Famílias apertam-se em casas cada vez menores por força da crise na habitação

Preços das casas sobem mais de 40% em três anos enquanto os salários mal passam dos 15%, empurrando as famílias portuguesas para casas cada vez mais pequenas.

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  • Ter uma casa de 90 metros quadrados é inatingível para o orçamento de milhares de famílias, particularmente para aquelas que residem em Lisboa, Porto e na região do Algarve.
  • Comprar uma casa de 90 metros quadrados implica atualmente entre 68 mil a 114 mil euros a mais do que há três anos.
  • Comprar ou arrendar uma casa de 90 metros quadrados é inacessível em toda a região algarvia, com taxas de esforço de 57% a 96%.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O acesso à habitação em Portugal tornou-se um desafio crescente, não só pelos preços elevados, mas também pelo tamanho das casas que as famílias conseguem comprar ou arrendar.

Um estudo da Century 21 apresentado esta quinta-feira revela que, nas principais regiões do país, uma casa de 90 metros quadrados — referência padrão de uma habitação familiar — é inalcançável para o orçamento de milhares de famílias.

Segundo os dados do estudo da consultora imobiliária, Lisboa e Cascais exigem hoje entre 420 mil e 450 mil euros por um imóvel 90 metros quadrados. Em Oeiras, o valor ronda 380 mil euros, e na Amadora situa-se entre 210 mil e 240 mil euros. Nos restantes concelhos os preços oscilam entre 210 mil e 290 mil euros.

No arrendamento, a tendência é de maior homogeneidade, com rendas entre 1.100 e 1.700 euros, e apenas o Montijo apresenta valores abaixo dos 1.000 euros.

Comprar uma casa de 90 metros quadrados implica atualmente entre 68 mil a 114 mil euros a mais do que há três anos.

Desde 2022, preços e rendas aumentaram mais de 40% apontam nos números do estudo da consultora imobiliária, enquanto os rendimentos cresceram apenas cerca de 15%.

Comprar uma casa de 90 metros quadrados implica atualmente entre 68 mil a 114 mil euros a mais do que há três anos, traduzindo-se em prestações cerca de 300 euros superiores. No arrendamento, os aumentos chegam a 400 euros mensais, enquanto os salários subiram apenas cerca de 200 euros.

Como consequência, a maioria dos concelhos da AML tornou-se “inacessível” (taxa de esforço superior a 50% do rendimento líquido), para a compra de uma casa de 90 metros quadrados, com exceção de Alcochete, Barreiro, Montijo e Seixal, que exigem ainda uma taxa de esforço elevada (34% a 50% do rendimento líquido dos agregados familiares). Para o arrendamento, todos os concelhos são inacessíveis.

Se for considerado um orçamento “sem esforço” (encargos com prestações inferiores a 33% do rendimento), a área acessível encolheu drasticamente: em Lisboa, Cascais e Oeiras, comprar sob esta métrica permite atualmente alcançar uma casa com apenas 35 a 45 metros quadrados, enquanto na Margem Sul do Tejo a área caiu de 85 a 95 metros quadrados em 2022 para 55 a 65 metros quadrados, atualmente.

“Este não é um fenómeno apenas dos grandes centros. A pressão alastrou-se de forma brutal sobre as áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Algarve”, destaca Ricardo Sousa, CEO da Century 21, notando ainda que “em 2025, todas as cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e do Algarve, tornaram-se inacessíveis no arrendamento para uma família média que entra pela primeira vez no mercado na sua cidade.”

No Porto, a situação é menos grave, mas também preocupante. Com rendimentos entre 1.600 euros na Póvoa de Varzim e 1.950 euros no Porto, o preço médio de uma casa de 90 metros quadrados varia entre 180 mil euros em Valongo e Gondomar, e 324 mil euros na cidade do Porto. No arrendamento, as rendas oscilam entre 900 e 1.400 euros.

Comprar ou arrendar uma casa de 90 metros quadrados é inacessível em toda a região algarvia, com taxas de esforço de 57% a 96%.

O estudo da Century 21 revela que comprar uma habitação de 90 metros quadrados é “inacessível” no Porto, Matosinhos e Póvoa de Varzim, e exige uma taxa de esforço elevado (34% a 50%) em Valongo, Maia, Gondomar, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.

Assim, num cenário considerado ideal e “acessível” (taxa de esforço inferior a 33% do rendimento líquido), as famílias residentes na área metropolitana do Porto só conseguiriam comprar um imóvel de 45 metros quadrados e arrendar um de 40 metros quadrados, perdendo cerca de 30 metros quadrados em relação a 2022.

Já no Algarve, com rendimentos mensais entre 1.400 e 1.674 euros, os preços variam de 260 mil euros em Faro e Portimão a 360 mil euros em Loulé. O arrendamento está igualmente pressionado, com as rendas das casas a situarem-se entre 1.100 e 1.400 euros, após subidas superiores a 60% nos últimos três anos, apontam os dados do estudo da consultora imobiliária.

Comprar ou arrendar uma casa de 90 metros quadrados é inacessível em toda a região algarvia, com taxas de esforço de 57% a 96%. No cenário de esforço ideal e considerado “acessível”, a área dos imóveis possível para compra situa-se atualmente entre 30 e 45 metros quadrados.

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