30 anos de Portugal Fashion. “As ações de internacionalização têm de ter um efeito de arrastamento para todo o ecossistema”
Mónica Neto, diretora do Portugal Fashion, explica ao ECO o que a plataforma de exportação da moda nacional está a fazer. E como a sustentabilidade está ligada ao saber-fazer português.
“Quando começámos no mercado de Milão diziam que seria impossível e hoje conseguimos estar lado a lado com nomes italianos e internacionais”. As palavras de Mónica Neto, diretora do Portugal Fashion, ao ECO, antecipavam um momento importante no calendário do Portugal Fashion.
Esta segunda-feira, os portugueses David Catalán e Miguel Vieira mostraram-se durante a semana da moda masculina italiana, horas antes de Giorgio Armani. Um cenário improvável quando a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) criou o Portugal Fashion.
Foi há 30 anos e em 27 deles o Portugal Fashion levou a cabo ações de internacionalização. Hoje, Milão é ‘apenas’ um momento num calendário internacional que, só este ano, passa também por Paris e, pela primeira vez, Copenhaga. “Desde 1999 que começámos a representar designers portugueses em semanas de moda internacionais”, explica Mónica Neto. “Paris é onde nunca houve pausas. É realmente ‘a’ fashion week. Quando se tem de selecionar, promovendo moda, Paris é clássico”.
“O que fomos fazendo foi ganhando relevância noutros mercados”, diz Mónica Neto, acrescentando: “O verdadeiro reconhecimento começa lá fora. Sentimos um grande respeito pelas marcas representadas e por sermos uma bandeira do que o ecossistema representa. Estas ações de internacionalização têm de ter capacidade e efeito de arrastamento para todo o ecossistema”. O retorno internacional é uma alavanca para passos mais ambiciosos e para o alargamento de mercados.
“Fomos participando em desfiles e showcases e, de repente, neste último projeto, inaugurado em outubro, tivemos a coragem de fazer um showroom no Marais”, diz Mónica Neto, revisitando a história do Portugal Fashion.
“Isso também mostra a ambição e a capacidade de reconhecimento do setor. Já reconhecem a marca como porta de entrada para um mercado que tem mais do que um sistema produtivo. Tem um saber-fazer que está a ser reconhecido”, considera. No final de janeiro, voltam a apresentar-se no mesmo bairro do Marais. A curadoria será, mais uma vez, da ModaLisboa.
O que se passa em Copenhaga?
A escolha de Copenhaga como ponto de paragem para o Portugal Fashion não é difícil e, sublinha Mónica Neto, tem muito que ver com Portugal. “É uma semana que representa um case study nos últimos anos. Uma semana da moda centrada na sustentabilidade que tem a atenção de todo o globo. O que o Portugal Fashion gostaria de acrescentar é que há uma nova geração de criativos que está a conseguir, do outro lado da sustentabilidade, a responsabilidade de preservação identitária e do saber-fazer”, refere.
A semana da moda de Copenhaga tornou-se um caso sério de visibilidade nas redes sociais nos últimos anos. “Identificamo-nos muito com esta forma de estar”, começa por dizer. “Acreditamos que aquilo que temos vindo a criar em termos de comunidade pode fazer um match muito interessante”.
A sustentabilidade deve ser entendida de forma ampla. “Sustentabilidade também é pegar num país com capacidade industrial e artesanal que pode ter impacto com uma mensagem muito diferenciada”. A diretora do Portugal Fashion acredita que “essa valorização, num país com tradição artesanal e saber-fazer, coloca Portugal num novo lugar de visibilidade.
Que nomes poderiam fazer sentido em Copenhaga? “A nossa aposta passava por um conceito de imersão: termos uma curadoria que fala sobre o ecossistema de criatividade portuguesa”, diz Mónica Neto. A curadoria foi entregue a Marques’Almeida (Marta Marques e Paulo Almeida), cuja base está em Londres. “É um dos nomes que a semana de moda via com bons olhos”. O resultado poderá ser visto no dia 29 de janeiro.
Antes de Copenhaga, Paris

Já esta semana (começando a 22 de janeiro e terminando no dia 26) acontece o showroom em Paris. Não faz parte dos calendários e entra numa dinâmica particularmente intensa que acontece em Paris nesta altura – muitas galerias tornam-se showrooms nesta altura. “Para muitos, a solução é participar em showrooms coletivos. Aqui, em termos de plano de ação, pensámos ‘por que não sermos um showroom próprio, onde chamamos os compradores?’ Uma marca própria e uma capacidade promocional própria”, diz Mónica Neto.
Este ano, o Portugal Fashion vai estar “a dois níveis” em Paris. Além do showroom, a marca portuguesa Ernest W. Baker, da portuguesa Inês Amorim e do norte-americano Reid Baker, fará o seu primeiro desfile no calendário oficia.
“É uma marca emergente que vem estando em Paris, está a fazer o caminho para o calendário principal. Às vezes, para surpresa dos próprios, encontram as suas roupas nas melhores lojas. Surpreendem-se com a presença orgânica que têm tido. Estão completamente internacionalizados”.
A Ernest W Baker é um caso curioso, como explica Mónica Neto. “Apareceram primeiro com sucesso comercial nas lojas”. São muito populares na Coreia do Sul e já viram o cantor Harry Styles usar as suas luvas e um casaco feito à mão por uma artesã de Gaia.
Pharrell Williams, diretor criativo da Louis Vuitton, veste as suas peças. E hoje trabalham com 16 fábricas, com uma profissionalização muito interessante e uma seleção de lojas e buyers muito relevante. Não começaram por trabalhar desfiles. São uma marca com uma imagem muito distinta. Para nós, tem sido bastante interessante trabalhar”.
O projeto de internacionalização do Portugal Fashion é financiado pelo Compete 2030. “O que fazemos em Portugal tem sempre uma visão global. Sabemos que o nosso mercado é pequeno, mas global. Tem um sentido muito estratégico e foi por isso que convertemos as edições numa só, o Portugal Fashion Experience a meio do ano, no Porto”.
“Este é um investimento muito estratégico”, defende a diretora do Portugal Fashion. “Ao longo dos anos, o que fomos identificando é que todos os designers e marcas tinham um crescimento muito acentuado”.
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