Empresa fustigada pela depressão Kristin inicia fornecimento de eletricidade em Pombal

Ainda a contabilizar prejuízos, empresa recomeçou fornecimento de energia à rede, mas num modelo inédito. Ruas da freguesia de Meirinhas, em Pombal, e mais de uma centena de casas já têm luz.

Apesar dos impactos sofridos, a ADM, juntamente com a E-Redes, conseguiu tirar da escuridão uma parte da população de Meirinhas, freguesia do concelho de Pombal onde 85% da população continua sem eletricidadeHugo Amaral/ECO

Uma das empresas gravemente atingida pela depressão Kristin no concelho de Pombal, e que conseguiu no passado fim-de-semana reiniciar a produção de energia própria, está, desde cerca das 20 horas desta quarta-feira, a iluminar ruas e casas em parte da população da freguesia de Meirinhas. E tudo graças à ligação das turbinas de cogeração à rede pública.

Num teste que o ECO/Local Online testemunhou, a Adelino Duarte da Mota (ADM) conseguiu, à segunda tentativa, iniciar a ligação à rede pública, contando para isso com um técnico da E-Redes na fábrica localizada junto ao IC2, a antiga EN1 – a partir desta vê-se parte dos elevados danos causados pelos ventos com rajadas que, segundo o Governo, superaram os 200 km/h, fez na quarta-feira uma semana.

A empresa de extração e transformação de matérias-primas para a indústria cerâmica, responsável por parte da loiça vendida nas lojas Ikea do sul da Europa, conseguiu ligar-se a um pequeno troço da rede que percorre o território do concelho de Pombal. O primeiro teste já havia sido realizado, sem sucesso, na terça-feira.

Segundo contabilizou João Pimpão, presidente da Junta de Freguesia de Meirinhas, onde se encontra esta empresa, os habitantes de cerca de 160 casas em redor da fábrica já contaram com luz durante a noite desta quarta-feira.

Além destes lares, e para lá de casos pontuais de residências e serviços com energia gerada com gerador próprio (como é o caso da farmácia, conforme verificou o ECO/Local Online), o serviço de eletricidade está a ser assegurado ainda por dois geradores junto ao largo da igreja. Estes equipamentos foram colocados, ao fim de quase uma semana de escuridão, pela E-Redes, que esteve na ADM ao lado dos técnicos da empresa a fazer a ligação das turbinas de cogeração à rede pública. Ainda sem serviço de eletricidade está, segundo refere o presidente da Junta de Freguesia, 85% deste território com nove quilómetros quadrados.

Dotada de três turbinas de cogeração com capacidade para gerar 3,7 Mw de eletricidade, cada, a ADM é um fornecedor da rede pública, a qual ficou impedida de servir após os graves danos causados pela depressão Kristin. Esta, não só arrasou a rede, como provocou graves danos na empresa. Agora, a ADM, juntamente com a E-Redes, conseguiu encontrar um método de injeção de eletricidade num troço limitado da rede.

O normal modelo de fornecimento à rede pública funciona num esquema à escala nacional, em virtude da interligação da rede de energia. Contudo, com os graves danos provocados pela tempestade, vastas partes do território do distrito de Leiria continuam “ilhas” elétricas, não interligadas com o país. A injeção efetuada pela ADM nesta quarta-feira em apenas uma pequena secção da rede, a geograficamente mais próxima, constituiu um teste que tanto o técnico da E-Redes como os responsáveis da ADM consideram não ter precedentes.

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