Depois do acelerador, plano estratégico de Leiria para a indústria de defesa esperado para “próximas semanas”

Programa de aceleração atraiu startups do Reino Unido e Polónia. Plano Estratégico Regional para a Indústria de Defesa da Região de Leiria "deverá ser apresentado nas próximas semanas".

Mais de 60 candidaturas, 30 startups selecionadas e agora cinco vão estar incubadas na Startup Leiria após o demo day do Defense Accelerator. A incubadora da região Centro está já a “definir as datas e o âmbito” de uma segunda edição do programa de aceleração para soluções para o setor da defesa, segurança e tecnologias de uso dual. Já o Plano Estratégico Regional para a Indústria de Defesa da Região de Leiria (PERID-RL) “deverá ser apresentado nas próximas semanas”.

“Muito positivo” é como Vítor Ferreira classifica o balanço da primeira edição do programa de aceleração dedicado ao setor de defesa. “O Defense Accelerator confirmou que existe massa crítica e apetite real (de startups e PME) para entrar no setor da Defesa, desde que exista um programa que traduza o ‘mundo da Defesa’ para a lógica e velocidade das empresas tecnológicas”, considera o diretor-geral da Startup Leiria.

O programa — que decorreu em formato híbrido, em inglês, com cinco semanas de duração e cinco workshops, terminando com um pitch final dos participantes — atraiu mais de 60 candidaturas, tendo sido admitidas mais de 15 PME a participar no acelerador. As empresas eram na sua maioria nacionais, mas “houve projetos e empresas provenientes do Reino Unido, Polónia, entre outros, reforçando desde já a dimensão europeia e internacional do programa”, realça.

Vítor Ferreira, diretor-geral da Startup Leiria.

“Destacaram-se claramente soluções dual-use associadas a software crítico e digital, nomeadamente inteligência artificial, cibersegurança, drones e sistemas autónomos, mas também fabrico avançado e industrialização, onde a região tem competências diferenciadoras. Tivemos ainda empresas de comunicações avançadas, compliance e outras áreas fundamentais”, descreve o responsável. Rootkey, Complear, Excubium, Wede, Unmanned Tools e Legal Pythia são algumas das startups em destaque.

Das startups participantes, cinco estão fisicamente acolhidas pela incubadora. “A Startup Leiria já disponibilizou a sua infraestrutura para acolher os projetos. Temos projetos que já iniciaram o processo de instalação (física ou soft-landing) nas nossas instalações. O nosso foco agora é dar-lhes o suporte pós-aceleração: apoio jurídico para propriedade intelectual, acesso a laboratórios de prototipagem e integração na comunidade de empreendedorismo de Leiria, garantindo que a inovação na Defesa se traduza em riqueza económica local”, refere.

Com a região de Leiria apostada em posicionar-se como um cluster no setor de Defesa, há planos de uma segunda edição do programa de aceleração. “O Defense Accelerator não foi desenhado como um evento isolado, mas sim como um motor recorrente de inovação para o setor. Dado o sucesso da primeira edição e a crescente procura por soluções de tecnologia dual-use (civil e militar), a intenção é construir a continuidade”, diz o responsável.

Estamos neste momento a fazer o balanço final com os nossos parceiros estratégicos (idD Portugal Defence e AED Cluster, Fi Group, bem como o cluster da defesa da Região de Leiria) para definir as datas e o âmbito deste programa mais avançado“, adianta.

E há planos para incubar mais startups: entre cinco a 10. “O objetivo de incubar entre 5 a 10 projetos anualmente é cumulativo e estratégico para Leiria: queremos que estas empresas fixem competências na região. Estamos confiantes de que, após o funil de seleção do Demo Day, atingiremos a meta de retenção destes projetos em incubação (física ou virtual) na Startup Leiria”, refere o diretor-geral.

O que está a ser feito agora é a qualificação de fornecedores: estamos a ajudar estas startups, muitas das quais nasceram no civil, a obterem as certificações e os padrões de qualidade exigidos para entrarem na cadeia de valor da Defesa. O acelerador serviu para reduzir o risco que as grandes empresas de defesa sentem ao contratar startups, validando previamente a sua capacidade de entrega.

Vítor Ferreira

Diretor-geral da Startup Leiria

Está ainda a ser criado um pipeline para a Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID), promovida através da aproximação direta entre os participantes do programa e grandes integradores industriais, em particular empresas associadas da AED Cluster. “A criação do pipeline para a BTID está a ser feita através da ‘polinização cruzada'”, afirma. Ou seja, “durante o programa, não nos limitámos a dar formação; colocámos as startups sentadas à mesma mesa com os grandes integradores da indústria (as empresas da AED Cluster)”.

“O que está a ser feito agora é a qualificação de fornecedores: estamos a ajudar estas startups, muitas das quais nasceram no civil, a obterem as certificações e os padrões de qualidade exigidos para entrarem na cadeia de valor da Defesa. O acelerador serviu para reduzir o risco que as grandes empresas de defesa sentem ao contratar startups, validando previamente a sua capacidade de entrega”, explica Vítor Ferreira.

Plano estratégico para cluster de defesa em Leiria para “breve”

O programa de aceleração é uma “peça operativa” na ambição da região de Leiria se posicionar como cluster de defesa, projeto do qual se aguarda a apresentação do plano estratégico.

O Plano Estratégico Regional para a Indústria de Defesa da Região de Leiria está a ser consolidado e deverá ser apresentado nas próximas semanas, com um guião de oportunidades, necessidades e passos de entrada em cadeias de fornecimento.

Vítor Ferreira

Diretor-geral da Startup Leiria

“O Defense Accelerator integra-se diretamente na estratégia regional em preparação, nomeadamente no Plano Estratégico Regional para a Indústria de Defesa da Região de Leiria (PERID-RL), que mobiliza empresas, centros tecnológicos e startups”, aponta Vítor Ferreira. “A região tem vantagens competitivas claras em moldes, plásticos, fabrico avançado e software, que são exatamente as áreas com maior potencial dual-use. O acelerador funciona como ‘motor de entrada’ no setor: cria linguagem comum, reduz barreiras de entrada e aproxima a oferta tecnológica regional de quem compra e integra”, afirma.

A nível regional, o PERID-RL “está a ser consolidado e deverá ser apresentado nas próximas semanas, com um guião de oportunidades, necessidades e passos de entrada em cadeias de fornecimento”, adianta o responsável da Startup Leiria.

“Ao mesmo tempo, já foi dado um passo muito relevante de exposição e alinhamento institucional: durante a Web Summit, a Startup Leiria apresentou o Defense Accelerator na sequência de uma mesa-redonda com AED Cluster Portugal e idD Portugal Defence, com presença de players como a Tekever, reforçando a credibilidade e a capacidade de atração da região. O novo programa de aceleração insere-se nesta estratégia, tal como a criação de consórcios.”

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