Kristin. Setor da construção à espera de indicações da Estrutura de Missão para pôr mãos à obra
Setor aguarda orientações da Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin, para coordenar operações de reconstrução e quantificar os recursos necessários.
As empresas de construção estão mobilizadas para participar na reconstrução nas zonas afetadas pela situação de calamidade, dando prioridade às necessidades na região, garante a associação que representa o setor. Este esforço vai envolver tanto grandes grupos, como empresas de pequena e média dimensão, com o setor a aguardar indicações da Estrutura de Missão para Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin para avançar com as operações e quantificar recursos.
“O setor da construção está mobilizado neste esforço conjunto para responder às necessidades no terreno, que decorrem das consequências da tempestade que assolou, em particular, a região centro do país, e foi nesse sentido que a AICCOPN participou ontem, em Leiria, na reunião operacional que juntou membros do Governo, das autarquias e de várias entidades responsáveis, além da Estrutura de Missão que está no terreno”, explicou Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, em respostas ao ECO.

O responsável destacou que “é urgente assegurar imediatamente, numa primeira fase, as intervenções nas habitações e nas empresas afetadas, nomeadamente no que respeita a obras em telhados e coberturas”, para “restabelecer condições de segurança e dignidade à população e assegurar o regresso ao normal funcionamento de unidades fabris e serviços, podendo as empresas retomar a sua atividade e as pessoas regressar aos seus postos de trabalho”.
Numa segunda fase, “será importante fazer intervenções de fundo que resolvam estragos maiores, tendo em vista a reposição total da normalidade”.
“Para este esforço, estão convocadas as pequenas, médias e grandes empresas do setor”, explica Manuel Reis Campos, acrescentando que, para já, “não é possível quantificar quantas empresas e quantos trabalhadores serão mobilizados, uma vez que o setor aguarda as indicações da Estrutura de Missão, responsável por coordenar estas operações de reconstrução no terreno, numa articulação que será feita em estreita colaboração e à medida das necessidades que vão sendo identificadas”.
Para este esforço, estão convocadas as pequenas, médias e grandes empresas do setor. De momento, não é possível quantificar quantas empresas e quantos trabalhadores serão mobilizados, uma vez que o setor aguarda as indicações da Estrutura de Missão, responsável por coordenar estas operações de reconstrução no terreno, numa articulação que será feita em estreita colaboração e à medida das necessidades que vão sendo identificadas.
Sobre o impacto que esta realocação de recursos terá noutros projetos, o presidente da AICCOPN refere que “atendendo à situação de calamidade, importa resolver os problemas urgentes das pessoas afetadas”.
“Não convém prejudicar os prazos que estão estabelecidos, mas estamos confiantes de que estas intervenções não irão colidir com a agenda do PRR“, afiança.
Carlos Mineiro Aires, ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros, realça que, se as empresas acordaram deslocar parte dos seus recursos para acudir [à situação de calamidade], é possível” avançar com a reconstrução. O responsável reconhece, porém, que ter equipas em permanência e dar resposta é um “esforço muito grande” para o setor, que enfrenta um problema de mão-de-obra, “vive muito à base da imigração”.

O ex-bastonário considera que a situação “é um drama”. “Cada vez que vejo as imagens fico surpreso com a destruição”, lamenta, notando que “é uma zona que tem uma atividade muito importante, nomeadamente nos moldes”.
Com muitos edifícios sem cobertura e previsão de muita chuva para os próximos dias, Mineiros Aires receia prejuízos maiores, se a maquinaria destas empresas “de ponta” apanhar chuva. “É uma indústria com qualidade elevadíssima”. O ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros concorda que “há uma ponta para acudir ao prioritário e depois compete às empresas dimensionar a resposta“.
Quanto aos efeitos de especulação de preços, face à forte procura, o responsável diz que “isso já começou”. “Não há comiseração, nem misericórdia“.
Empresas unem-se a onda de solidariedade

Com duas fábricas na região (Maceira e Pataias), que também foram afetadas pela tempestade, a Secil tem ambas as unidades “a produzir a níveis normais, sem qualquer problema de abastecimento a clientes”. “Em paralelo, encontram-se a decorrer os trabalhos de avaliação e apuramento dos danos causados por esta ocorrência, num processo que está a ser conduzido com a máxima prioridade”, segundo adiantou a empresa ao ECO.
Além de estar a produzir normalmente, com capacidade para fornecer materiais para a reconstrução, a empresa anunciou que vai doar 7.000 sacos de cimento, correspondentes a um total de 175 toneladas, à Junta de Freguesia de Maceira e à Câmara Municipal de Leiria, “numa iniciativa de apoio à resposta local às necessidades de reparação de infraestruturas afetadas pelo fenómeno meteorológico extremo que atingiu a região Centro do país”.
“O cimento, disponibilizado na Fábrica Maceira-Liz, em Maceira, constitui um material essencial para a realização de obras de reparação em telhados, muros e outras estruturas edificadas, contribuindo para a reposição das condições de segurança e habitabilidade em áreas afetadas”, esclarece em comunicado.
Mas a Secil não é a única empresa que respondeu solidariamente à tragédia. Vinte trabalhadores de uma empresa de Felgueiras estiveram esta terça-feira a ajudar a reparar telhados na Boa Vista, uma localidade a 10 quilómetros de Leiria onde muitas casas ficaram sem telhas e ainda há falhas de energia e de comunicações.
“Somos uma empresa de construção civil situada no Norte do país e estamos em Leiria porque vimos que existia aqui uma necessidade de mão-de-obra e de materiais e o meu chefe, o Carlos Magalhães, decidiu voluntariar-se e adquirir um camião com cerca de 3.000 telhas e outros tipos de materiais de construção”, explicou Bruna Magalhães, da empresa Pedrigosende.
Além do material, a empresa paga também o ordenado aos 20 trabalhadores, mas o serviço prestado é voluntário. O almoço tem sido oferecido por pessoas a quem ajudaram a recuperar as suas casas.
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