Pela primeira vez, todas as barragens algarvias podem ter de fazer descargas

Em breve pode vir a verificar-se uma situação inédita: as seis barragens do Algarve deverão chegar a níveis que justificam que todas façam descargas, para aliviar os volumes armazenados.

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, aponta que esta e a próxima semana serão momentos de “particular preocupação” dadas as previsões de precipitação, sendo Águeda a cidade com maior risco de inundação. No Algarve, a chuva dita uma situação fora do comum: já cinco das seis barragens estão em níveis tão elevados que tiveram de ser alvo de descargas, e para a semana é provável que todas necessitem deste tipo de ação, algo que nunca antes aconteceu. “Seria histórico”, diz o líder da APA.

Sexta, sábado e domingo foram dias de prevenção. Nos últimos três dias, foram feitas descargas preventivas em várias barragens, informa o presidente da APA. Isto foi feito de forma a “ter encaixe para a água em excesso”, que se avizinha, e as descargas foram calculadas de acordo com as previsões de precipitação.

O boletim mais atualizado que está disponível mostra as disponibilidades hídricas a 19 de janeiro. Olhando às 79 albufeiras que são monitorizadas, num universo total de 80, lê-se que 54 barragens exibiam um volume de armazenamento entre os 81% e os 100%, 15 apresentavam níveis entre os 61% e os 80% e quatro situavam-se entre os 51% e os 60%.

Fonte: Boletim semanal de albufeiras, APA

Na região do Algarve, das seis barragens existentes, cinco já tiveram de fazer descargas. E, de acordo com o presidente da APA, com a barragem da Bravura agora a chegar aos 80%, é possível que, em fevereiro, as seis barragens algarvias tenham todas de fazer descargas, algo que nunca aconteceu até ao presente. “Seria histórico”, afirma Pimenta Machado. O mesmo entende que a situação inédita “mostra como tudo está tão instável”, em termos climáticos.

No último boletim, verifica-se que todas as albufeiras das bacias do Arade, Ribeiras do Barlavento e Ribeiras do Sotavento, ou seja, as seis que se situam na região algarvia, apresentavam disponibilidades acima da média para a época do ano. Arade, Beliche, Funcho e Odelouca marcavam entre 80% a 90% da respetiva capacidade, Odeleite roçava os 100% e a Bravura era a única nos 70%.

Fonte: Boletim semanal de albufeiras, APA

Em todo o país, apenas uma barragem, a de Monte da Rocha, que se localiza na bacia do Sado e serve para rega e abastecimento, se ficava pelos 34%. Outras cinco albufeiras tinham disponibilidades no intervalo entre 41% e 50%. A razão para esta discrepância é que “não chove de forma igual em todo o país”, explica o líder da agência ambiental. Contudo, no início desta semana, as disponibilidades destas barragens já tiveram “uma fortíssima recuperação”, indica, para depois concluir: “vamos encher as barragens todas”.

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