Guimarães inaugura Capital Verde. BEI assegura um milhão para mobilidade

Inauguração da Capital Verde Europeia 2026 inclui assinatura do apoio do BEI à Câmara de Guimarães para o plano de mobilidade urbana. Metrobus vai acelerar este ano, promete o presidente da Câmara.

Parque da Cidade de GuimarãesRicardo Castelo/ECO

A Câmara Municipal de Guimarães assinou nesta sexta-feira um protocolo com o Banco Europeu de Investimento (BEI) para apoio financeiro de 600 mil euros para elaboração de um plano de mobilidade urbana sustentável no concelho e para um novo passo no projeto do metrobus (Bus Rapid Transit). O montante empregue nos estudos sobre mobilidade irá subir ao longo dos próximos dois anos, até um valor na ordem do milhão de euros, coberto igualmente por verbas do BEI.

Ricardo Araújo, presidente da Câmara de Guimarães, diz ao ECO/Local Online que esta dimensão da mobilidade é um dos pilares da Capital Verde Europeia, que nesta sexta-feira tem o seu lançamento na “cidade berço”.

“Ser Capital Verde Europeia não significa que nós já sejamos o exemplo hoje. Não sou capaz de dizer que Guimarães é o melhor exemplo de despoluição e de gestão da água na Europa, mas tem que ser, tem que ter essa ambição”, insta o autarca. “Determinação política” e “consciencialização” são elementos-chave, diz.

A Capital Verde Europeia em Guimarães deve, essencialmente, deixar um compromisso político do concelho. Não só dos líderes políticos, mas da comunidade.

Ricardo Araújo

Presidente da Câmara Municipal de Guimarães

As nossas indústrias têm que perceber, têm que assumir” o compromisso, afirma o autarca, exemplificando com a água e os resíduos. “Guimarães tem que trilhar o caminho para que a gestão da água, seja ao nível da despoluição dos seus rios, seja na utilização da água, possa vir a ser um exemplo no futuro”.

O social-democrata que ganhou a autarquia após 36 anos de liderança socialista mantém o objetivo do antecessor de levar a cidade até à neutralidade carbónica em 2030, e a inauguração da Capital Verde Europeia 2026 marca o acelerar do passo. Depois de Lisboa, em 2020, a cidade minhota é a segunda em Portugal a merecer esta distinção.

“A Capital Verde Europeia em Guimarães deve essencialmente deixar um compromisso político do concelho. Não só dos líderes políticos, mas da comunidade”, salienta Ricardo Araújo, presidente da autarquia.

Eleito a 12 de outubro, recebeu o legado deste evento e destaca que “mais do que deixar um edifício, uma obra, um parque ou uma árvore” para o futuro, o evento, com ações a decorrer ao longo de 2026, “tem que servir para consubstanciar de forma clara na comunidade esta vontade de que Guimarães quer construir o seu futuro de cidade de referência de qualidade de vida na Europa”.

Ser Capital Verde Europeia não significa que nós já sejamos o exemplo hoje. Não sou capaz de dizer que Guimarães é o melhor exemplo de despoluição e de gestão da água na Europa, mas tem que ser, tem que ter essa ambição.

Ricardo Araújo

Presidente da Câmara Municipal de Guimarães

Para tal, diz o autarca, a sustentabilidade ambiental tem de ser assumida “na economia, na indústria, na vida, na habitação, na organização do espaço público” e ainda na mobilidade. “Espero iniciar o ano 2027 com transportes públicos gratuitos em Guimarães. Espero chegar em 2027 e estar em condições de ter um metrobus numa fase já bem mais avançada do que a que está hoje”.

No retrato que faz de Guimarães, a Comissão Europeia (CE), responsável pela atribuição do selo de Capital Verde, destaca a nomeação da cidade por três anos consecutivos como a mais sustentável do país, a designação de património da UNESCO há 25 anos e o centro histórico preservado, a realização da Capital Europeia da Cultura em 2012 e da Cidade Europeia do Desporto em 2013 e, especificamente no ambiente, a qualidade do ar “boa” e “muito boa” para 97% da população.

Entre os programas em curso, a CE salienta o Pegadas, dedicado à sensibilização e educação ambiental.

“Espero iniciar o ano 2027 com transportes públicos gratuitos em Guimarães e estar em condições de ter o metrobus numa fase já bem mais avançada do que a que está hoje”, diz Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de GuimarãesRicardo Castelo/ECO

Alcançada no final de 2024 em Valência (à data a detentora do título), a distinção como Capital Verde Europeia foi tentada em 2017 e em 2023, ano em que Vilnius, na Lituânia, conquistou o direito a ser a capital verde de 2025. Há 14 meses, Guimarães bateu Heilbronn (Alemanha) e Klagenfurt (Áustria).

O concelho minhoto mereceu destaque em sete parâmetros: qualidade do ar; ruído; água; biodiversidade, áreas verdes e uso do solo; resíduos e economia circular; mitigação e adaptação no capítulo de alterações climáticas.

O programa do evento incluirá a vinda de representantes de 200 cidades europeias em abril, para a conferência Energy Cities Annual Forum, que já em 2012 tinha decorrido nesta cidade.

nesta sexta-feira, a partir das 10 horas, no Teatro Jordão, reúnem-se autarcas e representantes de instituições europeias. Ricardo Araújo estará ao lado do diretor-geral adjunto da Direção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia, Patrick Child, e da comissária europeia do Ambiente, Jessika Roswall.

No final do dia, a partir das 21 horas, decorrerá a cerimónia oficial de abertura da Capital Verde Europeia, no Multiusos de Guimarães, com o espetáculo “Raízes do Futuro”. Apresentado por Vasco Palmeirim e Catarina Furtado, contará com as atuações de Gisela João e Sofia Escobar, num total de mais de 170 participantes, entre bailarinos, músicos e coletivos locais.

Notícia atualizada às 14h15 com indicação do valor do financiamento do BEI

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