Apagão “não serviu de travão ao investimento”, garante Pedro Vasconcelos, CEO da EDP Ibéria

Pedro Vasconcelos, CEO da EDP para a Ibéria, diz ao ECO que a península continua a ser alvo de "muito apetite" dos investidores, apesar do apagão que retirou a energia por cerca de um dia.

Esta semana decorre, em Davos, na Suíça, o encontro anual do Fórum Económico Mundial. A EDP está representada no evento pelo CEO, Miguel Stilwell de Andrade, e o pelo administrador e CEO da EDP Ibéria, Pedro Vasconcelos. A elétrica portuguesa tem aproveitado o evento para promover a discussão sobre os desafios do seu setor, bem como o papel das renováveis na competitividade e reindustrialização mundiais. Neste sentido, o administrador da EDP e CEO da EDP Ibéria, Pedro Vasconcelos, frisa que “O apetite por data centers na Península Ibérica continua muito forte”, não tendo o apagão ibérico servido de travão ao investimento. Contudo, alerta que é preciso executar, e que Portugal o está a fazer com menos ritmo que o país vizinho, com o qual forma um bloco competitivo, mas do qual também é concorrente.

A semana em Davos começou, para as energéticas EDP, Galp, Iberdrola, Moeve, Naturgy e Repsol, com uma reunião que teve lugar esta segunda-feira, no âmbito da Iniciativa Ibérica para a Indústria e Transição Energética (IETI). Estas empresas querem “mais execução” para que a Península Ibérica tenha um papel central na reindustrialização da Europa.

Questionado sobre se as recentes alterações em Portugal favorecem a execução de projetos energéticos, olhando à criação da Agência para o Clima e a Agência para a Geologia e Energia, Vasconcelos afirma que “Portugal deu passos certos com a criação da ApC e, agora, da AGE no sentido de uma maior coordenação e previsibilidade“. Assim, vê como necessário traduzir a nova arquitetura institucional em resultados, através de prazos certos, métricas públicas e accountability para projetos energéticos e de grande consumo. “Se o fizermos, Portugal capta mais indústria e consolida novos setores como data centers, baterias, hidrogénio e biocombustíveis”.

O apetite por data centers na Península Ibérica continua muito forte

Pedro Vasconcelos

CEO da EDP Ibéria

“O apetite por data centers na Península Ibérica continua muito forte”, pois “o apagão ibérico foi um stress test do sistema, não um travão ao investimento”, garante o administrador, quando questionado se o apagão havia abalado o apetite para instalar centros de dados na Península Ibérica.

No seu entender, o apagão evidenciou apenas que é preciso acompanhar a eletrificação de redes mais modernas, mais interligações, mais armazenamento e maior capacidade de resposta do sistema. “Hoje, o maior risco não está na procura, mas sim no desfasamento entre o ritmo das renováveis e a modernização das redes“, alerta, apontando que existem, atualmente 4 terawatts de projetos, a nível global, que aguardam ligação à rede.

Neste sentido, a EDP está a investir 12 mil milhões de euros até 2028, incluindo 3,6 mil milhões em redes e 7,5 mil milhões em eólica, solar e armazenamento, de forma a ligar nova capacidade limpa e “dar previsibilidade a clientes intensivos como os operadores de cloud e inteligência artificial, explica o gestor. Só em 2024, os data centers representaram 45% dos contratos renováveis (PPA) da EDP, “um sinal claro de uma tendência estrutural em que Portugal e Espanha estão bem posicionados para liderar“, tendo em conta a energia renovável abundante, os preços industriais competitivos e o acesso direto aos grandes mercados digitais.

Em conjunto com Espanha, Portugal integra um bloco ibérico capaz de liderar a nova indústria limpa europeia, mas está simultaneamente em concorrência permanente com o país vizinho.

Pedro Vasconcelos

Administrador EDP e CEO da EDP Ibéria

No quadro ibérico, na primeira metade de 2025, os preços de eletricidade para a indústria foram 29% abaixo da média da União Europeia em Portugal e 27% abaixo em Espanha. “Esta realidade melhora a competitividade de grandes consumidores e atrai novas cadeias de valor”, assinala. O que falta é licenciamento mais rápido e simples, incentivos adequados à flexibilidade do sistema, mais investimento nas redes e interligações, e um melhor alinhamento entre a política fiscal e a energética.

Em conjunto com Espanha, Portugal integra um bloco ibérico capaz de liderar a nova indústria limpa europeia, mas está simultaneamente em concorrência permanente com o país vizinho“, contrapõe, contudo, Vasconcelos. Em 2025, Espanha conseguiu adicionar dez vezes mais capacidade renovável do que Portugal – uma diferença de 9 gigawatts (GW) para 900 megawatts (MW) – “o que reforça a urgência de o país acelerar o desenvolvimento de projetos para não perder atratividade face aos seus concorrentes mais próximos”.

Confiança nos EUA mantém-se

Em Davos, esta quarta-feira, o presidente Donald Trump dedicou um tempo relevante do seu discurso a criticar o uso de eólicas, afirmando que estragam a paisagem, matam pássaros, e que só pessoas “estúpidas” as compram. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos o principal destino de investimento da EDP até 2028.

Mas Pedro Vasconcelos desdramatiza o risco que a postura de Trump representa para as condições de investimento neste país: “O setor pode ter incertezas – como qualquer setor dependente de enquadramentos regulatórios -, mas a tendência estrutural é inequívoca: os Estados Unidos precisam de mais energia limpa, mais flexibilidade, mais redes e mais armazenamento”. Isto, tendo em conta que as reováveis são a forma “mais rápida, acessível e competitiva” de responder ao aumento da procura de energia. “Mantemos total confiança no mercado norte‑americano“, indica.

Nos EUA, a EDP possui quase 90 projetos em operação, estando presente há mais de 15 anos, com mais de mil colaboradores no terreno, cadeia de abastecimento local.

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