Custos da depressão Kristin superam os dois mil milhões, avança ministro
"A mobilização do Orçamento do Estado é muito superior ao que virá dessa solidariedade europeia", disse Castro Almeida. Governo vai usar Fundo de Solidariedade mas dinheiro vai demorar.
O levantamento dos custos do impacto da passagem da depressão Kristin, ainda que “grosseiro”, apontam para uma fatura superior a dois mil milhões de euros, revelou esta segunda-feira o ministro da Economia e da Coesão, em entrevista à Grande Edição da SIC Notícias. Explicando que Portugal não pode estar dependente do apoio do Fundo de Solidariedade da União Europeia, Castro Almeida conformou que Portugal se vai candidatar a este fundo, mas o esforço do Orçamento do Estado será muito superior.
“Estamos a terminar o levantamento dos custos, que é ainda muito grosseiro, vai muito lá dos 600 milhões de euros. Está bastante acima dos dois mil milhões de euros“, revelou Castro Almeida.
Para aceder ao Fundo de Solidariedade da União Europeia, os prejuízos teriam no mínimo de ascender a 1,5% do PIB da região. Castro Almeida deu o número – 600 milhões de euros. “Os prejuízos são muito superiores”, garantiu o responsável, acrescentando que o país tem 12 semanas para poder concorrer ao Fundo de Solidariedade. “Quando fizermos o pedido vai demorar meses a vir a resposta”, alertou.
“Dão-nos 12 semanas porque é preciso fazer uma descrição pormenorizada de quais são os prejuízos, coisa que neste momento está a ser feito esse levantamento”, explicou o ministro da Economia e da Coesão, garantindo que não vão “chegar ao limite das 12 semanas”, e que vão “apresentar tão cedo quanto possível”.
“É ponto assente que vamos apresentar esse pedido. Mas não vale a pena ficar à espera desse dinheiro porque é pouquíssimo o dinheiro que vem“, frisou. Castro Almeida deu um exemplo: “Se tivermos prejuízos de mil milhões de euros o que viria da União Europeia seriam 25 milhões. É uma gota de água, mas é claro que vamos pedir esse dinheiro“.
“Não vamos dispensar nenhum, mas não é isso que vai resolver os nossos problemas”, enquadrou o ministro da Economia e da Coesão Territorial que esteve esta segunda-feira reunido, juntamente com o ministro das Infraestruturas e Habitação, com o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin, em Leiria.
“A mobilização do Orçamento do Estado é muito superior ao que virá dessa solidariedade europeia, embora vamos tentar o exercício de ir aos nossos fundos estruturais, ao Fundo de Coesão, adaptá-lo para poder apoiar”, acrescentou.
Recorde-se que o excedente orçamental de 2026 é assegurado graças aos 311 milhões de projetos financiados com empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que caíram – expansão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa e o Hospital de Todos os Santos.
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