Queda da margem leva lucro do BPI a cair 13% em 2025

Aumento do volume de negócios não compensou quebra de 10% da margem financeira. Banco vai pagar dividendo de 428 milhões de euros ao acionista Caixabank.

O BPI registou lucros de 512 milhões de euros em 2025, menos 13% em relação ao ano anterior. O resultado foi pressionado pela queda de 10% da margem financeira, isto apesar do aumento do volume de negócios. O banco português liderado por João Pedro Oliveira e Costa prepara-se para entregar um dividendo de 428 milhões de euros ao acionista espanhol Caixabank.

O crédito aumentou 7% e os recursos de clientes (incluindo depósitos) subiram 9%. Ainda assim, a normalização das taxas de juro levou a margem do banco a recuar para 875 milhões de euros, quase menos 100 milhões do que no ano transato. “Já se nota um alisamento na queda das taxas. Acredito que ficaremos por onde estamos agora”, explicou João Pedro Oliveira e Costa, CEO do banco, em conferência dos resultados anuais. “Estamos nos 2%, acreditamos que ficamos entre este valor e 2,3%”, acrescentou mais tarde.

As comissões líquidas também recuaram 6% para 307 milhões de euros. Nos outros proveitos líquidos o banco dá conta de 18 milhões de euros a entrar por conta da reversão do adicional de solidariedade por parte do Tribunal Constitucional. Tudo isto que fez com que o produto bancário cedesse 8% para 1,29 mil milhões de euros.

Em Portugal, o resultado líquido registou um decréscimo de 4% para 489 milhões de euros. Já o contributo do angolano BFA aumentou 4% para 43 milhões. O moçambicano BCI contribuiu com 20 milhões, metade do ano anterior, perante o registo de imparidades com o agravamento da notação de risco do país.

Garantia pública dá gás ao crédito da casa

No crédito à habitação, as novas operações atingiram os 3,9 mil milhões de euros, mais 35% em relação a 2024, com o banco a explicar que aproveitou a boleia da garantia pública para jovens para aumentar a sua quota. Na linha pública, o banco concedeu 1,1 mil milhões de euros através de 5,6 mil contratos junto de jovens.

No crédito a empresas, a carteira aumentou 3% para 12,4 mil milhões de euros, o que não impediu, ainda assim, uma perda de quota.

Quanto aos recursos, somaram 7% no que toca a depósitos (32,5 mil milhões) e 18% nos recursos fora de balanço (11,2 mil milhões).

Mais 242 trabalhadores

O banco realça ainda que conseguiu conter o aumento dos custos. Subiram 4% para 508 milhões de euros, levando o rácio cost-to-income a subir dos 37% em 2024 para 42% em 2025. “Foi um controlo ao nível da inflação”, frisou Oliveira e Costa.

Os custos com pessoal subiram para 259 milhões, subindo quase 5% em termos homólogos.

No final do ano passado, a instituição tinha 4.476 trabalhadores, mais 242 trabalhadores do que tinha um ano antes. O banco contratou mais pessoal, mas também saiu menos gente. O custo com reforma antecipadas e rescisões voluntárias ascendeu apenas a um milhão de euros, quando em 2024 foi de 65 milhões.

Banco paga dividendo de 428 milhões

Em relação ao dividendo, que ainda tem de ser aprovado pelo acionista em assembleia geral, João Pedro Oliveira e Costa revelou que se situará na ordem dos 428 milhões de euros. “Acredito que andará muito perto desse valor. Os rácios nos 14% estão bem. E não vejo necessidade de pagar menos”, explicou aos jornalistas.

A política de dividendos do banco corresponde à entrega de 100% dos resultados efetivos em Angola e Moçambique e a 75% do resultado líquido doméstico, esclareceu o gestor.

Receita da venda do BFA chega este ano

Os responsáveis do banco já haviam explicado anteriormente que o impacto do encaixe de mais de 100 milhões de euros com a venda de uma participação de quase 15% no BFA só será sentido este ano.

As regras dos supervisores determinam que o BPI só poderá “beneficiar quando o dinheiro for transferido para Portugal”, segundo tinha explicado a administradora financeira, Susana Trigo Cabral.

O processo de transferência do valor do encaixe para Portugal “levará o seu tempo” por causa da situação de escassez de dólares em Angola, disse a responsável há três meses. Todavia, assegurou que os cerca de 100 milhões vão ser transferidos ao longo deste ano para cá.

(Notícia atualizada às 12h51)

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