Bancos da Zona Euro apertam crédito às empresas

Após três trimestres de alívio, os bancos voltaram a endurecer a concessão de crédito às empresas, refletindo maior cautela face às perspetivas da economia e à exposição a riscos globais.

ECO Fast
  • Os bancos da Zona Euro endureceram as condições de crédito para empresas no quarto trimestre de 2025, interrompendo uma tendência de alívio.
  • O inquérito do Banco Central Europeu revelou que 7% dos bancos aumentaram os critérios de aprovação de empréstimos, refletindo preocupações sobre a economia e a tolerância ao risco.
  • Para os próximos meses, os bancos preveem um aperto adicional nas condições de crédito, impulsionado pela incerteza económica e pressões regulatórias.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os bancos da Zona Euro surpreenderam ao agravar as condições de acesso ao crédito para as empresas no quarto trimestre de 2025, interrompendo a tendência de alívio gradual que vinha a marcar os trimestres anteriores.

O mais recente inquérito do Banco Central Europeu ao mercado de crédito europeu, publicado esta terça-feira, mostra que 7% dos bancos inquiridos apertaram os critérios internos de aprovação de empréstimos às empresas — um valor superior aos 1% que estas instituições tinham antecipado no inquérito anterior.

Esta inversão reflete “preocupações sobre as perspetivas das empresas e da economia em geral, bem como uma menor tolerância ao risco por parte dos bancos”, destaca o BCE em comunicado.​

O aperto das condições foi mais pronunciado na construção, no comércio por grosso e a retalho, na indústria transformadora energético-intensiva e no imobiliário comercial, refere os dados do Inquérito. Destaque ainda para a indústria automóvel, onde a restrição de crédito foi mais forte. Nos serviços não financeiros, excluindo imobiliário comercial, o aperto foi reduzido ou inexistente.

Para as famílias, o panorama divide-se. No crédito à habitação, os bancos aliviaram ligeiramente os critérios de aprovação (um saldo líquido de -2%), contrariando as suas próprias expectativas. A pressão concorrencial entre instituições financeiras terá pesado nesta decisão, embora as perceções de risco tenham pressionado no sentido oposto.

Já no crédito ao consumo e outros empréstimos às famílias, o aperto intensificou-se: 6% dos bancos reportaram condições mais restritivas, acima dos 4% que esperavam no trimestre anterior. O BCE sublinha que “a menor tolerância ao risco e perceções de risco mais elevadas foram os principais motores do aperto no crédito ao consumo”.

Mais aperto no crédito não condiciona procura de empresas e famílias

Do lado da procura, as empresas voltaram a aumentar ligeiramente a necessidade de financiamento (3%), superando as expectativas. O inquérito revela que este crescimento foi “impulsionado principalmente por um aumento na procura de inventários e de capital circulante”, enquanto o investimento fixo continuou a dar uma contribuição neutra.

Entre as famílias, o crédito à habitação continuou a crescer de forma moderada (9%), sustentado pela melhoria das perspetivas do mercado imobiliário, apesar da confiança do consumidor ter contribuído negativamente. Contudo, o crédito ao consumo registou uma ligeira queda (-2%), pressionado pela menor confiança dos consumidores.

Um dos elementos mais relevantes do inquérito é a análise do impacto das tensões comerciais e da incerteza política global. Numa questão nova introduzida pelo BCE neste inquérito feito mensalmente, quase metade dos bancos classificou a sua exposição a estas dinâmicas como “importante”.

Para os próximos meses, os bancos antecipam a continuação deste ambiente mais cauteloso. Esperam “um aperto moderado adicional das condições de crédito para as empresas, um ligeiro aperto para o crédito à habitação e um aperto mais acentuado para o crédito ao consumo” no primeiro trimestre de 2026.

Esta postura mais conservadora reflete não só a incerteza económica global, mas também pressões regulatórias, com os bancos a indicarem aumentos nos seus rácios de capital e de ativos líquidos, além de um impacto de aperto nas condições de crédito decorrente de ações regulatórias e de supervisão.

O inquérito foi realizado entre 15 de dezembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026 junto de 153 bancos da Zona Euro.

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