Salários até 150 mil euros. Saiba quais são as profissões mais bem pagas em Portugal
Profissões ligadas à tecnologia dominam "ranking" elaborado pelo ManpowerGroup. Mas é o cargo de diretor financeiro (CFO) a arrebatar o título de profissão mais bem paga em Portugal.
Afinal, quais são as profissões mais bem remuneradas em Portugal? Com um salário que pode chegar aos 150 mil euros brutos anuais, o cargo de diretor financeiro (CFO) é, neste momento, o mais bem pago do país, de acordo com o ranking preparado pelo ManpowerGroup, a que o ECO teve acesso. Nessa tabela, estão também em destaque várias profissões ligadas à tecnologia.
Todos os anos, a referida consultora de recursos humanos prepara um ranking das dez profissões com os melhores ordenados em Portugal. No ano passado, por exemplo, foi o cargo de diretor-geral a arrebatar o “ouro”, seguindo-se o lugar de CTO/CIO e a posição de diretor industrial, conforme escreveu o ECO na altura.
Desta vez, o cenário é diferente. “A rápida evolução da inteligência artificial e de outras tecnologias emergentes, aliada à crescente complexidade dos modelos de negócio e a um contexto de instabilidade geopolítica e económica, está a redefinir o valor estratégico de inúmeras funções, para as quais o talento qualificado continua a ser escasso”, sublinha o ManpowerGroup.
“Esta edição reflete um mercado mais exigente, influenciado por um contexto económico e geopolítico instável, onde a escassez de talento qualificado persiste, sobretudo em funções tecnológicas altamente especializadas”, reforçam Nuno Ferro, brand lead da Experis, em declarações ao ECO.
Perante este cenário, a consultora de recursos humanos assinala que as posições mais bem remuneradas este ano destacam-se “tanto pelo nível de especialização que exigem, como pelo impacto direto que têm na tomada de decisão, na mitigação de riscos e na criação de valor a médio e longo prazo“.
Assim, desta vez, a posição cimeira do ranking é ocupada pelo cargo de chief financial offcer (CFO), com um salário associado que varia entre 90 mil e 150 mil euros brutos anuais.
“O CFO lidera e supervisiona a área financeira, assegurando a gestão diária e a estratégia de longo prazo. As suas funções abrangem desde o controlo do cash-flow e contabilidade até ao planeamento, gestão de riscos e conformidade“, detalha o ManpowerGroup, que defende que estes profissionais têm um papel “cada vez mais estratégico” no seio das organizações.
O CFO lidera e supervisiona a área financeira, assegurando a gestão diária e a estratégia de longo prazo. As suas funções abrangem desde o controlo do cash-flow e contabilidade até ao planeamento, gestão de riscos e conformidade.
“O CFO atua também como conselheiro do diretor executivo e do conselho de administração na tomada de decisões, avaliação de oportunidades de investimento e definição de objetivos financeiros da organização a longo prazo. Estabelece, também, uma relação com investidores e stakeholders financeiros baseada em transparência, rigor e credibilidade”, continua a consultora.
Este é um cargo, portanto, que exige ampla experiência em gestão financeira, formação avançada em gestão e finanças, além de competências técnicas diversificadas e soft skills. “Trata-se de um perfil altamente especializado e qualificado, normalmente associado a uma remuneração elevada”, é sublinhado no ranking a que o ECO teve acesso.

Já a “prata” volta a ser atribuída ao cargo de chief tecnology officer (CTO) e chief information officer (CIO), que são “funções cada vez mais essenciais” nas empresas, tendo em conta a transformção digital. Neste caso, o salário varia entre 70 mil e 150 mil euros brutos anuais.
“Esta liderança define a visão digital e tecnológica da organização, conduz projetos de modernização, supervisiona sistemas como ERPs e CRM, gere dados, soluções na cloud, segurança digital e iniciativas de inovação“, aponta o ManpowerGroup.
Segundo a consultora, esta função exige uma base técnica sólida, compreensão do negócio, capacidades de liderança, visão estratégica e comunicação.
Em 2026, os desafios de transformação digital e tecnológico assumem cada vez mais impacto na rentabilidade e futuro das organizações, fazendo desta uma das funções (CTO/CIO) mais bem valorizadas no mercado
“Em 2026, os desafios de transformação digital e tecnológico assumem cada vez mais impacto na rentabilidade e futuro das organizações, fazendo desta uma das funções mais bem valorizadas no mercado”, é salientado no ranking.
A completar o pódio está o cargo de diretor de engenharia e de diretor técnico, com uma remuneração que varia entre 90 mil e 130 mil euros brutos por ano.
“A escassez de perfis seniores com experiência consolidada em liderança técnica continua a influenciar a oferta salarial associada ao cargo de diretor de engenharia, ou diretor técnico”, comenta a consultora de recursos humanos, que indica que estes são profissionais séniores responsáveis pela visão técnica, estratégia, execução, e gestão de equipas e projetos de engenharia.
“Supervisiona orçamento, prazos e qualidade, combinando um elevado know-how técnico com fortes competências de liderança. Esta é uma função que exige formação avançada, como licenciatura ou mestrado em Engenharia (eletrotécnica, mecânica, civil, entre outras), vasta experiência em funções técnicas e de gestão de projetos e equipas, bem como competências humanas como liderança, pensamento estratégico, resolução de problemas e comunicação”, concretiza o ManpowerGroup.
Muita tecnologia e investment banking

Na quarta posição do ranking das profissões mais bem remuneradas, aparece um cargo que não figurou na edição do ano passado: diretor de investment banking, com um salário que varia entre 75 mil e 120 mil euros brutos por ano.
Em causa estão profissionais lideram “operações financeiras complexas, como fusões e aquisições (M&A), ofertas públicas iniciais (IPO) e emissões de dívida“, sendo responsáveis pela captação de novos negócios e pela gestão da relação com clientes corporativos e investidores.
“Com um forte foco comercial e estratégico, conduz avaliações e modelação financeira, supervisiona equipas de analistas e banqueiros juniores envolvidos na execução de negócios, para além de garantir a conformidade regulatória”, acrescenta o ManpowerGroup, que adianta que este cargo requer um mínimo de dez a 15 anos de experiência.
[No caso dos diretores de investment banking] a ampla experiência e especificidade do percurso profissional fazem deste um perfil muito específico e bem remunerado no mercado.
“A ampla experiência e especificidade do percurso profissional fazem deste um perfil muito específico e bem remunerado no mercado”, defende a consultora.
Já no lugar seguinte aparece um repetente: com um salário entre 70 mil e 120 mil euros brutos, o cargo de chief information security officer (CISO) volta a aparecer na quinta posição da tabela.
Estes são profissionais que garantem a segurança da informação de uma organização, protegendo dados, sistemas e infraestruturas contra eventuais ataques cibernéticos. Além disso, definem a estratégia de cibersegurança e são os responsáveis por gerir risco, compliance regulatória, fornecedores e resposta a incidentes.
“O aumento da frequência e da sofisticação dos ciberataques, aliado ao reforço crescente da regulamentação de segurança, tem vindo a exigir que as empresas se foquem cada vez mais em procurar perfis capazes de ocupar esta posição de forte responsabilidade legal e reputacional, o que a coloca entre as mais bem remuneradas em 2026″, realça o ManpowerGroup.
O aumento da frequência e da sofisticação dos ciberataques, aliado ao reforço crescente da regulamentação de segurança, tem vindo a exigir que as empresas se foquem cada vez mais em procurar perfis capazes de ocupar esta posição [CISO] de forte responsabilidade legal e reputacional.
O sexto lugar do ranking é ocupado por outro repetente: o cargo de cloud architect, com uma remuneração de 60 mil a 95 mil euros brutos anuais.
“Com a migração para a cloud a manter-se uma prioridade estratégica para as organizações, como fator chave para impulsionar a escalabilidade do negócio, a redução de custos operacionais e a inovação, os cloud architets estão entre os perfis mais procurados em 2026“, considera a consultora de recursos humanos, que explica que estes profissionais “devem garantir a privacidade, conformidade e o desempenho, assegurar a monitorização dos ambientes cloud“.
Da logística à engenharia

As quatro profissões que fecham o ranking das profissões mais bem remuneradas em Portugal são: engineering manager (65 mil a 90 mil euros por ano), platform engineer/site reliability engineer (60 mil a 90 mil euros por ano), data engineering lead/principal data engineer (60 a 85 mil euros por ano) e diretor de logística (60 a 80 mil euros por ano).
Quanto ao cargo de engineering manager, trata-se dos profissionais que lideram equipas de desenvolvimento de software, hardware ou produtos físicos, assegurando que as soluções desenvolvidas estão alinhadas com as necessidades e expectativas do negócio.
“Com a tecnologia a evoluir rapidamente e a procura por líderes que aliem conhecimento técnico com capacidades de gestão a crescer, esta função torna-se cada vez mais crucial, especialmente em áreas como automação, Inteligência Artificial e desenvolvimento de produtos digitais“, frisa a já mencionada consultora de recursos humanos.
Em Portugal, existe uma procura elevada por estes perfis [platform engineer/site reliability engineer], com várias vagas abertas e dificuldade das empresas em encontrar talento qualificado.
Já o cargo de site reliability engineer diz respeito ao profissional que se foca na fiabilidade do sistema de produção, enquanto o platform engineer é o responsável por criar plataformas internas para programadores com vista a aumentar a eficiência.
“Ambos automatizam tarefas rotineiras e melhoram a entrega de software“, avança o ManpowerGroup, que garante que em Portugal existe uma procura elevada por estes perfis, tanto em empresas nacionais como em multinacionais com operações no país.
Também existe forte procura quanto aos profissionais que ocupam a nona posição da tabela (data engineering lead/principal data engineer), especialmente nos setores de banca, indústria, retalho e software como serviço, revela a consultora de recursos humanos.
“Os data engineering lead e principal data engineer são responsáveis por desenhar, construir e gerir infraestruturas, plataformas e pipelines de dados em grande escala, assegurando que a informação é fiável, acessível e orientada para a criação de valor. Combinam expertise técnica com liderança estratégica, gestão de equipas e capacidade de comunicação entre áreas funcionais“, sublinha.
A fechar o ranking estão os diretores de logística, que são responsáveis por planear, coordenar e supervisionar toda a cada de distribuição de uma organização. Neste caso, as competências exigidas são a visão estratégica do negócio, a análise de dados, a resolução de problemas, a liderança, a comunicação e o conhecimento de tecnologia.
Escassez de talento técnico impulsiona salários

A escassez de trabalhadores não afeta apenas as funções qualificadas e de liderança. Há diversas profissões técnicas e especializadas que vivem hoje esse cenário, com uma elevada procura por profissionais e, consequentemente, com os salários a subir.
“Em Portugal, o talento técnico e especializado continua a ser altamente valorizado e bem remunerado, refletindo a importância estratégica destes profissionais para a operação e crescimento das empresas. A valorização da experiência e da especialização torna-se um fator decisivo para atrair e reter talento“, afirma Daniela Lourenço, brand lead da Manpower.
E que profissões técnicas estão em maior destaque? O “ouro”, neste caso, vai para a profissão de encarregado de obra, com um salário que varia entre 25.300 e 39.900 euros brutos por ano.
A procura por estes profissionais [encarregados de obra] é constante, abrangendo obras públicas, privadas, reabilitações e infraestruturas.
“A procura por estes profissionais é constante, abrangendo obras públicas, privadas, reabilitações e infraestruturas, sendo valorizadas capacidades de liderança de equipas, gestão de recursos e conformidade com o orçamento, supervisão técnica e de execução de projetos, controlo de prazos e qualidade e garantia de segurança e saúde no trabalho”, declara a consultora de recursos humanos.
Em declarações ao ECO, Daniela Lourenço detalha que a ascensão do encarregado de obra ao topo das remunerações técnicas está diretamente relacionada com a escassez de talento qualificado na construção civil, especialmente em funções intermédias de coordenação.
“Esta é uma das posições em que observamos maior desequilíbrio entre a procura das empresas e a oferta disponível no mercado. O aumento da atividade em obras públicas, projetos de reabilitação e grandes infraestruturas tem intensificado a procura por profissionais com experiência comprovada nesta função. Contudo, a oferta permanece limitada, fruto de um histórico défice de renovação de talento e da crescente complexidade”, relata a responsável.
Já a medalha “prata” é arrebatada, este ano, pelos técnicos de manutenção ou de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC), com um ordenado entre 21.600 e 34.400 euros anuais brutos. Esta profissão já figura em 2025 como uma das mais bem pagas em Portugal, tal como a que conquista, desta vez, o terceiro lugar do ranking: motorista de pesados, com um salário de 21 mil a 32.200 euros brutos por ano.

Em destaque estão ainda a profissão de mecânico industrial (25.200 a 29.400 euros brutos por ano) e de programadores de controlo numérico computorizado (22.400 a 25.200 euros brutos por ano).
“Os programadores de controlo numérico computadorizado criam programas para máquinas automatizadas, transformando desenhos técnicos (CAD) em comandos para cortar, furar ou moldar peças com precisão. São essenciais para produzir componentes de precisão. Dada a forte procura nas indústrias [de metalomecânica e moldes], trata-se de uma profissão com oportunidades claras de progressão de carreira, exigindo formação contínua e domínio de softwares para bons salários e ascensão profissional”, observa o ManpowerGroup.
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