Marinha recebe porta-drones de 132 milhões no “último semestre”
Com luz verde em 2023, o NRP D. João II é o primeiro porta-drones da Marinha Portuguesa e o único navio com essas características da União Europeia.
É o primeiro porta-drones da Marinha Portuguesa e o único navio com essas características da União Europeia. O NRP D. João II tem data de entrega para “o último semestre de 2026” e implica um investimento de 132 milhões de euros.
“O NRP D. João II foi projetado para assegurar presença sustentada no mar, com autonomia de até 45 dias, o que lhe permite operar por longos períodos sem necessidade de apoio logístico próximo. Esta capacidade, aliada à sua arquitetura modular, amplia significativamente o raio de ação nacional e permite a execução contínua de um vasto conjunto de missões“, adianta fonte oficial da Marinha Portuguesa quando questionada pelo ECO/eRadar sobre as capacidades adicionadas em termos de missões com o navio.
Com um comprimento total de 107,6 metros, o D.João II, funcionará como um porta-drones de veículos aéreos, terrestres e submarinos, permitindo “missões científicas” ou a “recolha, processamento, tratamento e transmissão de dados sobre o mar português”, por exemplo.
Mas não só. Missões de segurança — “assistência em caso de catástrofes” ou “busca e salvamento no mar” — e de soberania, como “vigilância, inspeção e fiscalização no mar português” ou de “evacuação de cidadãos de zonas perigosas ou de conflito“, são igualmente capacidades permitidas com este navio que deverá reforçar a frota da Marinha Portuguesa ainda este ano.

“A capacidade de recolha e tratamento de dados em tempo real, bem como a elevada interoperabilidade entre entidades civis e militares, reforça ainda mais a eficácia destas missões, tanto no Atlântico como noutras áreas estratégicas de interesse nacional”, refere fonte oficial da Marinha Portuguesa.
De acordo com a informação prestada pelo Governo, aquando da luz verde ao projeto, em 2023, o navio tem capacidade para alojar uma guarnição de 48 elementos, a que se somam mais 42 para cientistas e operadores de sistemas não tripulados, permitindo o alojamento temporário de cerca de 100 pessoas.
O corte da primeira chapa foi em outubro de 2024, nos estaleiros navais da Damen, em Galati, na Roménia, com a data de entrega prevista para o “último semestre de 2026”, aponta fonte oficial da Marinha Portuguesa.

Novos reforços de frota
Com um custo total de 132 milhões de euros — dos quais 94,5 milhões de euros via Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) —, o navio é um dos reforços previstos da frota da Marinha este ano. Mas não é o único que a Marinha tem planeado.
Para abril e dezembro de 2028, espera-se a entrega de dois navios reabastecedores — o Luís de Camões e o D. Dinis — que vão permitir levar até alto mar combustível para reabastecer navios e aeronaves, aumentando o tempo de permanência das missões em alto mar, mas também de alimentos, munições, bem como funções hospitalares acrescidas para situações de catástrofe.
O assentamento da quilha do Luís de Camões, o primeiro a ser entregue à Marinha, foi feito na semana passada, nos estaleiros da ADA, na Turquia, e resulta de um contrato assinado entre a Marinha Portuguesa e a empresa turca STM. Os navios, com um custo total de 200 milhões de euros, vão permitir à Marinha recuperar uma capacidade perdida com o abate do navio abastecer Bérrio.
E, no âmbito dos 5,8 mil milhões do programa SAFE, está prevista a compra de fragatas. O programa SAFE português já foi aprovado pela Comissão Europeia e a primeira tranche do empréstimo deve chegar em março. A primeira de três fragatas de nova geração deverá em 2029 e “as restantes” até ao final da década, referiu Nuno Melo, ministro da Defesa, na sua recente visita à Turquia.
“Nos próximos cinco anos, até ao final da década, em 2030, serão entregues à Marinha doze novos navios, não é coisa pouca”, referiu Nuno Melo, referindo igualmente, os Navios de Patrulha Oceânico (NPO’s), cuja primeira embarcação vai chegar em 2027.
“Este é um ímpeto reformista que a Marinha vem imprimindo a si própria, que a tutela vem executando do lado da Marinha desde o primeiro dia”, sublinhou o ministro.
(notícia atualizada com mais informação)
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