BPI tem um novo acionista de referência no seu banco em Angola

Grupo Carrinho, que já tinha manifestado interesse no BFA no passado, aproveitou o IPO para construir uma participação de 7,6% no banco angolano do BPI, que presta contas esta segunda-feira.

O BPI tem um novo acionista de referência no seu banco em Angola. E não é um nome propriamente estranho ao banco português. É o Grupo Carrinho, que já havia manifestado interesse no Banco de Fomento Angola (BFA) no passado. Sabe-se agora que este grupo do setor alimentar aproveitou o IPO para construir uma posição de 7,61% e que está avaliada em mais de 100 milhões de euros.

A entrada do Grupo Carrinho na estrutura acionista do BFA não surpreende. Quando o BPI colocou à venda a totalidade da sua participação no banco angolano em 2024, a empresa da família Carrinho foi um dos interessados. A operação não foi para a frente por conta da desvalorização acentuada do kwanza, a moeda angolana, mas foi uma questão de tempo.

Em setembro, o BFA avançou para a bolsa de Luanda, com a venda de cerca de 30% do capital por parte do Estado angolano (via Unitel) e do BPI por mais de 200 milhões de euros. Mais de 8.000 investidores participaram na operação e entraram para a estrutura acionista do banco, incluindo particulares, empresas e institucionais. Entre eles o Grupo Carrinho, liderado por Nelson Carrinho.

Segundo a comunicação enviada ao regulador da bolsa angolana na semana passada, a entrada do Grupo Carrinho no capital do BFA foi feita através de uma sociedade chamada Congolian Financial, que tem como beneficiários últimos justamente Nelson Carrinho e Rui Carrinho, presidente e vice-presidente do grupo angolano.

A aquisição dessa participação foi realizada em dois momentos: no IPO, em que o grupo adquiriu 1,13 milhões de títulos. Aos quais somaram mais de sete mil ações adquiridas posteriormente em mercado secundário. Com a valorização das ações no Bodiva, esta participação, correspondente a 7,61% do capital do BFA, está avaliada em cerca de 109 milhões de euros a preços de mercado.

Fundado em 1993, em Benguela, o Grupo Carrinho é o maior grupo do setor alimentar de Angola, contando com dezenas de lojas em todo o país. Em 2021, adquiriu o Banco de Comércio e Indústria por 30 milhões de dólares.

O BPI ainda detém 33,35% do BFA, uma participação meramente financeira, na medida em que o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa não tem qualquer interferência no processo de decisão da instituição angolana. O BPI apresenta os resultados de 2025 esta segunda-feira. Até setembro tinha registado um lucro de quase 400 milhões de euros, caindo 12% em termos homólogos.

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