ICER prevê que o acordo UE-Mercosul gere até 25.000 novos empregos e acelere a transformação produtiva de Espanha
Indica que beneficiará a indústria exportadora e os serviços avançados, enquanto o setor agroalimentar poderá sofrer sofrer ajustes localizados e progressivos.
O Instituto de Ciências do Emprego e das Relações Laborais (ICER) estima que o Acordo de Associação entre a União Europeia e o Mercosul é um dos marcos mais importantes da política comercial recente para o nosso país.
De acordo com as suas análises preliminares, a capacidade transformadora do tratado terá um impacto significativo no mercado de trabalho, com uma previsão de criação de 20 000 a 25 000 novos empregos, uma vez que todo o seu potencial seja desenvolvido.
O instituto salienta que este marco não deve ser analisado apenas sob o ponto de vista comercial ou tarifário, mas como um fator de transformação produtiva, uma vez que a Espanha tem diante de si a oportunidade de reconfigurar a sua procura de emprego para funções de maior valor acrescentado, consolidando um mercado de trabalho mais robusto e melhor conectado com a economia global.
Para o secretário-geral do ICER, Alejandro Costanzo, o saldo de novos empregos consolidar-se-á «de forma progressiva a médio e longo prazo. Isto exige-nos uma análise e um plano de ação eficaz para aproveitar esta oportunidade». Os empregos seriam criados, estima o instituto, principalmente na indústria manufatureira exportadora e nos serviços avançados, que abrangem desde a indústria química e a maquinaria até à oferta de internacionalização empresarial.
Embora o impacto no mercado de trabalho possa ser entre moderado e alto, o ICER adverte que esta análise deve ser interpretada com cautela, uma vez que coexiste com assimetrias que não podem ser ignoradas. Determinados segmentos da agricultura, da pecuária extensiva e das atividades agroalimentares intensivas em mão de obra pouco qualificada podem enfrentar ajustes localizados. Embora o Acordo contemple mecanismos de salvaguarda para mitigar esses efeitos, o ICER insiste na necessidade de atenção específica para esses territórios.
ANTECIPAÇÃO
Para capitalizar o potencial transformador do acordo, o ICER recomenda a implementação de políticas ativas de emprego e formação alinhadas com as exigências reais deste novo cenário comercial. Entre as ações prioritárias, o Instituto aponta a necessidade de reforçar a capacitação em comércio exterior e logística, facilitar a transição dos perfis profissionais nos setores afetados por ajustes e promover a colaboração público-privada para orientar as PME no seu salto internacional.
“O acordo atuará como um acelerador das necessidades de capital humano especializado e aumentará a dificuldade das operações internacionais, o que obrigará as empresas a ter equipas com conhecimentos consolidados em relações internacionais e comércio transfronteiriço. Esses perfis serão muito procurados, portanto, é fundamental que as empresas adaptem e especializem perfis o mais rápido possível”, destaca Costanzo.
Nesta linha, o ICER apresentará nos próximos dias um relatório completo que analisará detalhadamente o impacto do Acordo. O documento oferecerá uma análise específica por setores, perfis profissionais e territórios, fornecendo evidências empíricas e propostas concretas para maximizar os benefícios económicos e sociais desta aliança estratégica.
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