Na Turquia, Marinha deu “primeiro passo” na construção do navio que leva quase tudo até alto mar

  • Lusa
  • 29 Janeiro 2026

Este é o primeiro de dois navios reabastecedores que vão reforçar a Marinha portuguesa, com chegada prevista a Portugal em abril e dezembro de 2028. Cada navio tem um custo estimado de 100 milhões.

A Marinha portuguesa deu hoje o “primeiro passo” na construção do navio reabastecedor Luís de Camões que levará quase tudo até alto mar, desde combustível a bens e pessoal, numa parceria com as indústrias da Turquia. Previsto está um total de dois navios, com um custo por unidade de 100 milhões de euros, financiados pela Lei de Programação Militar.

“Hoje é um dia muito importante para Portugal e para a Marinha, porque demos o primeiro passo para a construção de navios, que não são apenas navios reabastecedores, são navios logísticos, eu diria quase polivalentes”, realçou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, à margem da cerimónia que assinalou o início da construção do Navio da República Portuguesa (NRP) Luís de Camões, nos estaleiros da ADA, na Turquia.

Este é o primeiro de dois navios reabastecedores que vão reforçar a Marinha portuguesa — o segundo será batizado D. Dinis — e que têm chegada prevista a Portugal em abril e dezembro de 2028.

O NRP Luís de Camões vai permitir levar até alto mar quase tudo: combustível para reabastecer navios e aeronaves, permitindo que as missões continuem sem necessidade de deslocações ao porto, mas também água potável, carga sólida geral e munições, além de oferecerem apoio logístico diversificado e funções hospitalares acrescidas para situações de catástrofe.

A aquisição resultou de um contrato assinado entre a Marinha Portuguesa e a empresa turca STM, com construção nos estaleiros da ADA, e vai permitir a Portugal recuperar uma capacidade que perdeu em 2020, com o abate do “Bérrio”.

Nuno Melo assinalou que a construção do navio, feita em território turco, será também feita em Portugal, através da incorporação de tecnologia de comunicações e sistemas, combinando conhecimentos portugueses com a indústria turca. “O resultado é uma nova classe de embarcações de última geração que estabelece um padrão a ser seguido por outras”, assinalou na sua intervenção.

Esta é a primeira vez que a Turquia, membro da NATO, exporta este tipo de navio para um membro da Aliança e da União Europeia, circunstância assinalada nos vários discursos dos representantes turcos presentes.

O ministro da Defesa do país, Yasar Güler, destacou o significado da parceira com Portugal, uma nação, à semelhança da sua, com tradição marítima, e realçou que num período de “incertezas globais crescente”, com “incertezas multidimensionais e riscos para a segurança marítima”, este tipo de colaboração é “mais importante do que nunca”.

Também o Secretário das Indústrias da Defesa da Turquia, Haluk Görgün, salientou que em “tempos desafiantes” a solidariedade entre aliados releva particular importância, e que este é “apenas o início” de uma “jornada muito maior” com Portugal, antecipando mais parcerias em breve.

A cerimónia assinalou o assentamento da quilha do navio, estrutura considerada a “espinha dorsal” de uma embarcação, que vai desde a proa até à popa, e na qual foi cunhada uma moeda com a imagem do poeta Luís de Camões, como gesto simbólico de boa sorte e proteção da guarnição.

O Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Nobre de Sousa, presente na cerimónia, disse estar em causa um “momento de júbilo” e destacou que este tipo de navios permite uma “Marinha oceânica” e não costeira, pelas funcionalidades que serão levadas até alto mar.

“Aquilo que nos une ao oceano, aquilo que nos une também, nas voz de outro grande poeta, é a língua, e este navio vai permitir unir as parcelas do nosso território e da diáspora, e nada melhor do que ser batizado com o nome de Camões, que é o nosso poeta maior”, enalteceu.

O custo do navio ronda os 100 milhões de euros por unidade, e as verbas serão da Lei de Programação Militar (LPM), com Nuno Melo a destacar a aquisição abaixo do preço de mercado.

Com 137 metros de comprimento, estes navios atingem uma velocidade máxima superior a 18 nós e contam com propulsão híbrida, combinando sistemas diesel e elétricos.

A guarnição será composta por 50 militares, havendo possibilidade para alojamento extra de mais 50 e capacidade temporária para mais de 100 pessoas.

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