Airbus Atlantic queixa-se de falta de formação profissional na aeronáutica. “Não encontramos essa fileira profissional”
Novo diretor-geral da Airbus Atlantic Portugal, que produz em Santo Tirso secções de fuselagem para famílias de aviões A320 e A350, desafia o Governo a apostar na formação profissional na aeronáutica.
A Airbus Atlantic Portugal, a empresa da multinacional francesa que produz em Santo Tirso peças para as famílias de aviões A320 e A350, desafiou o Governo a apostar no lançamento de programas de formação profissional para a área da aeronáutica. “Não encontramos essa fileira na aeronáutica”, lamentou o novo diretor-geral da unidade industrial da Airbus Atlantic em Portugal, que já emprega mais de 450 pessoas no Norte do país.
“Hoje podemos dizer que o avião mais vendido no mundo nasceu em Portugal, porque nós estamos realmente no início da construção do avião“, referiu Kevin Giraud, que assumiu a liderança da unidade da fabricante de peças de aviões da gigante francesa no passado mês de outubro, numa conferência organizada pela CCILF – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa.
“As escolas de engenharia são muito boas, mas hoje nós fabricamos“, acrescentou o diretor-geral da Airbus Atlantic Portugal, de onde saem secções de fuselagem para as famílias de aviões A320 e A350. “O que é necessário é ter uma linha profissional na parte de produção”, direcionada a formar as pessoas que trabalham na fábrica e produzem “todos os dias os aviões para a Airbus Atlantic”.

“Hoje, quando olho para o mercado de educação em Portugal, não encontro necessariamente essa linha de profissionalização ligada à aeronáutica“, apontou o líder da unidade portuguesa da Airbus Atlantic. “É isso que precisamos, precisamos ter de ter esses jovens que querem entrar no mundo do trabalho através de empresas”, reforçou, acrescentando “não encontramos essa fileira aeronáutica em Portugal“.
Numa mensagem direta ao Governo, Kevin Giraud referiu que “se tivesse uma coisa a pedir ao Governo português” seria que desenvolvesse essas fileiras ao nível da formação profissional na área da aeronáutica.
O responsável realçou ainda que essas fileiras focadas na profissionalização existem noutras áreas, nomeadamente na restauração ou no turismo, mas não no mundo da aeronáutica. Segundo o diretor-geral da Airbus Atlantic Portugal, uma das dificuldades da unidade industrial é “encontrar recursos qualificados de aeronáutica“, destacando a necessidade de atrair jovens para este setor.
“Convido os clusters aeronáuticos portugueses, o governo português, a vir ver o que fazemos em França para formar os jovens com mais idade, e um modelo que representa um bom benchmark, que é Marrocos, em Casablanca, onde está a Safran, Airbus Atlantic, Figeac Aero, todos os grandes donos do setor da aeronáutica, com sistemas de formação” destinados às pessoas que vão fabricar todos os dias peças de aviões, destacou.
Em relação à presença em Portugal, Kevin Giraud lembrou que a empresa continua a crescer no mercado português, onde está a aumentar em 30% a área de produção, crescendo 5.500 metros para passar a ocupar uma área de 24 mil metros quadrados. Quanto à atividade, notou que a empresa vai trabalhar com um painel de fornecedores portugueses e internacionais, continuando a crescer em número de colaboradores a um ritmo de “100 por ano”. “Já temos 456 empregados”, explicou.
A nova área de produção vai responder ao crescimento significativo dos programas da Airbus no fabrico de estruturas aeronáuticas e deverá estar operacional no final de 2026.
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