EDP e Galp pedem em Davos “mais execução” para reindustrializar a Península Ibérica

De forma a impulsionar a transição energética na Europa, energéticas pedem mais execução. Sugerem desde a criação de balcões únicos até novos mecanismos de financiamento.

A Iniciativa Ibérica para a Indústria e Transição Energética (IETI), liderada pela Mckinsey e que junta energéticas como a EDP, Galp, Iberdrola, Moeve, Naturgy e Repsol, trouxe à reunião anual do Fórum Económico Mundial (WEF), em Davos, uma discussão que resultou em cinco prioridades para o futuro. Estas empresas querem “mais execução” para que a Península Ibérica tenha um papel central na reindustrialização da Europa, e sugerem desde a criação de balcões únicos até novos mecanismos de financiamento, passando por uma requalificação de trabalhadores de larga escala.

A janela de ação está a reduzir-se“, alertam os membros da IETI, cujas perspetivas foram apresentadas numa sessão de trabalho multilateral em Davos. Desta reunião participaram os CEO e chairmen das empresas membro da IETI – ACS, EDP, Galp, Iberdrola, Moeve, Naturgy e Repsol – e sócios seniores da McKinsey, assim como Enrico Letta, ex-primeiro-ministro de Itália, Cristina Lobillo, diretora de Política Energética da Comissão Europeia, entre representantes de outras instituições.

A obtenção de resultados exigirá uma execução mais rápida, uma colaboração público-privada mais profunda e uma liderança corajosa”, e Portugal e Espanha podem desempenhar um “papel central”, concluiu-se da reunião, de acordo com o comunicado partilhado com as redações.

A vantagem competitiva da Europa já não virá de mais regulação, mas sim de uma execução mais rápida”, que consiste em processos de licenciamento mais simples e céleres, regras estáveis, além de redes elétricas modernas e interligadas, considerou o CEO da EDP, Miguel Stilwell, na sequência dos trabalhos.

Portugal e Espanha poderão tornar-se um polo de atração para indústrias intensivas em energia e desbloquear até 1 bilião de euros em valor até 2030.

Miguel Stilwell de Andrade

CEO da EDP

O mesmo gestor acredita que, perante uma boa execução, “Portugal e Espanha poderão tornar-se um polo de atração para indústrias intensivas em energia e desbloquear até 1 bilião de euros em valor até 2030“, impulsionando o PIB em cerca de 15%, aumentando as exportações industriais em aproximadamente 20% e criando cerca de 1 milhão de empregos, maioritariamente qualificados.”

Por seu lado, Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva, os co-CEO da Galp, defendem que “a transição energética representa uma oportunidade única para reindustrializar a Europa, e a Península Ibérica está particularmente bem posicionada para liderar esta transformação”.

Já o CEO da Moeve, empresa que está de momento em negociações para fundir algumas áreas de negócio com a Galp, frisa que “é agora necessário acelerar ­implementando soluções de energia limpa, escalando a procura e construindo infraestruturas transfronteiriças”.

A transição energética representa uma oportunidade única para reindustrializar a Europa, e a Península Ibérica está particularmente bem posicionada para liderar esta transformação.

Maria João Carioca e João Diogo Marques da Silva

Co-CEO da Galp

Neste sentido, a IETI definiu cinco iniciativas que considera prioritárias, de forma a desbloquear o potencial da Península Ibérica. Em primeiro lugar, defendem o reforço da ambição e a coordenação, “criando e escalando ecossistemas industriais em áreas estratégicas”. Em termos de regulação, querem foco na competitividade, remoção de barreiras ao investimento e neutralidade tecnológica. Sugerem ainda novos mecanismos de financiamento,­ nomeadamente os CfDs (contratos por diferença) ­ e balcões únicos para investidores.

Em terceiro lugar, apelam ao reforço do investimento em redes elétricas, armazenamento, transporte e logística. “A revisão dos regimes de remuneração poderá acelerar o ritmo de adição de capacidade e de construção”, alertam. Na mesma linha, pedem um reforço do investimento em inovação.

Por fim, pretendem desbloquear as questões relacionadas com o talento, através de requalificação “em larga escala”, ferramentas de produtividade potenciadas por inteligência artificial, bem como incentivos fiscais e vistos dedicados para atrair e reter talento global.

Há “sinais positivos” no investimento

Um índice criado pela IETI acompanha 21 indicadores que acompanham o progresso da transição energética e da reindustrialização em Portugal e Espanha. Neste âmbito, a iniciativa deteta “sinais positivos ao nível dos anúncios de investimento“, sendo que o investimento efetivo após ter sido tomada a decisão final, multiplicou-se por cinco em Portugal e por dois em Espanha, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, face ao período homólogo.

Estes sinais podem antecipar uma melhoria dos resultados industriais e um reforço da autonomia estratégica“, conclui a IETI em comunicado.

Em paralelo, variáveis consideradas “críticas” como o investimento em inovação e desenvolvimento, que ronda 1,5 a 1,7% do PIB, a produtividade do trabalho, a qualidade regulatória e o peso global da indústria na economia permanecem estagnadas e aquém dos pares europeus ou de outras economias avançadas, como os Estados Unidos.

De uma perspetiva mais positiva, a IETI destaca a penetração de renováveis e adoção da mobilidade elétrica em Portugal e os preços da energia na Península Ibérica. “No entanto, continuam a ser necessários incentivos ao investimento nas redes elétricas e à adoção de moléculas renováveis”, sublinha.

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