NATO realiza os maiores exercícios militares do ano sem participação dos EUA
Os exercícios "Steadfast Dart 2026", que se prolongam até 20 deste mês com manobras no mar Báltico, visam testar a capacidade de reação da NATO a um ataque contra um Estado-membro.
A NATO iniciou domingo os maiores exercícios militares da Aliança previstos para 2026, envolvendo cerca de 10.000 efetivos de 11 países e sem a participação dos Estados Unidos.
Os exercícios “Steadfast Dart 2026”, que se prolongam até 20 deste mês com manobras no mar Báltico, visam testar a capacidade de reação da NATO a um ataque contra um Estado-membro.
Mais especificamente, estes exercícios pretendem testar o destacamento rápido da Força de Reação Aliada (ARF) da NATO a longas distâncias, num cenário simulado de conflito emergente com um adversário de poder quase equivalente, bem como demonstrar as capacidades operacionais e estratégicas da Aliança Atlântica.
O exercício, sob o comando do Quartel-General da Força Conjunta de Brunssum (Países Baixos), conta com a participação de Espanha, Turquia, Itália, Bulgária, República Checa, Alemanha e Grécia, além do apoio adicional da Bélgica, França e Reino Unido, indicou a NATO em comunicado. Portugal está envolvido só na parte inicial dos exercícios navais.
Os Estados Unidos, que participaram em outras edições do “Steadfast Dart”, ficam fora das manobras militares, a decorrer sobretudo ao largo da costa da Alemanha, uma coincidência — dado que os países anfitriões rodam.
Estes exercícios ocorrem, ainda assim, num contexto de escalada de tensões entre os aliados, após as pretensões de Washington sobre a Gronelândia, território pertencente a outro Estado-membro da NATO.
A operação está estruturada em três fases, que cobrem todo o ciclo de uma hipotética missão de destacamento perante um ataque a um dos aliados. Numa primeira fase, as forças deslocam-se das bases de origem para a Alemanha, por via terrestre, marítima e aérea, em longas distâncias, com o objetivo de testar a mobilidade estratégica da Aliança. A segunda fase, considerada o núcleo do exercício, decorre entre 9 e 20 deste mês e inclui treinos multinacionais destinados a integrar as capacidades terrestres, aéreas, marítimas, cibernéticas e de operações especiais dos países participantes. A terceira e última fase contempla a retirada coordenada das forças envolvidas e o respetivo regresso aos países de origem, completando o ciclo de destacamento e de redestacamento.
A NATO indicou que o “Steadfast Dart 2026” reforça a postura de dissuasão da Aliança, ao garantir que as forças podem reforçar rapidamente um território aliado quando necessário, constituindo também uma demonstração de unidade e força para assegurar a segurança da área euro-atlântica.
A Aliança sublinhou ainda que as manobras são de natureza defensiva, transparentes, proporcionadas e realizadas em respeito pelas obrigações internacionais.
A Marinha espanhola exerce o comando do Componente Marítimo da Força de Reação Aliada (ARF) desta operação, através do Spanish Maritime Forces Headquarters (Spmarfor), estacionado em Rota, na província de Cádis, coordenando fragatas, caça-minas, aviões de patrulha marítima, helicópteros, veículos não tripulados e a força anfíbia.
A componente marítima do exercício decorre em águas ao largo das costas alemãs do mar Báltico e do mar do Norte, envolvendo cerca de 15 navios de países aliados. Participam ainda forças anfíbias, aviões de patrulha marítima, helicópteros e drones.
Na quinta-feira, partiram de Rota seis navios, os espanhóis Castilla e Cristóbal Colón, juntamente com meios turcos como o porta-aeronaves Anadolu, o navio logístico Derya e as fragatas Istambul e Oruçreis. No total, a componente marítima reúne cerca de 2.000 marinheiros, aviadores e fuzileiros.
Durante a travessia para o mar Báltico, com destino ao porto alemão de Kiel, serão realizados treinos conjuntos com forças de países aliados como Portugal, França e Países Baixos, para reforçar a interoperabilidade e a prontidão operacional da Aliança Atlântica.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
NATO realiza os maiores exercícios militares do ano sem participação dos EUA
{{ noCommentsLabel }}