Tarifas. Dos aviões às motas, os produtos na mira da resposta de Bruxelas ao novo ataque de Trump
Donald Trump ameaça cobrar taxas sobre europeus que se oponham ao controlo da Gronelândia. Um anúncio que levou Bruxelas a delinear um plano retaliatório sobre importações de 93 mil milhões.
A determinação de Donald Trump em controlar a Gronelândia trouxe novamente o tema das tarifas para o centro do debate, com o presidente norte-americano a ameaçar com uma sobretaxa de 10% sobre os países europeus que se oponham ao controlo da Gronelândia.
Um anúncio ao qual Bruxelas promete responder com firmeza, estando a ser preparadas contramedidas para responder a Washington, que poderá inclui descongelar o plano de tarifas sobre 93 mil milhões de euros de importações dos EUA. Dos aviões da Boeing, às motas e às calças Levi’s, conheça a lista de produtos incluídos no pacote delineado por Bruxelas.
Depois de uma primeira ameaça no final da semana, Donald Trump ameaçou no sábado vários países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”. Esta sobretaxa, de 10%, entrará em vigor a partir de 1 de fevereiro e poderá subir para 25% em 1 de junho, disse Trump.
O anúncio de Washington foi seguido quase de imediato por uma resposta de Bruxelas, com os embaixadores europeus a convocarem uma reunião de urgência este domingo e o presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, a prometer firmeza, adiantando que está a “coordenar uma resposta conjunta dos Estados-membros da União Europeia sobre este tema”.
Já esta segunda-feira, o ministro da Economia alemão adiantou que os governos europeus estão a preparar contramedidas para responder à ameaça de Trump. Entre as opções referidas por Klingbeil estão o congelamento do acordo aduaneiro entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) ou a entrada em vigor de taxas sobre produtos norte-americanos importados.
A UE chegou a delinear um pacote de tarifas retaliatórias 93 mil milhões de euros aos Estados Unidos, que está congelado até fevereiro, podendo o bloco comunitário recorrer a tal lista caso as novas ameaças de Trump se concretizem.
Segundo avança o Financial Times (acesso pago), a maior afetada por esta lista de produtos, que não foi publicada, mas à qual o jornal teve acesso, é a fabricante de aeronaves Boeing.
O pacote da UE inclui tarifas de 25% sobre aviões americanos, e a empresa dos EUA foi responsável pela maior parte dos 11 mil milhões de euros em importações de aeronaves dos EUA em 2024, refere o jornal.
Carros, bourbone soja são outros produtos importantes na lista de retaliação, que visa ainda as motos Harley-Davidson, os jeans da Levi’s ou os cigarros Lucky Strike.
Máquinas, dispositivos médicos, produtos químicos, plásticos e equipamentos elétricos também serão afetados pelas tarifas planeadas por Bruxelas.
O acordo comercial alcançado entre Washington e Bruxelas, que fixou uma tarifa única de 15% para a maioria das exportações para os EUA travou a entrada em vigor destas taxas retaliatórias por parte da União Europeia. O aço e o alumínio são uma das exceções neste acordo, uma vez que continuam a pagar tarifas de 50%.
O setor tecnológico e as big tech norte-americanas também poderão entrar nesta retaliação. A Comissão Europeia poderá recorrer ao “instrumento anti coerção” (ACI, na sigla em inglês), visando diretamente grandes tecnológicas.
A ferramenta, que foi proposta em 2021 e entrou em vigor no final de 2023, permite ao braço executivo da UE adotar restrições ao comércio, investimento e financiamento de serviços, caso entenda que um país terceiro está a pressionar os Estados-membros a fazer uma determinada escolha, aplicando, ou ameaçando aplicar, medidas que afetam o comércio ou o investimento.
Entre as medidas que podem ser adotadas no âmbito deste instrumento constam a revogação da proteção dos direitos de propriedade intelectual ou a sua exploração comercial – como downloads de software e plataformas de streaming –, o bloqueio do investimento direto estrangeiro (IDE) e a restrição do acesso ao mercado por bancos, companhias de seguros e outros grupos de serviços financeiros do país em causa.
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