E-Redes está a pôr em perigo milhares de empregos, acusa autarca de Pombal. “Uma vergonha”
E-Redes não dá soluções para repor energia em empresas que empregam milhares de pessoas, acusa autarca de Pombal. É uma vergonha o que se anda a passar", denuncia João Pimpão.
A incapacidade da E-Redes em repor a eletricidade, ou sequer alocar um gerador a uma empresa que assegura matéria-prima para a esmagadora maioria da indústria cerâmica nacional, está a pôr em causa toda esta fileira portuguesa, acusa o presidente da Junta de Freguesia de Meirinhas, concelho de Pombal. AO ECO/Local Online, à margem do congresso da associação de Freguesias (ANAFRE) que decorre este fim-de-semana em Portimão, João Pimpão traça um cenário de elevados danos por causa de depressão Kristin para um tecido empresarial de quase 200 empresas e uma faturação que supera os 250 milhões de euros anuais.
“Das nossas 180 empresas, tenho, neste momento, 170 sem telhado. Tenho 180 sem energia”, alertou o autarca, salientando o caso da Adelino Duarte da Mota. “É a principal produtora nacional de pasta para a indústria cerâmica, fornece toda a pasta cerâmica para as louças, para os revestimentos e para o chão, e 80% do mercado nacional do fornecimento para o mercado nacional da fileira cerâmica depende deles”, destaca o presidente da Junta de um território de apenas nove quilómetros quadrados, mas com cerca de 2.000 empregos diretos e vendas que, diz ao ECO/Local Online, atingiram 285 milhões de euros em 2023.

Numa crítica veemente, o autarca, a quem os empresários têm vindo manifestar a sua inquietação pela ausência de respostas da E-Redes, considera que “é uma vergonha o que se anda a passar”.
Das nossas 180 empresas, tenho, neste momento, 170 sem telhado. Tenho 180 sem energia. […] Toda a indústria cerâmica, neste momento, está em pré-ruptura de stock, porque não houve uma resposta da E-Redes,
“Toda a indústria cerâmica, neste momento, está em pré-ruptura de stock, porque não houve uma resposta da E-Redes – não é dos seus funcionários, não é dos seus técnicos, é de quem manda!”
João Pimpão considera que “a E-Redes tem mostrado que não aprendeu nada, nem com o apagão, nem com o [furacão] Leslie. Não há um plano prévio de proteção ou de resposta. Eles já deviam conhecer o nível de resposta e deviam prever isto”.
O alerta deixado pelo presidente da Junta de Freguesia vem juntar-se ao da própria empresa. Na quinta-feira, à Lusa, o diretor da empresa já tinha dado conta de haver “danos estruturais que comprometem a operação, mas temos parte da unidade que está pronta para trabalhar, só precisamos de abastecimento de energia elétrica. E esse é, neste momento, o nosso maior drama. Temos clientes que estão na iminência de parar por deixarem de ser abastecidos pela matéria-prima que nós fornecemos e isso pode acontecer por não termos energia elétrica”, disse, já lá vão mais de 48 horas.
[Há] danos estruturais que comprometem a operação, mas temos parte da unidade que está pronta para trabalhar, só precisamos de abastecimento de energia elétrica. E esse é, neste momento, o nosso maior drama. Temos clientes que estão na iminência de parar por deixarem de ser abastecidos pela matéria-prima que nós fornecemos e isso pode acontecer por não termos energia elétrica.
Explicando que a empresa dispõe de geradores, mas estes “não são suficientes para garantir a operação”, Fernando Nogueira Leite indicou, ainda nessas declarações de quinta-feira, que já estavam em curso contactos com a E-Redes.
“Temos capacidade de operar mesmo em situações transitórias e provisórias de emergência, até porque temos fachadas que foram completamente arrancadas, mas poderemos encontrar uma solução de recurso para operar provisoriamente e em situação de emergência, mas sem energia elétrica e sem comunicação não conseguimos operar”, disse o diretor da empresa pertencente ao grupo MCS Portugal.
Em agosto de 2024, no estudo de impacte ambiental entregue para exploração da mina de caulino da Serra do Branco, a Adelino Duarte da Mota apresentava-se como “um dos maiores fornecedores de matérias-primas para o fabrico de produto cerâmicos a nível nacional”. Empresa fundada em 1950, tem um capital social de 15 milhões de euros e, em 2022, faturou mais de 44 milhões de euros, lê-se no mesmo documento, onde se fica a saber igualmente que “conta com 95 colaboradores, centrando a sua atividade na produção e comercialização de pastas cerâmicas atomizadas destinadas ao fabrico de pavimentos, revestimentos e tableware”.
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