Trump liga tarifas à Gronelândia e faz tremer bolsas europeias

A tensão entre Washington e a Europa por causa da Gronelândia fez tremer os mercados, com investidores a procurarem refúgio no ouro e na prata, enquanto as ações afundam.

ECO Fast
  • As declarações de Donald Trump sobre tarifas a países europeus em relação à Gronelândia provocaram quedas generalizadas de 1% nos principais índices acionistas europeus esta segunda-feira.
  • Os investidores estão a procurar segurança no ouro, prata e franco suíço, enquanto o Stoxx Europe 600 enfrenta uma queda acentuada, especialmente nas empresas de consumo cíclico e tecnológico.
  • A União Europeia considera impor tarifas retaliatórias sobre produtos norte-americanos, mas a divisão interna pode dificultar a resposta.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

As declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a imposição de tarifas aos países europeus que se opuserem aos seus planos para a Gronelândia provocaram uma onda de aversão ao risco nos mercados financeiros globais esta segunda-feira.

Os principais índices acionistas europeus negociam atualmente praticamente todos com quedas acima de 1%, com os investidores a procurarem refúgio em ativos tradicionais de proteção como o ouro, a prata e o franco suíço.

Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors, alerta numa nota enviada aos clientes da gestora alemã que ao vincular tarifas à disputa sobre a Gronelândia, os EUA podem ter transformado um desacordo diplomático numa ameaça económica concreta, aumentando o risco de que uma medida direcionada possa rapidamente transformar-se num choque sistémico.

O índice pan-europeu Stoxx Europe 600 negoceia atualmente com uma queda superior a 1,2%, fortemente penalizado pelas empresas que operam no setor do consumo cíclico e tecnológico, que recuam, em média, 2,6% e 1,8%, respetivamente.

O franco suíço lidera os ganhos entre as principais divisas, refletindo a procura por moedas-refúgio num contexto de elevada incerteza geopolítica.

A bolsa de Lisboa acompanha a tendência negativa no Velho continente. O PSI chegou a perder mais de 1%, encontrando-se atualmente a resvalar cerca de 0,8% à boleia das quedas de 2,2% da EDP Renováveis e de 1,5% da Galp Energia. Entre as 16 empresas que compõem o índice da Euronext Lisboa, apenas a Sonae e a Nos registam ganhos na sessão.

As perdas da Europa estendem-se aos setores automóvel e do luxo, dois dos mais expostos ao comércio transatlântico e que temem uma escalada comercial entre Washington e Bruxelas. Destaque para as ações das construtoras alemãs Porsche, BWM e e Mercedes-Benz, que caem 3,3%, 3,1% e 2,7%, respetivamente.

No segmento do luxo, a LVMH chegou a cair quase 5%, enquanto a Kering negoceia atualmente com uma queda de 2,8%, a Hermès recua 3,2% e a Moncler desvaloriza 2%. O índice Stoxx Europe Luxury 10 afunda cerca de 3%, refletindo o receio de que novas tarifas afetem o consumo de produtos de luxo europeus nos Estados Unidos.

Em contraste, as empresas de defesa sobem. A Rheinmetall, maior fabricante de equipamento militar da Europa, valoriza 2,7% após ter estado a ganhar 3,4%, enquanto as ações da italiana Leonardo sobem mais de 2% e os títulos da francesa Thales ganham 1,8%. O movimento reflete a perceção de que as crescentes tensões geopolíticas poderão acelerar os planos de rearmamento europeus.

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Europa prepara resposta, mas divisões internas preocupam

Do outro lado do Atlântico, os contratos de futuros dos principais índices acionistas dos EUA encontram-se a negociar com perdas generalizadas. O Dow Jones recua 0,8%, enquanto o Nasdaq regista uma queda mais acentuada de 1,4%. O mercado acionista norte-americano está encerrado devido ao feriado do dia de Martin Luther King Jr., mas os futuros já antecipam uma abertura em território negativo na terça-feira.

As matérias-primas registam movimentos divergentes. O ouro, tradicional ativo de refúgio, ultrapassou os 4.650 dólares por onça, atingindo um novo máximo histórico, com uma valorização de 1,7%. A prata também disparou, subindo mais de 3,8% e tocando os 94 dólares por onça, outro recorde. Em sentido contrário, a Bitcoin caiu para menos de 93 mil dólares, registando perdas superiores a 2,5%.

No mercado cambial, o dólar norte-americano negoceia atualmente com uma perda de 0,26% contra um cabaz de seis moedas, que inclui o euro. O franco suíço lidera os ganhos entre as principais divisas, refletindo a procura por moedas-refúgio num contexto de elevada incerteza geopolítica. O euro também avança face ao dólar, beneficiando de alguma repatriação de capitais europeus e do receio de que a administração Trump esteja a testar os limites da sua política comercial agressiva.

Os EUA poderão novamente conseguir dividir a Europa: o Instrumento Anticoerção da UE requer votação por maioria qualificada, e os países não diretamente afetados pelas tarifas poderiam formar uma minoria de bloqueio.

Christian Schulz

Economista-chefe da Allianz Global Investors

As obrigações do Tesouro dos EUA registam movimentos mistos, com a yield dos títulos de curto prazo a caírem e as de longo prazo a subirem, num sinal de que os investidores antecipam um prolongamento da incerteza.

A União Europeia encontra-se em conversações para impor tarifas retaliatórias sobre 93 mil milhões de euros de produtos norte-americanos, segundo fontes próximas do processo. Entre as opções em cima da mesa está a ativação do Instrumento Anticoerção da União Europeia (UE), uma ferramenta desenhada precisamente para situações deste género e que permitiria retaliações assimétricas, como a restrição do acesso ao mercado europeu para empresas de serviços dos EUA.

No entanto, Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors alerta para o risco de a Europa estar dividida. “Os EUA poderão novamente conseguir dividir a Europa: o Instrumento Anticoerção da UE requer votação por maioria qualificada, e os países não diretamente afetados pelas tarifas poderiam formar uma minoria de bloqueio”, refere.

Além disso, Washington poderá usar a dependência europeia em matéria de segurança como alavanca. “Ao longo do tempo, a pressão poderá aumentar dentro da Europa sobre a Dinamarca, e potencialmente sobre a Gronelândia, para que cedam”, acrescenta o economista da Allianz Global Investors.

Os mercados aguardam agora com expectativa o Fórum Económico Mundial de Davos, que arranca esta semana na Suíça, onde Trump deverá discursar na quarta-feira. A reação dos líderes europeus e as eventuais sinalizações vindas de Washington serão determinantes para perceber se esta crise comercial se agravará ou se ficará pelo plano retórico.

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