Juros do crédito à habitação caem pelo 23.º mês seguido para 3,13%
A descida das Euribor voltou a reduzir os juros dos empréstimos à casa, trazendo algum alívio às prestações, embora a fatura da habitação se mantenha pesada no orçamento das famílias.
A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a descer em dezembro, alinhando-se com o alívio das Euribor, e fixou-se em 3,13%, segundo os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
“A taxa de juro implícita no crédito à habitação desceu para 3,130%, valor inferior em 0,3 pontos base face ao registado no mês anterior, acumulando uma redução de 152,7 pontos base, desde o máximo atingido em janeiro de 2024 (4,657%)”, aprofundando a trajetória de descida iniciada após o pico da política monetária do Banco Central Europeu.
Em pouco menos de dois anos, o custo médio dos créditos à habitação recuou, assim, de níveis historicamente elevados para valores mais próximos, embora ainda acima, do período pré-subida dos juros, contabilizando em dezembro o 23.º mês consecutivo de quedas.

Nos contratos mais recentes, a descida é também visível, mas mais ténue. “Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro desceu de 2,853% em novembro para 2,850% em dezembro”, indica o INE, sublinhando ainda que se verifica “uma diminuição acumulada de 153 pontos base desde o máximo atingido em outubro de 2023.”
Apesar do alívio nas taxas, as famílias continuam a enfrentar prestações mensais exigentes. “Considerando a totalidade dos contratos, o valor médio da prestação mensal fixou-se em 397 euros, valor superior em 3 euros face ao verificado no mês anterior e inferior em 6 euros (-1,5%) ao de dezembro de 2024”, detalha o INE.
Ou seja, face a novembro, a prestação média subiu, mas continua ligeiramente abaixo do valor pago há um ano, refletindo o efeito combinado da descida dos juros e da maturidade dos contratos, à medida que o capital em dívida vai sendo amortizado.
Em média, mais de metade da prestação já está novamente a ir para redução do capital em dívida, e não para pagar juros ao banco, o que traduz um alívio gradual da pressão financeira sobre as famílias.
A estrutura da prestação também mostra alguma normalização depois do choque de juros de 2023 e início de 2024. “Do valor da prestação, 194 euros (48,9%) correspondem a pagamento de juros e 203 euros (51,1%) a capital amortizado (ver figura 2). Pelo quarto mês consecutivo, a componente juros tem um peso inferior a 50%”, destaca o INE.
Em termos práticos, isto significa que, em média, mais de metade da prestação já está novamente a ir para redução do capital em dívida, e não para pagar juros ao banco, o que traduz um alívio gradual da pressão financeira sobre as famílias.
Nos contratos celebrados nos últimos três meses, o movimento é diferente: as prestações estão a subir de forma mais marcada, refletindo o nível ainda elevado dos preços da habitação e dos montantes financiados. “Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação aumentou 7 euros, fixando-se em 675 euros (subida de 6,8% face ao mesmo mês do ano anterior)”, lê-se no comunicado do INE.
Estes valores são bastante superiores à média do conjunto dos contratos, o que mostra que quem entra hoje no mercado, ou renegocia em condições mais recentes, enfrenta encargos mensais bem mais pesados do que quem contraiu crédito há mais tempo.
No balanço anual, “em 2025, a taxa de juro média anual para o total do crédito à habitação fixou-se em 3,414% (4,372% no ano anterior)”, revela o INE.
Também o capital em dívida continua a aumentar, o que ajuda a explicar a diferença entre a prestação média do stock e a dos contratos mais recentes. “Em dezembro de 2025, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 600 euros comparativamente ao mês anterior, elevando-se a 75 270 euros”, indica o INE.
No balanço anual, “em 2025, a taxa de juro média anual para o total do crédito à habitação fixou-se em 3,414% (4,372% no ano anterior). O capital médio em dívida aumentou 5.806 euros, para 72.314 euros. A prestação média mensal diminuiu 2,0% (8 euros), para 396 euros”.
O último ano fechou assim com juros mais baixos e prestações ligeiramente inferiores às de 2024, mas com montantes médios em dívida mais elevados, o que mantém a fatura global da habitação em patamares exigentes para os orçamentos familiares.
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