Quem tirou votos a quem e outros 5 gráficos para ler os resultados das presidenciais
Quem conseguiu entrar no eleitorado natural dos adversários? A direita conseguiu uma 'maioria absoluta'? Veja os gráficos.
Uma comparação com os resultados das legislativas permite perceber onde foram buscar votos os candidatos que surpreenderam no domingo. Seguro pintou o mapa de cor-de-rosa e parte em vantagem nas sondagens para a segunda volta.
As eleições presidenciais não são legislativas e os candidatos não representam os partidos, mas a maioria são apoiados por estes e procuraram conquistar, pelo menos, o respetivo eleitorado. Houve quem conseguisse ir buscar eleitores a outras forças políticas.
O caso mais expressivo é o de Cotrim de Figueiredo, que teve mais 167% de votos que a Iniciativa Liberal nas legislativas do ano passado, apesar de menos 551 mil eleitores terem participado nestas presidenciais em comparação com as eleições para a Assembleia da República.
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O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal foi certamente buscar eleitorado a Luís Marques Mendes, que teve menos de um terço dos votos conseguidos pela AD no ano passado, uma diferença superior a 1,3 milhões de votos. Tal como o Almirante Gouveia e Melo, que conseguiu 695 mil votos.
E o mesmo pode ter acontecido com António José Seguro, que somou mais 312.698 votos que o PS, mesmo com menos portugueses a irem votar. O candidato socialista deverá ainda ter beneficiado do voto útil à esquerda, já que quer António Filipe quer Jorge Pinto ficaram muito longe do resultado averbado em 2025 por PCP e Livre, respetivamente.
Já André Ventura mostrou ter fidelizado o seu eleitorado, conseguindo uma percentagem e número de votos próximo do registado em 2025.
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Os números mostram também que, apesar do resultado de Seguro, a direita continua a conquistar bastante mais eleitorado do que a esquerda. Os votos de André Ventura, Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes somam 50,8%. Os de Seguro, Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto somam 35,5%.
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Com os seus 31,11%, Seguro pintou o mapa de Portugal de cor-de-rosa. Venceu em 18 dos 20 distritos e em quase três quartos dos concelhos. André Ventura, que passou à segunda volta com 23,52%, conseguiu vencer em Faro e na Madeira. No conjunto do país, ganhou em 80 concelhos, alguns deles no norte do país e no Alentejo. Marques Mendes foi o mais votado em três municípios: Boticas, Fafe e Sernancelhe.
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As sondagens divulgadas na última semana de campanha que comparam o candidato apoiado pelo PS com o líder do Chega dão vantagem ao primeiro. Na sondagem da Universidade Católica para o Público, RTP e Antena 1 divulgada a 13 de janeiro, 55% admitiam votar em Seguro na segunda volta, contra 33% em André Ventura. O inquérito da Aximage para o DN, publicado no dia 15, também dá vantagem ao socialista, com 49% das intenções de voto, mais 20 pontos percentuais que o candidato apoiado pelo Chega.
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Resta saber como este duelo se vai refletir na participação. A abstenção teve uma diminuição considerável na primeira volta das eleições, caindo de 60,8% para 47,65%, apesar de haver mais 152,6 mil inscritos. Foram as presidenciais mais participadas desde 2006, quando Cavaco Silva foi eleito para o primeiro mandato.
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