Empresas já têm formulário para indicar prejuízos da depressão Kristin. 100 milhões já reportados no Oeste
Empresas já têm formulário para indicar prejuízos da depressão Kristin. Só na indústria e empresas agrícolas da região Oeste os prejuízos já ascendem a cerca de 100 milhões de euros.
As empresas e particulares das regiões Oeste e Centro, que foram afetados pela passagem da depressão Kristin, já têm um formulário disponível na internet para reportarem os prejuízos. Só na região Oeste terão ascendido a cerca de 100 milhões de euros os estragos reportados por mais de 300 empresários e com grande impacto na economia do território dependente da produção agrícola, antecipa a AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste ao ECO/Local Online.
As Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT) e do Centro, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Oeste e diversas câmaras municipais dos territórios fustigados, como Leiria, Marinha Grande ou Alenquer, e a AIRO já disponibilizaram formulários para as empresas e particulares afetados pela tempestade da madrugada de 28 de janeiro reportarem os estragos.
Um fenómeno devastador “nunca antes vivido”, como o primeiro-ministro, Luís Montenegro, chegou a qualificar este domingo, durante o anúncio do pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros. Na ocasião, o Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos.
Precisamente “no âmbito da declaração do estado de calamidade, o município de Leiria encontra-se a proceder à recolha de informação relativa aos danos causados pela depressão Kristin nas instalações das unidades económicas do concelho”, lê-se na página oficial da autarquia da zona Centro do país. Por aqui a tempestade deixou um rastro de destruição em infraestruturas públicas e privadas, com estradas cortadas ou condicionadas, falhas no abastecimento de energia elétrica e água, e perturbações nas telecomunicações.
A situação é de tal forma grave e urgente que a autarquia de Leiria, presidida por Gonçalo Lopes (PS), apela “às empresas e demais atividades económicas, que tenham sido afetadas, que reportem os prejuízos”, através do preenchimento de um formulário que está disponível na internet. Numa fase posterior, explica o município, “o apuramento e validação dos prejuízos será da responsabilidade da CCDR Centro, sendo a recolha de informação efetuada pelo município de Leiria de caráter meramente indicativo, não substituindo os procedimentos a realizar pelas vias oficiais competentes”.
O impacto económico no setor hortícola e frutícola será colossal, primeiro nas produções e depois em toda a cadeia de valor.
Já a CIM Oeste e a AIRO juntaram sinergias, e lançaram um formulário conjunto para “levantamento e reporte urgente de danos sofridos por empresas, explorações agrícolas e famílias, na sequência da tempestade Kristin”, lê-se na página oficial de Facebook da associação empresarial com sede em Caldas da Rainha.
Este “formulário tem como objetivo fundamentar e evidenciar o pedido de apoio junto das entidades competentes“, explana a Comunidade Intermunicipal do Oeste que integra 12 municípios: Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.
A prioridade neste momento é realizar um raio-X dos estragos causados pela violenta tempestade no território, de modo a que a ajuda financeira chegue o mais rapidamente possível. Nesse sentido, empresários e particulares devem preencher o formulário que contempla perguntas tão diversas como “qual a sua estimativa, aproximada, do valor total dos prejuízos (em euros)” ou “quais os principais danos sofridos”.
É-lhes ainda perguntado se os danos se reportam a equipamentos e máquinas, estufas e/ou culturas agrícolas, mercadorias/stocks, vias de acesso/logística, e habitação/bens pessoais. Acresce saber se a intempérie provocou a interrupção de fornecimento de energia elétrica e a interrupção/paralisação parcial ou total da atividade empresarial. Segundo o secretário-geral da AIRO, Sérgio Félix, das mais de 300 empresas que, entre 29 de janeiro e esta segunda-feira, participaram estragos e viram a sua atividade interrompida devido à intempérie, “39% delas estão paradas” e muitas nem sequer sabem quando retomarão a produção.
Perante a necessidade de reerguer o território, a associação lança o apelo a empresários e particulares na sua página oficial de Facebook: “Pedimos a todos e reforçamos o pedido para comunicarem as perdas e pedidos de apoio; podem usar o formulário disponibilizado pela AIRO e Oeste CIM“.
A primeira resposta chegou logo na manhã de 29 de janeiro, pelas 11h41, depois de a região ter sido, durante toda a noite, fustigada pela violência da depressão Kristin, recorda o secretário-geral da AIRO. E o número de participações foi aumentando até ao final da tarde desta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, a associação empresarial e a CIM Oeste contabilizar mais de 300 participações, a maioria proveniente de empresários.
Entre os prejuízos relatados constam danos em estufas, culturas agrícolas, estabelecimentos comerciais e armazéns, edifícios sem telhado ou coberturas, e que, no total, deverão ascender a cerca de 100 milhões de euros, segundo estima o secretário-geral da AIRO. Ainda assim, este responsável admite ser prematuro avançar com montantes definitivos, uma vez que nos próximos dias deverão chegar mais relatos de estragos causados pela depressão Kristin.
Mas uma coisa é certa para Sérgio Félix: a situação é de tal forma grave que “o impacto económico no setor hortícola e frutícola será colossal, primeiro nas produções e depois em toda a cadeia de valor” e com implicações ao nível nacional e das exportações. “O Oeste é a principal região produtora de fruta e hortícolas a nível nacional“, assinala.
Tanto a AIRO como o município da Marinha Grande estão a disponibilizar espaços de coworking gratuitos com o objetivo de apoiar trabalhadores, empresas e empreendedores que tenham ficado temporariamente impossibilitados de exercer a sua atividade. Os utilizadores têm acesso a energia elétrica, internet e área de trabalho partilhada.
Igualmente o município da Marinha Grande avançou, nesta segunda-feira, com o levantamento de danos causados pela tempestade que, reforça a autarquia, “atingiu o concelho com violência e provocou prejuízos significativos em habitações, empresas, infraestruturas públicas e organizações da comunidade”. Nesse sentido, disponibilizou um documento na sua página oficial da internet para particulares, e entidades públicas e privadas participarem os prejuízos resultantes da intempérie que causou nove mortos.
Face à urgente necessidade de ajudar os munícipes, o autarca Paulo Vicente (PS) já reivindicou a isenção imediata do pagamento de portagens no troço da autoestrada 8 (A8) que serve o concelho. Entretanto, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, anunciou que o Governo está a avaliar a isenção de portagens nas zonas afetadas pela passagem da depressão Kristin e comprometeu-se a encontrar uma solução.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais devastados pela tempestade.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Empresas já têm formulário para indicar prejuízos da depressão Kristin. 100 milhões já reportados no Oeste
{{ noCommentsLabel }}