Montenegro promete apoios para as zonas mais afetadas pela depressão Kristin

O primeiro-ministro ainda não tem uma estimativa da linha de financiamento, mas já está a trabalhar para que as "ajudas" cheguem o mais depressa possível ao terreno.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, prometeu esta quinta-feira avançar com apoios para as zonas mais afetadas pela depressão Kristin. De visita ao quartel dos bombeiros de Leiria, o chefe do Governo garantiu “que o estado de calamidade vai permitir que de uma forma mais expedita as ajudas cheguem ao terreno”.

Para já, no entanto, não tem uma estimativa da dimensão dos apoios, mas assegurou que já está em contacto com “as autoridades europeias” para assegurar que o financiamento chega às populações.

“Estamos a incluir na resolução de situação calamidade o conjunto de instrumentos que estará a disposição de todos os municípios para podermos ter formas mais rápidas e expeditas para poder recuperar o essencial daquilo que é da nossa responsabilidade”, afirmou.

Montenegro reconheceu que esse conjunto de apoios “vai comportar um esforço financeiro grande”. Contudo, salvaguardou, “as pessoas não deixarão de ter essas ajudas”. “Estamos a estudar a melhor forma de financiamento.” Neste sentido, o Governo já está em “contacto com as autoridades europeias”, uma vez que este “não é um problema exclusivamente de Portugal”. Reiterou ainda que o Executivo vai “recorrer a todos os mecanismos” que estiverem ao alcance para ajudar as populações.

O primeiro-ministro alertou para o prolongamento da situação de calamidade ainda nos “próximos dias”. “Ainda teremos alguns riscos associados a níveis alto de chuva e de vento”, salientou.

Questionado sobre o facto de as comunicações ainda não terem sido restabelecidas em parte do território e das falhas nas redes de emergência, Luís Montenegro respondeu que os contactos estão a ser feitos através das entidades de emergência, proteção civil, elementos da saúde, das forças de segurança. “Mas não podemos ter um instrumento de comunicação de emergência em cada cidadão”, frisou.

“A falta de energia elétrica acarreta a dificuldade das comunicações, acarreta a dificuldade de abastecimento de água, e de mecanismos que podiam reduzir os impactos que por isso a dificuldade acresce. Apelo à tranquilidade e serenidade dentro de um espírito complexo, de sofrimento e até de impotência. Estamos em contacto com o país e as pessoas”, garantiu.

Sobre a necessidade de decretar a situação de calamidade, Montenegro disse que os meios já estavam todos no terreno: “Não elevámos nenhuma prontidão, já estava a acontecer mesmo sem o decretar a situação de calamidade”. Contudo, explicou, facilita “mecanismos” de forma “mais expedita” para serem colocados “todos os trabalhos de recuperação no terreno”.

O Governo decidiu decretar “situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin”, segundo comunicado oficial do gabinete do primeiro-ministro divulgado esta quinta-feira.

“Reunido o Conselho de Ministros, na residência oficial do primeiro-ministro, que está ainda a decorrer, informamos que foi já decidido decretar a situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin”, lê-se na mesma nota.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro decidiu cancelar “a agenda externa, prevista para os próximos dias, nomeadamente as viagens a Andorra e à Croácia” para poder visitar “as zonas afetadas” pela depressão Kristin “no distrito de Leiria e Coimbra”.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, tinha planeado visitar esta quinta-feira Andorra, onde iria inaugurar o novo consulado-geral de Portugal no principado. Estava também previsto um encontro com o primeiro-ministro de Andorra, Xavier Espot Zamora. A agenda foi cancelada para o chefe do Governo poder visitar as zonas mais afetadas pelo mau tempo.

A depressão Kristin, que devasta o país desde quarta-feira, já terá provocado seis vítimas mortais. Desde a meia-noite e até às 8h foram registadas mais de 190 ocorrências. A essa hora, perto 450 mil famílias ainda continuavam sem luz. Ontem, até às 22h houve 5400 incidentes relacionados com o mau tempo.

As regiões mais afetadas são as de Leiria, do Oeste, seguem-se os distritos de Coimbra, Santarém e Lisboa. A maioria dos incidentes está relacionada com queda de árvores e estruturas e com o corte ou condicionamento de estradas e de linhas ferroviárias. Há ainda registo de cortes de luz, de água e de telecomunicações.

A Proteção Civil está em estado de prontidão especial nível 4, máximo, em toda a orla costeira, entre Viana do Castelo e Setúbal.

(Notícia atualizada às 14h10)

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