Depois de Starmer, Macron repudia declarações “inaceitáveis” de Trump

  • ECO e Lusa
  • 24 Janeiro 2026

Keir Starmer já tinha vindo designar de "insultuosas e francamente chocantes" as palavras de Trump para com os parceiros da NATO no Afeganistão. Macron chama-lhes, agora, "inaceitáveis".

A entrevista de Donald Trump em que o Presidente norte-americano menospreza a participação dos parceiros da NATO na guerra no Afeganistão, dizendo que as tropas desses países ficaram apenas numa linha de retaguarda, continua a provocar contestação ao longo da Europa.

Entre os protestos, ouviu-se o primeiro-ministro britânico KeirStarmer a recordar os 457 militares perdidos naquele país durante o conflito iniciado na sequência do ataque às Torres Gémeas, a 11 de setembro de 2001. Starmer designou as afirmações do líder dos EUA de “insultuosas e francamente chocantes”. Agora, Emmanuel Macron junta a sua voz de protesto contra Trump e diz que as declarações são “inaceitáveis” e que nem merecem comentário.

Macron reiterou a “gratidão” às famílias dos soldados franceses mortos no Afeganistão, após Trump ter questionado o empenho das tropas dos aliados da NATO, anunciou, neste sábado, fonte da presidência francesa.

“Estas declarações inaceitáveis não exigem comentários. É às famílias dos soldados caídos que o Chefe de Estado deseja oferecer conforto e reiterar a gratidão e a respeitosa recordação da nação”, afirmou fonte da presidência francesa, citada pela agência France-Presse (AFP).

Estas declarações inaceitáveis não exigem comentários. É às famílias dos soldados caídos que o Chefe de Estado deseja oferecer conforto e reiterar a gratidão e a respeitosa recordação da nação.

Emmanuel Macron

Presidente da França

Numa entrevista dada na quinta-feira ao canal norte-americano Fox News, o presidente norte-americano criticou o papel de outros países membros da NATO durante os 20 anos de conflito no Afeganistão, alegando que os aliados “ficaram um pouco afastados da linha da frente” e que os Estados Unidos “nunca precisaram deles”.

Diversos países europeus, incluindo Reino Unido, Itália, Alemanha e Dinamarca, manifestaram indignação com as declarações do presidente norte-americano.

O antigo ministro português da Defesa e dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva repudiou igualmente a acusação, elogiando, numa mensagem no Facebook, o “profissionalismo e competência” de milhares de militares portugueses e considerando que as declarações de Donald Trump “insultam também Portugal”.

A França manteve a presença militar no Afeganistão de 2001 a 2014, sofrendo 89 mortos e mais de 700 feridos neste teatro de operações.

A participação dos países da aliança no país não se findou aí.

Entre 2015 e 2017, Portugal perdeu dois militares ali destacados. Em 2021, numa cerimónia de homenagem aos 4.620 militares que serviram naquele teatro de operações, o então primeiro-ministro, António Costa, lembrou João Rosa e Sérgio Pedrosa, falecidos no Afeganistão, tendo recordado e agradecido aos soldados que regressaram feridos.

Nesse evento no Campo Militar de Santa Margarida, foram condecorados com a Medalha da Defesa Nacional os quatro militares da Brigada Mecanizada destacados para o aeroporto Hamid Karzai, em Cabul, com a missão de, entre os dias 23 e 27 de agosto de 2021, no âmbito da Operação SOLACE da Aliança Atlântica, identificar, coordenar e encaminhar a evacuação de cidadãos afegãos previamente identificados para extração do Afeganistão e que tinham colaborado com as forças portuguesas ao longo de duas décadas.

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