Presidenciais: Em semana da depressão Kristin, de que falaram os candidatos e com que resultados?
Com a primeira semana de campanha para as presidências marcada pela depressão Kristin, os candidatos alteraram agendas e narrativas. A análise é da Carma, para o ECO/+M.
A depressão Kristin dominou as agendas mediáticas, condicionando a dinâmica da campanha e deslocando o foco dos temas programáticos para questões de gestão de crise e liderança em emergência. Esta sobreposição beneficiou narrativas de experiência governativa e capacidade de gestão.
Esta é uma das principais conclusões da analise às notícias e posts/comentários no X à primeira semana da campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, elaborada pela Carma para o +M.
De acordo com a análise, a primeira semana da segunda volta apresentou uma disputa equilibrada em termos de volume mediático, com André Ventura a registar uma vantagem marginal de 4 pontos percentuais. “Este equilíbrio sugere uma corrida competitiva sem domínio claro de um candidato”, realça a Carma.
Em termos de sentimentos gerados, ambos os candidatos “beneficiaram de cobertura maioritariamente positiva, com Seguro a apresentar ligeira vantagem (66% vs 61% positivo)”. “A cobertura negativa manteve-se em níveis controlados para ambos, indicando uma campanha sem grandes controvérsias ou crises reputacionais”, aponta. António José Seguro também regista menos cobertura negativa (10% vs 13%).
Nesta primeira semana, entre 25 de janeiro e 6 de fevereiro, existiu “uma cobertura mediática equilibrada entre os dois candidatos“, embora com uma ligeira vantagem quantitativa para André Ventura, com 52% do total de artigos, comparado com 48% de António José Seguro.
- Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Com grande parte desta primeira semana marcado pela sobreposição da campanha eleitoral com a crise causada pela depressão Kristin, que dominou as agendas noticiosas e condicionou a dinâmica da campanha, os meios digitais lideraram a distribuição mediática, representando 46% da cobertura de Ventura e 52% da de Seguro, descreve a Carma.
Quanto às narrativas dominante dos dois candidatos, há várias diferenças entre os temas de André Ventura e de António José Seguro.
Narrativas Dominantes de André Ventura
- Gestão de Crise e Liderança – A cobertura de Ventura durante a semana foi fortemente condicionada pela depressão Kristin. A narrativa focou-se na sua resposta à crise, com destaque para declarações sobre apoio às populações afetadas e críticas à gestão governamental. O sentimento foi maioritariamente neutro, com foco na reportagem factual das suas posições.
- Segurança e Ordem Pública – Manteve-se como tema central da campanha de Ventura, com artigos a destacarem propostas de reforço policial e combate à criminalidade. Este tema gerou cobertura predominantemente positiva nos meios que destacaram as suas propostas concretas.
- Mobilização Eleitoral – Cobertura significativa das iniciativas de campanha, comícios e estratégias de mobilização de eleitores, particularmente dos apoiantes de candidatos eliminados na primeira volta. O tom foi equilibrado entre positivo e neutro.
Narrativas Dominantes de António José Seguro
- Experiência Governativa e Estabilidade – A narrativa dominante posicionou Seguro como candidato da experiência e estabilidade institucional. A cobertura destacou o seu percurso político e capacidade de gestão, particularmente relevante no contexto da crise da tempestade, com um sentimento predominantemente positivo.
- Políticas Sociais e Habitação – Forte ênfase nas propostas de políticas sociais, com destaque para habitação e apoio às famílias. A cobertura foi amplamente positiva, com os meios a destacarem a tangibilidade das propostas apresentadas.
- União Nacional e Consenso – Posicionamento como candidato de consenso e união nacional, particularmente apelativo no contexto de crise. A narrativa foi reforçada por apoios de figuras de diferentes quadrantes políticos, registando um sentimento maioritariamente positivo.
Quanto aos temas políticos mais mencionados, a Carma destaca, em André Ventura, a segurança, governação local, imigração e transportes, não tendo sido identificados temas específicos dominantes. Na campanha de António José Seguro, a cobertura associou-se “fortemente” aos temas de habitação, saúde, educação e transição climática.
Em termos de contexto temático, a análise revela que ambos os candidatos “mantiveram agendas temáticas diversificadas, mas a crise da tempestade Kristin dominou o enquadramento noticioso, condicionando a discussão de temas programáticos mais específicos”.
No que toca à mobilização de eleitors, “a transferência de votos dos candidatos eliminados emergiu como tema estratégico central, com ambos os candidatos a disputarem ativamente os eleitores de João Cotrim Figueiredo e outros candidatos da primeira volta”.
A Carma destaca ainda que a predominância dos meios digitais (46-52% da cobertura) “confirma a importância das estratégias online e da capacidade de gerar conteúdo para plataformas digitais”. “As redes sociais mostraram-se particularmente relevantes para Ventura”, aponta.
“Na segunda volta, o desafio central deixou de ser a mobilização do seu próprio eleitorado e passou a ser a conquista dos indecisos e dos eleitores órfãos da primeira volta. O debate de 27, que marcou o arranque oficial da campanha da segunda volta, mostrou dois estilos claros. Um que procura ser mais agregador, que procura legitimar o voto pela estabilidade, por temas como a saúde, capacidade de resposta em tempo de crise e pela leitura institucional e constitucional dos poderes presidenciais, e outro mais confrontacional e crítico, que assenta num discurso de clivagem política com o presente, com foco na legislação laboral, na imigração e na crítica à falta de apoio às populações afetadas pelas condições climáticas”, descreve Filipe Manuel Pereira, diretor-geral da Carma.
“A eficácia de cada campanha mede-se hoje menos pela intensidade do discurso e mais pela sua capacidade de oferecer razões de voto credíveis a quem ainda não se revê plenamente em nenhum dos lados”, conclui o responsável.
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