Exclusivo Gato Preto encerra lojas em Espanha para salvar negócio em Portugal

Plano de recuperação da cadeia de artigos para o lar e decoração salvaguarda “parte significativa dos postos de trabalho” e renegociação de dívidas que ascendem a 50 milhões.

O Gato Preto vai encerrar a atividade em Espanha, onde tem oito lojas, numa “medida considerada essencial” para assegurar a viabilidade do negócio em Portugal, adiantou a empresa ao ECO. A cadeia de artigos para o lar e decoração, que celebra 40 anos de existência este ano, apresentou esta sexta-feira o plano de recuperação junto do tribunal e acredita que a sua implementação “permitirá salvaguardar parte significativa dos postos de trabalho”. O plano ainda tem de ser aprovado pelos credores.

Com mais de 300 credores, entre trabalhadores, bancos, fornecedores e o próprio grupo Aquino, dono das lojas, que ao todo reclamam mais de 50 milhões de milhões, tal como o ECO revelou em outubro, o Gato Preto justificou a necessidade de recorrer ao PER por conta das “pressões económicas e financeiras” que vem enfrentando nos últimos anos, tendo admitido que a situação da empresa vai exigiria uma “revisão profunda do seu modelo de operação para lidar com as adversidades do contexto atual e procurar soluções que possibilitem a estabilização da empresa e a sua revitalização futura”.

O plano de sobrevivência foi agora apresentado e “assenta numa estratégia de revitalização sustentável” da cadeia de decoração que “permitirá manter a presença da marca em todo o território continental, nas regiões Norte, Centro e Sul”, segundo refere fonte oficial ao ECO. Em Portugal, o Gato Preto tinha 31 lojas. Também há uma aposta mais vincada na atividade online “como canal mais eficiente, rentável e alinhado com as exigências do atual contexto de mercado”.

Em relação à “cessação integral da atividade em Espanha”, a medida visa ao grupo “concentrar recursos, reduzir perdas operacionais e fortalecer a viabilidade do negócio em Portugal”.

Os últimos números mostram uma forte redução da atividade, com a faturação a cair para metade desde 2022, atingindo os 21,3 milhões em 2024, ano em que teve prejuízos de 14,9 milhões de euros.

PER representa “vantagem clara” para credores

Segundo o Gato Preto, “a implementação do plano permitirá salvaguardar uma parte significativa dos postos de trabalho da empresa”, com a empresa a assegurar, “em qualquer circunstância, a satisfação integral dos créditos dos trabalhadores e ex-trabalhadores, em estrito cumprimento da lei”.

Os credores também vão suportar o plano de revitalização. A empresa não refere dados sobre a reestruturação financeira em cima da mesa, indicando apenas que o PER “representa uma vantagem clara” para eles, na medida em que possibilitará “o pagamento de montantes substancialmente superiores aos que previsivelmente resultariam de um cenário de liquidação total da empresa, preservando simultaneamente a continuidade da atividade e o valor da marca”.

O Gato Preto acredita que a proposta “merecerá o apoio” dos seus credores, que permitirão viabilizar a continuidade de uma empresa histórica que celebra, em 2026, 40 anos de atividade em Portugal”.

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