Salário médio líquido salta 8% para 1.282 euros em 2025. Veja as profissões com maiores aumentos
Ordenado limpo de impostos aumentou 97 euros no ano passado face a 2024. Militares, técnicos de nível intermédio e trabalhadores não qualificados tiveram o maior incremento remuneratório.
O salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem, em Portugal, subiu, no ano passado, 97 euros para 1.282 euros, o que corresponde a um aumento de 8,19%, em relação ao vencimento médio de 1.185 euros de 2024. Trata-se de uma ligeira desaceleração face ao avanço histórico de 10% alcançado no ano anterior, ainda assim, é um dos maiores aumentos registados na década, de acordo com as contas do ECO com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta terça-feira.
Na comparação com 2011, início da série, o ordenado médio, já limpo de impostos e contribuições, teve uma progressão de 471 euros (58%) face aos 811 euros praticados na altura.
Entre os grupos profissionais com incrementos mais generosos, o destaque vai para os militares das Forças Armadas que tiveram um aumento de 21% (332 euros) ainda à boleia da subida do suplemento de condição militar de 100 para 300 euros. Técnicos de nível intermédio e trabalhadores não qualificados completam o pódio do grupo de profissões que sentiram valorizações salariais mais elevadas (ver tabela em baixo).
Analisando a evolução do salário médio líquido desde 2011, o ano mais antigo para o qual o INE disponibiliza dados, verifica-se que 2024 foi o ano no qual as remunerações, depois de descontados impostos e contribuições sociais, mais subiram. O aumento de 10,13% foi histórico, tendo em conta que as variações anuais rondaram sempre os 2% e 3%. No ano passado, a variação também foi substantiva, de mais de 8%, ainda assim regista-se uma ligeira desaceleração face a 2024.
A forte subida do salário mínimo nos últimos anos, de 7,8% em 2023 e de 7,9% em 2024, a par da atualização remuneratória dos trabalhadores do Estado e da maior subida da base remuneratória da Administração Pública (BRAP) deram um especial contributo para a alavancagem do ordenado médio líquido.
Para além disso, várias carreiras da Administração Pública como a dos professores, funcionários judiciais, forças de segurança (Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicana), guardas prisionais, Forças Armadas e enfermeiros alcançaram, nos últimos dois anos, acordos para o descongelamento e valorização dos seus salários, o que também teve um peso especial na variação dos vencimentos médios.
De lembrar que, em 2023, o incremento remuneratório foi de apenas 2,76%, tendo inclusivamente ficado aquém da inflação média registada naquele ano, de 4,3%. Recuando mais no tempo e excluindo a performance salarial de 2024 e de 2025, só se verificaram aumentos mais significativos em 2020, com uma variação de 4,06%, e, em 2021, com 3,69%.
O período que registou uma evolução dos ordenados mais residual está concentrado nos anos da governação de Pedro Passos Coelho, entre 2012 e 2014, fortemente marcada pela intervenção da troika. Em 2013, até houve uma contração de 0,62% do salário médio líquido mensal dos trabalhadores por contra de outrem, que caiu de 811 para 808 euros.
Para esta evolução, contribuiu, por um lado, os cortes salariais entre 2,5% e 12% na Função Pública, aplicados em 2013, para quem auferisse mais de 600 euros brutos mensais e, por outro, o congelamento da retribuição mínima mensal garantida nos 485 anos, entre 2012 e 2014.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Quanto à variação do ordenado médio líquido mensal por conjuntos de profissões, o INE indica que a classe das Forças Armadas foi a que beneficiou da maior subida salarial (21,2%), que ultrapassou largamente a inflação de 2025 (2,3%). Este grupo auferia, em 2024, 1.567 euros por mês e viu o ordenado engordar 332 euros para 1.899 euros, no ano passado. Trata-se de um incremento muito significativo que, em grande medida, ainda reflete a subida do suplemento de condição militar de 100 para 300 euros.
No ranking dos maiores aumentos surge, em segundo lugar, a classe dos técnicos e profissões de nível intermédio. O salário médio destes trabalhadores subiu 114 euros, de 1.257 para 1.371 euros, o que corresponde a um aumento de 9,07%, também acima da variação do índice de preços.
A completar o pódio, na terceira posição, estão os trabalhadores não qualificados que passaram a ganhar 790 euros, ou seja, mais 61 euros face ao vencimento médio do ano anterior, de 729 euros. Esta variação de 8,37% também suplantou a inflação.
Todos os grupos de profissões registaram variações do salário médio líquido acima do índice de preços. De destacar, por exemplo, o grupo dos especialistas das atividades intelectuais e científicas, onde estão os professores e médicos : em termos absolutos, o ordenado médio subiu 122 euros, de 1.621 para 1.743 euros, o que corresponde a um aumento de 7,53%, mas já abaixo da variação global do vencimento médio líquido para o conjunto do país (8,19%).
No caso do pessoal administrativo, o vencimento médio líquido subiu 74 euros, de 994 para 1.068 euros, o que corresponde a uma variação de 7,44%.

Entre os grupos profissionais que registaram aumentos mais modestos, o destaque vai para a classe dos trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices; dos agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta; e ainda dos trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores.
No ano passado, o ordenado médio dos operários da indústria subiu 59 euros para 1.057 euros face ao vencimento médio de 998 euros registado em 2024, o que corresponde a um incremento de 5,91%. É a variação mais comedida entre as profissões analisadas pelo INE.
Os agricultores passaram a ganhar em média, no ano passado, 930 euros por mês, uma subida de 59 euros (6,77%) face ao vencimento anterior, que estava nos 871 euros.
Já os seguranças e vendedores auferiram mais 65 euros, passando de um vencimento médio líquido de 911 euros para 976 euros, o que corresponde a um aumento de 7,14%.
Na tabela dos aumentos menos significativos, abaixo da média de 8,19%, surgem ainda os gestores de topo e os representantes do poder legislativa: ganharam mais 139 euros, passando de um vencimento médio líquido de 1.915 euros para 2.054 euros. Ainda assim, é preciso sublinhar que esta categoria profissional é a mais bem remunerada, segundo os dados do INE.
O vencimento deste grupo de trabalhadores é mais do dobro do ordenado médio mais baixo, de 790 euros, pago aos trabalhadores não qualificados. A diferença entre o vencimento dos gestores de topo, de 2.054 euros, e o ordenado dos não qualificados é de 1.264 euros, o que corresponde a um fosso de 160%.
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