Fundo de crise europeu de 430 mil milhões poderá ser mobilizado para defesa

  • eRadar
  • 30 Janeiro 2026

Pierre Gramegna, diretor-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade, admite que este poderá ser mobilizado para financiar esforços d defesa dos países.

Um fundo de crise europeu de mais de 430 mil milhões de euros poderá emprestar dinheiro aos países para reforçar a defesa. O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) poderá avançar com linhas de crédito, sem exigir reformas económicas, num momento de crescente tensão geopolítica, admitiu Pierre Gramegna, diretor-geral do MEE.

“Nestes tempos de turbulência geopolítica, que desencadearam maiores despesas e custos de defesa para todos os países, devemos utilizar todo o potencial do MEE”, disse Pierre Gramegna à Reuters (artigo em inglês/acesso não condicionado).

“Temos instrumentos”, disse. “É do melhor interesse da Europa usar todo o potencial”, considera. “É óbvio que a relação entre a Europa e os Estados Unidos está se tornando cada vez mais turbulenta.”

No pós-invasão russa da Ucrânia, a Europa tem vindo a investir no reforço das suas capacidades de defesa, esforços que ganharam maior urgência com o aumento de tensão com a administração de Donald Trump, presidente dos EUA, aliado histórico do Continente e com um papel decisivo na NATO.

Neste cenário, Pierre Gramegna indica um possível novo papel para o MEE, criado durante a crise da dívida para conceder empréstimos a países como a Grécia, mas que desde então se tornou praticamente redundante.

O recurso a linhas de crédito é “um dos nossos instrumentos”, disse. “Está disponível. Precisamos redescobrir o potencial desse instrumento”, aponta o diretor-geral. “É preciso garantir que essa possibilidade seja usada para despesas com a defesa”, disse ainda. “O objetivo principal é evitar que esse tipo de ferramenta seja combinado com a reestruturação da economia.”

A proposta de Pierre Gramegna espelha um programa de apoio de emergência do MEE, no valor de até 240 mil milhões de euros, criado durante a pandemia para ajudar os países a investir em saúde, que acabou por não ser utilizado, refere a Reuters.

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