nestas áreas (81%).
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
Segurança e Defesa pesam 13% no total investido em I&D
{{ noCommentsLabel }}