Corporate alimenta tecnológicas da defesa. Investimento mundial atinge recorde

Participação das corporate nas rondas de capital de risco nas tecnológicas da defesa mundiais atingiu máximo histórico em 2025. Investimento foi de 1,7 mil milhões e deve continuar a subir este ano.

Os investimentos na defesa estão a crescer e não são apenas públicos. À medida que se desenvolvem os negócios nesta área, aumentam também as necessidades de capital das empresas e o interesse dos investidores privados, que procuram retorno e tecnologia para responder ao risco geopolítico. Só no ano passado o investimento de capital de risco no setor atingiu cerca de 10 mil milhões de dólares.

Alimentada pelo momento geopolítico, a evolução da aposta do capital privado na indústria de defesa é expressiva. O investimento de capital de risco em tecnologia de defesa mais do que duplicou no ano passado, atingindo os 9,5 mil milhões de dólares (8,1 mil milhões de euros) em 265 rondas de financiamento a nível global. O valor corresponde a mais do dobro dos 3,8 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros) alocados em 172 investimentos de venture capital em 2024, segundo a base de dados Pitchbook.

Mais do que a dimensão dos investimentos, destaca-se uma tipologia de investidores: as grandes empresas. A participação corporativa (corporate) em rondas de capital de risco em tecnológicas da defesa mundiais atingiu um máximo histórico em 2025 devido ao apetite pelo setor e, cada vez mais, os países procurarem formas de se protegerem.

No total, os investidores corporate entraram em 28 rondas no ano passado, totalizando dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros), o que elevou a quota na atividade empresarial para 10,6%, quando em 2024 a percentagem havia sido de 9,9%, de acordo com os dados divulgados pela Pitchbook.

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Drones no primeiro unicórnio europeu do ano

Há precisamente duas semanas, a Europa deu as boas-vindas ao primeiro unicórnio de 2026, uma fabricante de drones que recebeu um financiamento no valor de 200 milhões de dólares (cerca de 170 milhões de euros). O estatuto (e dinheiro) foi entregue à francesa Harmattan AI, que trabalha para aliados da NATO com sistemas autónomos e aplicação de inteligência artificial nas missões militares, o que aliciou o grupo aeroespacial francês Dassault Aviation, cujo volume de negócios anual é superior a seis mil milhões de euros, e liderou a ronda série B.

Depois de um 2025 recordista, a previsão é que este interesse se mantenha ao longo do ano. “A persistente instabilidade geopolítica está a impulsionar tanto os fundos de capital de risco como as empresas a investir em tecnologia de defesa. O aumento do investimento corporate em startups parece destinado a continuar este ano, com mais de 20% das transações em tecnologia de defesa a envolverem grupos corporativos, à medida que os ciclos de inovação em defesa se aceleram”, afirma Leah Hodgson, responsável de European Private Markets da Pitchbook.

Radar autónomo em VANT – Veículo Aéreo Não Tripulado da Harmattan AI

As empresas aeroespaciais e de defesa, sobretudo na Europa, estão a investir mais capital em startups pela possibilidade de retorno — dados os compromissos internacionais de aumento da despesa em defesa — mas não só. O objetivo é fazer parcerias para obterem acesso à tecnologia que os inovadores desenvolvem, lê-se no relatório da Pitchbook. No caso da gaulesa Dassault, ao liderar a ronda da Harmattan, conquistou também a possibilidade de utilizar a sua tecnologia nos sistemas de aviação de combate.

“Os governos também estão mais dispostos a conceder contratos públicos a startups em vez de grandes empreiteiros tradicionais. A Harmattan, por exemplo, tem contratos com o Ministério da Defesa do Reino Unido para o fornecimento de drones, bem como com as Forças Armadas francesas. A flexibilização dos prazos de aquisição, um obstáculo de longa data à tecnologia de defesa, também aumentou o apelo das startups”, explica a Pitchbook.

É um movimento que também se observa nas empresas portuguesas. Por exemplo, a Tekever — que no ano passado atingiu o estatuto unicórnio —, além do trabalho que tem desenvolvido no Reino Unido, fechou recentemente um contrato de 30 milhões com Agência Europeia de Segurança Marítima para vigiar as águas com os seus drones, pouco depois de entregar equipamentos de patrulha ao Governo espanhol por cerca de cinco milhões num ano.

E em França, mercado onde está a investir 100 milhões de euros, numa unidade em Cahors (com abertura prevista este ano ano) foi recentemente anunciado que vai — em consórcio liderado Loft Orbital, com a ThalesAleniaSpace França — ajudar a França a reforçar a sua soberania espacial, através da construção do primeiro satélite SAR soberano. O valor do projeto não foi revelado pelas empresas, mas a imprensa aponta um contrato no valor global de 50 milhões de euros.

O momento quente no setor — com a guerra na Ucrânia a não dar sinais de trégua, apesar das negociações de paz a decorrer, só para referir um exemplo no Continente Europeu — alimentado pela tensão geopolítica a nível global, está a gerar um crescente interesse na indústria. Exemplo disso, foi o disparo de mais de 30% das ações do grupo checo CSG na sua estreia em bolsa. O IPO, que resultou em 3,8 mil milhões de euros levantados no mercado, colocou a empresa com uma avaliação bolsista inicial de 25 mil milhões de euros. Foi o maio IPO de sempre de uma empresa de defesa.

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