“E-Redes tem feito o máximo que pode numa situação muito difícil”, afirma ministra
Em relação a fundos para fazer face aos danos da tempestade, a ministra do Ambiente afirmou que "várias opções estão a ser trabalhadas", nomeando o Fundo de Solidariedade.
A “E-Redes tem feito o máximo que pode, numa situação muito difícil“, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, confrontada pelos jornalistas com a demora na reposição da eletricidade nas zonas afetadas pela tempestade Kristin. Esta manhã, 161 mil clientes continuavam sem acesso à eletricidade, estando 110 mil destes clientes concentrados em Leiria.
A ministra realçou que “estamos perante uma catástrofe de grandes dimensões que pôs por terra maior a parte dos postes de eletricidade“, afetando alta, média e baixa tensão. Maria da Graça Carvalho tem a indicação que as questões em relação à alta tensão já estão resolvidas, faltando ainda dar resposta a falhas na média e baixa tensão. A falta de água já estará “praticamente resolvida”, devido aos geradores fornecidos às companhias das águas.
Em paralelo, salientou que a E-Redes tem quase a totalidade dos trabalhadores focados nas zonas afetadas e que há limitações técnicas, como por exemplo só ser possível que dois trabalhadores de cada vez sejam elevados ao nível de um poste. Garantiu que haverá, dentro dos próximos dois dias, uma conferência de imprensa com E-Redes e REN para explicar o que está a ser feito.
Contudo, a governante não endereçou as questões relacionadas com o cumprimento, ou não, do previsto nos contratos de concessão, nem sobre os geradores não terem todos sido disponibilizados logo à partida: inicialmente foram atribuídos cerca de 250 às zonas afetadas, e agora estarão a ser encaminhados mais 200.
Do lado das autarquias afetadas, por outro lado, chegam alertas. O presidente da Junta de Freguesia de Meirinhas, concelho de Pombal, João Pimpão, afirmou ao ECO/Local Online que a incapacidade da E-Redes em repor a eletricidade e alocar geradores a uma empresa que assegura matéria-prima para a esmagadora maioria da indústria cerâmica nacional, está a pôr em causa toda esta fileira portuguesa. O mesmo traça um cenário de elevados danos por causa de depressão Kristin para um tecido empresarial de quase 200 empresas e uma faturação que supera os 250 milhões de euros anuais.
Apoios para a tempestade Kristin em suspenso
Em relação a fundos para fazer face aos danos da tempestade, a ministra do Ambiente afirmou que “várias opções estão a ser trabalhadas”, nomeando o Fundo de Solidariedade. A autorização para o uso destes fundos depende de um valor mínimo de danos, de 1,6 mil milhões de euros. Segundo a ministra, estão a ser contabilizados os danos. Em relação ao Plano de Recuperação e Resiliência, e uma possível reprogramação, indica que “está a ser tratado nos canais de negociação com o ministro da economia”.
O comissário europeu da Energia, Jan Jorgensen, afirma que está a ser discutido ao nível da Comissão Europeia quais serão os próximos passos. “É demasiado cedo para dizer como tudo se irá desenrolar”, indicou, ao mesmo tempo que sublinhou a existência de “diferentes instrumentos”.
De acordo com a agência Lusa, a Comissão Europeia não recebeu pedidos de Portugal para alterar o Plano de Recuperação e Resiliência nas regiões afetadas pela tempestade Kristin, ou ativar o mecanismo europeu de proteção civil, instando antes à utilização do fundo de solidariedade. A agência cita o porta-voz do executivo comunitário para a tutela da Coesão e Reformas, Maciej Berestecki, na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas. ” Portugal tem a possibilidade de alterar o plano de recuperação, [mas] ainda não foi feito qualquer pedido”, afirmou o mesmo.
Já a porta-voz principal da Comissão Europeia, Paula Pinho, reconheceu que “a avaliação dos danos ainda está em curso e, infelizmente, estão previstas mais condições meteorológicas adversas nos próximos dias, o que significa que poderão ainda ocorrer mais danos”, considerando que, “idealmente, os fundos que se aplicariam numa situação como esta são o Fundo de Solidariedade e os fundos da política de coesão”.
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