Tribunal francês absolve Le Pen da acusação de racismo apresentada por jovem islâmica
O Tribunal Correcional de Paris considerou que Le Pen não cometeu qualquer crime quando associou uma jovem, em 2019, ao islão radical por usar véu.
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, foi absolvida esta terça-feira no julgamento relativo a uma denúncia por injúrias apresentada por uma jovem a quem, em 2019, associou ao islão radical por usar véu. O Tribunal Correcional de Paris considerou que Le Pen não cometeu qualquer crime, uma vez que a afirmação se referia a uma “prática rigorosa” de uma religião e não estabelecia qualquer ligação ao extremismo ou a outras práticas violentas.
“Associar uma pessoa à prática rigorosa de uma religião não comporta caráter injurioso”, referiu o tribunal na decisão. Em plena campanha para as eleições europeias, a queixosa Yasmine Ouirhane publicou numa rede social uma fotografia com véu e a bandeira europeia, ao que a candidata Marine Le Pen respondeu na mesma plataforma: “A União Europeia assume as suas prioridades […] Para nós, a promoção do islão radical não é possível”.
Ouirhane, filha de pai marroquino e mãe italiana, tinha sido distinguida como “jovem europeia do ano” por uma fundação alemã. A queixosa, agora com 30 anos, assistiu sem véu à leitura da decisão e pode agora recorrer da sentença. Le Pen não esteve presente na leitura do acórdão, por se encontrar, à mesma hora, a ser interrogada noutro julgamento.
A líder da extrema-direita francesa está a prestar declarações num julgamento em recurso por financiamento ilegal do partido União Nacional com fundos do Parlamento Europeu.
Em março passado, no âmbito deste julgamento, Le Pen foi condenada a quatro anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa, e a cinco de inibição de direitos políticos, o que a impede, para já, de se candidatar às eleições presidenciais de 2027, para as quais surge como favorita nas sondagens.
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