ECO da Campanha. Seguro doa lonas e Ventura pede a Montenegro para se “retratar”

A tempestade Kristin voltou a dominar a campanha desta segunda-feira. O candidato apoiado pelo PS aproveitou para fazer um donativo, enquanto o líder do Chega apontou baterias ao primeiro-ministro.

A tempestade Kristin voltou a dominar a campanha desta segunda-feira. António José Seguro aproveitou para fazer um donativo, enquanto André Ventura apontou baterias ao primeiro-ministro. Mas o candidato apoiado pelo PS também não poupou críticas ao Governo e à Proteção Civil pela demora na reposição da energia elétrica nas zonas afetadas pela depressão, no dia em que Seguro andou por Elvas e Campo Maior e o líder do Chega esteve em Chaves e Aveiro.

Tema quente

Seguro doa lonas e Ventura pede a Montenegro para se “retratar”

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O candidato à Presidência da República, André Ventura, durante uma visita a uma empresa de transformação de madeiras em Chaves, Vila Real, 2 de fevereiro de 2026.TIAGO PETINGA/LUSA

O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, exigiu ao primeiro-ministro que se retrate depois de ter “dado a entender” que as mortes devido ao mau tempo foram responsabilidade dessas pessoas.

“Numa intervenção do primeiro-ministro, ele basicamente está a entender que a responsabilidade das pessoas que morreram é delas próprias. E, portanto, que as pessoas não conseguiram evitar esta consequência, dando a entender que foi pelo seu comportamento que acabaram por morrer”, afirmou.

O candidato a Presidente da República falava aos jornalistas antes de uma visita à empresa Madeiras Alto Tâmega, em Chaves, no distrito de Vila Real, inserida na campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para domingo.

André Ventura salientou que “não foi” essa a situação e que as pessoas “não estavam à espera” do mau tempo que tem afetado o país nos últimos dias.

“No máximo foi por inação do Estado que acabaram por morrer”, defendeu. André Ventura disse esperar que estas declarações tenham sido “um lapso”. “Eu penso que o primeiro-ministro terá, e espero que tenha, a oportunidade de se retratar em relação a estas palavras”, desafiou.

O candidato presidencial António José Seguro aproveitou para doar 1.500 metros de material não impresso destinado a cartazes de propaganda política para fazer lonas de cobertura para as casas afetadas pela tempestade Kristin.

De acordo com a candidatura, Seguro abdicou de colocar um cartaz e entregará “1.500 metros de lonas para cobrir telhados e equipamentos de famílias afetadas” pela tempestade Kristin, que afetou a região Centro na noite de terça para quarta-feira.

“É material que não está impresso, portanto sem qualquer mensagem” política, refere a mesma fonte, adiantando também que as lonas começaram a ser entregues hoje e o “processo de distribuição estará concluído até ao final do dia”.

Segundo a candidatura, as lonas serão entregues aos bombeiros voluntários de Leiria, Castelo Branco, Ourém (distrito de Santarém) e Condeixa-a-Nova (distrito de Coimbra), e cada um “fará depois a distribuição no seu distrito, de acordo com as necessidades”.

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O candidato à segunda volta das eleições à Presidência da República, António José Seguro, durante uma ação com apoiantes em Elvas, 2 de fevereiro de 2026.JOSÉ COELHO/LUSA

Mas António José Seguro também não poupou o Governo. Numa visita ao Museu Aberto, em Campo Maior, voltou a falar sobre a situação na região centro com uma crítica ao tempo que está a demorar a reposição de energia.

O candidato presidencial deixa para a Proteção Civil e para o Governo a definição dos melhores mecanismos para responder às pessoas e diz apenas que o que defende é que sejam “ativados todos os instrumentos, quer públicos quer privados, para acudir às pessoas.”

“Não podemos ter uma reação em que se demora quase uma semana a repor a energia elétrica em casa das pessoas”, disse Seguro em declarações aos jornalistas, defendendo que “todos os instrumentos públicos e privados devem ser mobilizados”.

Seguro considera que “fenómenos desta natureza vão ser mais frequentes e temos de ter um Estado mais eficiente para responder em tempo útil a estas tragédias”.

Recusou fazer comentários sobre as palavras da ministra da Administração Interna, sobre não saber o que falhou no apoio rápido às populações. Voltou a dizer que “haverá um momento de avaliação e de tirar ilações para o futuro” e sobre isso falará “no momento certo”.

Figura

Leonor Beleza apoia candidatura de Seguro “sem reservas”

Leonor Beleza à chegada ao 42.º Congresso Nacional do PSD realizado em Braga, 20 de outubro de 2024. HUGO DELGADO/LUSAHUGO DELGADO/LUSA

A primeira vice-presidente do PSD, que apoiou Marques Mendes na primeira volta, anunciou esta segunda-feira que apoia “sem reservas” António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, por ser o candidato da moderação, que valoriza e une os portugueses.

“Na segunda volta das presidenciais, não estará o candidato que eu desejava. Mas está um candidato que apoio sem reservas: quem me conhece sabe que é o candidato moderado, e não o radical. Aprecio a moderação, detesto os radicalismos”, afirmou Leonor Beleza, numa declaração escrita.

Beleza disse apreciar “quem valoriza os portugueses, e não os acusa de não terem sabido escolher os seus representantes durante 50 anos, desde que temos essa liberdade”.

“Aprecio quem nos respeita, mas não quem despreza e condena todos os que servimos o nosso país. Aprecio quem deseja unir-nos, ajudar-nos a juntos enfrentar desafios e dificuldades. Não quem nos divide em puros e impuros, em bons e maus, em santos e pecadores. E, já agora, acredita que a maioria é impura, má e pecadora”, sustenta.

“Aprecio quem se afirma com urbanidade, discute de forma civilizada, não insulta, e não quem acha que precisa de ser rude, de desprezar os adversários, de acusar a generalidade dos portugueses de não saber escolher os seus representantes. Aprecio a serenidade, detesto o ruído feito arma política!”, prosseguiu. “Votarei em António José Seguro”, declarou.

Frase

"Numa intervenção do primeiro-ministro, ele basicamente está a entender que a responsabilidade das pessoas que morreram é delas próprias. E, portanto, que as pessoas não conseguiram evitar esta consequência, dando a entender que foi pelo seu comportamento que acabaram por morrer.”

André Ventura

Candidato presidencial apoiado pelo Chega

Número

6

Dez anos depois, António José Seguro voltou a ter de entregar uma declaração de rendimentos por ser candidato presidencial. O documento entregue em dezembro trazia várias novidades sobre o património do socialista: já não tem passivos e aparentemente deixou de ser proprietário de veículos. Mas a declaração entregue por Seguro na Entidade para a Transparência está incompleta, porque o socialista não declarou o património das empresas de que é sócio-gerente. Entretanto, decidiu revelar a informação publicamente, no site oficial.

A empresa familiar de Seguro, que explora alojamentos locais na sua terra natal, é proprietária de seis casas, todas localizadas na mesma rua de Penamacor, e uma viatura ligeira avaliada em 22,5 mil euros. O candidato presidencial também detalhou o património da empresa que abriu para vender azeite e vinho regional: é proprietária de um terreno agrícola de 3,6 hectares e de uma viatura de mercadorias avaliada em 6,3 mil euros.

Norte-Sul

As caravanas de Seguro e Ventura terão apenas uma ação de campanha prevista para esta terça-feira. O candidato apoiado pelo PS vai estacionar no distrito de Castelo Branco para uma visita ao parque empresarial de Proença-a-Nova.

O candidato apoiado pelo Chega voltou a escolher um dos pontos afetados pela depressão Kristin, no distrito de Lisboa. Tem marcada uma visita à empresa Carmo & Silvério, em Torres Vedras, uma das empresas devastadas pela tempestade.

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