Rádio, três litros de água e até cobertores: Gronelândia diz o que pôr no kit de emergência

  • Lusa
  • 22 Janeiro 2026

Governo da ilha do Ártico publicou esta semana um guia que prepara as famílias da para situações de crise, numa altura em que os EUA se mostram insistentes em anexar o território.

ECO Fast
  • O Governo da Gronelândia lançou um guia para preparar as famílias para crises, em resposta ao interesse do Presidente dos EUA, Donald Trump, em controlar o território.
  • O documento, resultado de um ano de trabalho, recomenda que os groenlandeses tenham suprimentos essenciais para cinco dias, devido a eventos que os tornam vulneráveis, como apagões.
  • As autoridades recomendam de tudo, desde cobertores e roupas quentes a fontes de calor como fogões, aquecedores a querosene, velas e até um gerador de emergência.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O Governo da Gronelândia publicou na quarta-feira um guia que prepara as famílias da ilha ártica para situações de crise, num momento em que o Presidente norte-americano Donald Trump insiste em assumir o controlo do território autónomo dinamarquês.

O documento, que descreve a preparação para crises de cinco dias, foi apresentado pelo Ministério da Natureza e Ambiente para responder a eventos que tornam a população “particularmente vulnerável”, explicou o Governo da Gronelândia.

“Temos uma tradição de estarmos bem preparados, em parte porque o clima instável e as alterações climáticas fazem parte do nosso dia-a-dia”, e “ocasionalmente vivemos eventos que nos tornam particularmente vulneráveis, como apagões”, destacou Peter Borg, responsável, entre outras áreas, pela autossuficiência no Governo groenlandês.

De acordo com um comunicado do Governo autónomo, o guia “é um complemento às medidas de preparação existentes e deve ser considerado tanto uma ajuda para os indivíduos como um reforço para a comunidade”.

O guia é o resultado de um ano de trabalho após “uma série de cortes de energia de curta e longa duração” que afetaram a ilha, segundo o Governo da Gronelândia.

O documento aconselha os groenlandeses a terem três litros de água por pessoa por dia, alimentos de longa duração e fáceis de preparar para cinco dias, medicamentos, incluindo um kit de primeiros socorros, artigos de higiene como papel higiénico e álcool gel, e recursos para combater o frio em situações críticas.

Numa ilha ártica onde as temperaturas podem descer até aos -20 graus Celsius, as autoridades recomendam de tudo, desde cobertores e roupas quentes a fontes de calor como fogões, aquecedores a querosene, velas e até um gerador de emergência com combustível.

Além disso, a lista de “outras necessidades” do guia inclui sinalizadores, vários métodos de pagamento (cartões ou dinheiro), baterias e carregadores portáteis para dispositivos como telemóveis.

Para ajudar os groenlandeses a manterem-se informados, o Governo recomenda também ter um rádio que possa ser alimentado por baterias, células solares ou manivela.

Insta também a população a manter os números de telefone dos familiares, vizinhos e autoridades facilmente acessíveis e considerar a aquisição de equipamento de comunicação por satélite.

Trump afastou uso da força, mas…

O guia, intitulado “Preparado para a Crise”, foi publicado no mesmo dia em que, após semanas de debate sobre o persistente interesse de Trump em controlar a ilha ártica, o Presidente dos EUA convocou negociações imediatas no Fórum Económico de Davos para a aquisição do território autónomo dinamarquês.

A presidente da Câmara de Nuuk, Avaaraq S. Olsen, frisou que as palavras de Donald Trump, que afirmou não utilizar a força militar para anexar a Gronelândia, são um alívio, mas não dissipam a sua preocupação.

“Isto pode acalmar um pouco os nossos nervos relativamente ao aspeto militar, porque é isso que também tem preocupado muito as pessoas aqui”, destacou a líder do município de Sermersooq, que inclui Nuuk e alberga quase metade dos 57 mil habitantes da ilha, à agência de notícias Ritzau.

“Dá um pouco de segurança, mas parece que vamos ter de continuar a lutar para manter a nossa bandeira”, acrescentou Olsen.

Minutos antes, Trump tinha reiterado, no seu discurso no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, a sua intenção de anexar a Gronelândia por razões de segurança nacional e declarado que queria iniciar negociações para adquirir a ilha de imediato.

Olsen fez ainda alusão às palavras de Trump de que a Gronelândia era apenas “um pedaço de gelo”. Estas palavras demonstram que Trump não sabe muito sobre os groenlandeses e que o seu país não respeita a opinião dos outros, concluiu Olsen.

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