Brasileiros preparam fábrica de Santo Tirso para produzir carregadores de veículos elétricos

Com perto de 900 trabalhadores em Portugal, onde já investiu mais de 70 milhões de euros, WEG reforça capacidade operacional com novo armazém logístico e produção de motores elétricos de grande porte.

A multinacional brasileira WEG, especializada no fabrico e comercialização de motores elétricos e outros componentes, está a expandir o parque industrial em Portugal com um novo armazém logístico de 7.500 metros quadrados que vai aumentar a capacidade operacional e libertar “áreas essenciais” para reforçar a produção de motores de média e alta tensão de grande porte, permitindo prazos de entrega ainda mais competitivos para aplicações industriais exigentes”.

Enquadrado num “modelo de leasing industrial de longa duração, permitindo à WEG Portugal reforçar a sua capacidade logística e operacional com flexibilidade e eficiência financeira” — a migração para o novo armazém logístico está já em curso e prevê que a infraestrutura esteja “plenamente operacional até ao final de abril” –, este investimento da gigante do Brasil “cria as condições para a futura produção local de carregadores para veículos elétricos”.

Luís Araújo, diretor-geral da WEG Portugal, confirma ao ECO que “a possível produção local de carregadores para veículos elétricos em Portugal está a ser estudada”, com a fábrica portuguesa a pretender “assumir-se como hub europeu da WEG para soluções de carregamento, abrangendo engenharia, produção, vendas e pós-venda para toda a região EMEA [Europa, Médio Oriente e África]”.

Luís Araújo, Diretor-geral da WEG Portugal

O gestor fala num “salto estratégico” ao nível das vendas, “contribuindo para a diversificação do portefólio e o crescimento em áreas que deverão registar taxas de crescimento a dois dígitos, reduzindo a dependência dos negócios tradicionais”. Já em termos de emprego, destaca que esta expansão pode gerar “postos de trabalho qualificados, reforçando o papel da unidade de Santo Tirso como centro de inovação e tecnologia verde”.

“Em 2026 e nos anos seguintes, a empresa prevê manter um nível de investimento anual que poderá ir até cerca de 5% da faturação, direcionado sobretudo para capacidade industrial, logística, inovação e eficiência operacional, suportando o crescimento e o reforço da competitividade em Portugal e na Europa”, garante Luís Araújo.

Já este ano, o grupo fundado em 1961 em Jaraguá do Sul, no estado de Santa Catarina, prepara-se para passar dos 800 para cerca de 900 trabalhadores em Portugal, onde é vizinha da fabricante francesa de estruturas aeronáuticas Airbus Atlantic. Um “crescimento equilibrado, alinhado com a evolução da atividade e com os investimentos em curso”, contextualiza o responsável.

A possível produção local de carregadores para veículos elétricos em Portugal está a ser estudada. A fábrica portuguesa pretende assumir-se como hub europeu da WEG para soluções de carregamento, abrangendo engenharia, produção, vendas e pós-venda para toda a região EMEA.

Luís Araújo

Diretor Geral da WEG Portugal

Presente em Portugal desde 2002, quando comprou a Efacec Universal Motors, no parque industrial de Santo Tirso começou por investir 15 milhões de euros na construção do Low Voltage Solutions Center e, mais recentemente, 23,5 milhões de euros na expansão da unidade com o High Voltage Solutions Center.

Com estes investimentos, concluídos há dois anos, a maior fabricante de motores elétricos do Brasil transferiu em definitivo as operações da Maia para as novas instalações que ocupam uma área total superior a 100 mil metros quadrados, dos quais mais de 45 mil de área coberta.

Além dos dois grandes polos de fabrico para soluções de baixa tensão e de alta tensão, estas instalações industriais no distrito do Porto albergam também um centro de investigação e desenvolvimento (I&D) e para testes de última geração no mercado europeu. No total, contabiliza ao ECO o porta-voz, a WEG já investiu mais de 70 milhões de euros em Portugal para “reforçar a sua capacidade industrial e logística e aumentar a competitividade no contexto europeu”.

A nível global, o portefólio da WEG inclui produtos como motores, variadores de velocidade, transformadores, compensadores síncronos (SynCon), sistemas de armazenamento de energia BESS e uma linha completa de carregadores para veículos elétricos, que são fabricados em 18 países. A subsidiária portuguesa lidera a coordenação de engenharia, o apoio à integração técnica, a preparação logística, a assistência à instalação e comissionamento e os serviços de ciclo de vida para o mercado europeu.

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