Já são três as câmaras a pedir o adiamento de eleições

Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã pediram o adiamento da segunda volta das eleições presidenciais devido ao mau tempo.

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal anunciou esta quinta-feira que adiou a realização da segunda volta das eleições presidenciais no concelho sadino. A nova data do ato eleitoral para escolher o próximo Presidente da República é o próximo dia 15 de fevereiro. Horas depois, também Arruda dos Vinhos e Golegã seguiram as mesmas pisadas.

Entre os motivos apresentados pela autarquia do distrito de Setúbal para esta decisão está o facto de, até 8 de fevereiro, Alcácer do Sal se encontrar entre as dezenas de concelhos em situação de calamidade, decretada pelo Governo em Conselho de Ministros.

Além deste estado de alerta, o município de Alcácer do Sal faz referência às “condições meteorológicas extremas”, que causaram “danos significativos” nas infraestruturas e condicionaram “de forma grave” a circulação da população e de mercadorias.

Não temos condições para realizar eleições no próximo domingo. Temos muita gente que não consegue sequer sair de casa. Como é que íamos instalar mesas de voto? Como é que íamos fazer toda a logística sem nos podermos deslocar na cidade e nalgumas zonas do concelho?”, afirmou a autarca de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, em declarações aos jornalistas.

Clarisse Campos adiantou que a Câmara Municipal tomou a decisão ainda esta quarta-feira logo depois de falar com todos os presidentes das suas juntas de freguesia.

Questionada sobre se haverá serviços mínimos, caso haja uma resposta negativa por parte da Comissão Nacional de Eleições (CNE), a autarca respondeu que irá “avaliar”, mas mostrou-se convicta de que a autoridade responsável pelos atos de recenseamento vai responder de forma positiva. “Se tiverem necessidade, venham ao terreno avaliar, mas não acredito que cheguemos a isso”, vincou Clarisse Campos.

Na lista de razões para o município avançar com o adiamento está também o corte das estradas que fazem a ligação até Santa Catarina, Casebres, Vale de Guizo, Torrão e São Romão do Sado devido a cheias ou derrocadas.

Em comunicado, a autarquia sadina alertou para “a impossibilidade ou acesso condicionado a locais de voto, bem como as perturbações nas redes de transporte, comunicações e fornecimento de serviços essenciais”. Alega, por isso, com o “comprometimento das condições de segurança, igualdade e liberdade de participação dos cidadãos no ato eleitoral”.

“Atendendo ao caráter excecional e imprevisível dos acontecimentos ocorridos, não estando reunidas as condições mínimas para a realização normal e universal das eleições presidenciais no concelho de Alcácer do Sal, foi solicitado o seu adiamento”, reiterou o município.

Igualmente o município de Arruda dos Vinhos adiou a segunda volta das eleições presidenciais no concelho para dia 15. Numa publicação na sua página oficial de Facebook, a autarquia explica a decisão: “Face aos eventos meteorológicos dos últimos dias e consequente ativação do Plano Municipal de Emergência, o dia da eleição para o Presidente da República – segundo sufrágio, que estava previsto realizar-se no dia 8 de fevereiro, realizar-se-á no dia 15 de fevereiro de 2026, nos locais e horários anteriormente definidos”.

Horas depois, o município da Golegã, no distrito de Santarém, anunciava a mesma intenção para evitar a deslocação de pessoas, devido ao mau tempo.

Contactámos a Comissão Nacional de Eleições e optámos por adiar o ato eleitoral, aliás como muitos municípios já fizeram”, explicou o autarca da Golegã, António Camilo, em declarações à Lusa. Adiantou ainda que pediu o adiamento das eleições presidenciais, previstas para domingo, em todas as assembleias de voto do concelho.

Inicialmente esta quinta-feira tinha sido avançado que Pombal também seguiria as pisadas dos municípios de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã. Esta sexta-feira a autarquia anunciou, num comunicado, que afinal vai realizar as eleições presidenciais no domingo, “apesar das condicionantes decorrentes da falta de energia e comunicações”. Considerou que “estão reunidas as condições físicas mínimas na maioria das mesas de voto para a realização das eleições Presidenciais em todo o concelho”.

A decisão foi tomada na quinta-feira, durante a reunião diária do Centro de Coordenação Operacional Municipal (CCOM), onde têm assento várias entidades, incluindo o executivo municipal e as juntas de freguesia.

O município pombalense alerta, contudo, para a injustiça de grande parte da população não ter conseguido acompanhar a campanha. “Tendo em conta a falta de acesso às redes de energia e de comunicações, 85% da população do concelho de Pombal sente-se defraudada do seu direito ao voto através de uma escolha tranquila, consciente e informada, não estando, igualmente, garantido o direito ao período de reflexão, tendo em conta que a esmagadora maioria dos eleitores pombalenses estará mais preocupada em resolver os problemas causados pela tempestade e assegurar o mínimo de condições de habitabilidade nas suas residências”, lê-se na mesma nota.

(Artigo atualizado às 10h de 6 de fevereiro com o anúncio da Câmara Municipal de Pombal de que afinal vai realizar as eleições presidenciais no domingo)

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